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[Economia de Convergência]: Os cães ladram… e a caravana passa

� muito interessante perceber como ninguém pede permissão para derrubar aqueles padrões aos quais estávamos acostumados. Mais ainda quando notamos quantas vezes não nos damos conta dessas pequenas revoluções.

Há cerca de dois anos eu prestava consultoria para um laboratório de análises quando identifiquei uma oportunidade de contratar um software que disponibilizaria pela remotamente os resultados para os médicos e pacientes.

A diretora, após 15 segundos de profunda análise, achou que não valia a pena adotar o software porque os pacientes teriam  receio de que suas informações fossem disponibilizadas na internet. Adivinhe o que aconteceu com os concorrentes? Esse movimento ocorre em qualquer atividade, no mundo â??realâ? ou no â??virtualâ?.

Nas últimas semanas tenho trabalhado com afinco em uma análise do desempenho das principais lojas virtuais no Brasil, o que me coloca em uma posição interessante para avaliar o que anda acontecendo nesse mercado.

De forma geral as informações publicadas são originadas na coleta dos dados das empresas, o que, se não determina os resultados, pelo menos já traz um viés, porque afinal os valores que essas empresas apresentam estão impregnados na forma como esses dados são gerados e transmitidos.

Eu fugi dos dados â??oficiaisâ?. Meu estudo baseou-se em dados de acompanhamento das consultas na internet e de reclamações registradas, divididas em diversos temas.

O resultado foi bastante esclarecedor. Empresas que no mundo físico estão acostumadas a ditar regras, não estão nada bem quando o tema é o comércio virtual. Empresas grandes, supostamente melhor estruturadas, nem sempre têm seu poderio refletido nos índices de desempenho junto ao consumidor e algumas tidas como pequenas, na verdade fazem um grande trabalho de atenção ao cliente.

Também interessante é perceber que poucas são as companhias que se dispõem a olhar com seriedade para suas deficiências e a corrigi-las. São os mesmos senhores vetustos, os mesmos olhares compenetrados tentando decifrar o enigma que a esfinge da comunicação via internet propõe.

Entretanto aquelas empresas que, independente do segmento, perceberam que atender as necessidades do consumidor é verdadeiramente o seu negócio, estão despontando, consolidando sua imagem.

Chega a ser engraçado ouvir e ler alguns comentários de organizações que se baseiam em antigos padrões como se eles valessem alguma coisa neste novo mundo de relacionamento social sem fronteiras.

Uma observação a todos esses Homo-dinossauricos: Vocês estão com os dias contados! Quer apostar? Então vamos a alguns exemplos de paradigmas que estão sendo quebrados sem que percebamos:

  • Durante o apagão o que funcionava era o Twitter. Através dele eu consegui determinar que a área atingida era muito maior do que eu imaginava. Isso tudo porque meu celular, mesmo sem conseguir ligar para outras operadoras, navegava pela internet sem problemas (ufa, que alívio). Penso que o rádio deveria estar funcionando, sim, mas quem é que ainda tem rádio a pilha em casa? O engraçado era ver as pessoas na rua usando o celular como lanterna e para navegar na internet. Dentro de casa, só a luz bruxuleante das velas…
  • Semana passada a cantora Shakira decidiu lançar sua última música e respectivo vídeo, Give It Up To Me, no Facebook, com transmissão pelo serviço Ustream. Resultado da brincadeira: 95 mil visitantes únicos durante a primeira exibição e mais de meio milhão de exibições nas 24 horas seguintes. O evento só perdeu para o funeral de Michael Jackson (4,6 milhões) e para a posse de Obama (3,8 milhões) â?? tudo pela internet.
  • O serviço de armazenagem e exibição de vídeos YouTube, do Google, anunciou ontem que  está disponível para utilização (gratuita) uma ferramenta que gera automaticamente legendas (vídeo abaixo). Para explicar melhor, o sistema â??entendeâ? o que está sendo falado e transcreve automaticamente. Um detalhe interessante: se você quiser, ele traduz o que está sendo dito.

No primeiro exemplo, o telefone, que antigamente servia para falar, acabou sendo uma ferramenta essencial, sim, mas para escrever, ler e até iluminar. Foi o meio de comunicação mais utilizado pela população que não sabia o que estava acontecendo.

No segundo, um lançamento que há alguns meses seria feito na MTV, acabou indo parar na rede social, exatamente porque a cantora está mais interessada em reforçar esses vínculos com seus admiradores.

No terceiro, um serviço gratuito tem o potencial de virtualmente acabar com a função dos intérpretes, afinal, se um software faz a tradução simultânea de um vídeo, por que razão não pode fazer também de uma conversa ao vivo?

Isso tudo para mencionar só alguns exemplos das últimas semanas. Algumas lojas acreditam que podem transpor para a internet seus modelos ultrapassados e imaginam que o consumidor vai aceitar tudo passivo.

São executivos que acham que internet, mídia social, monitoramento de marca, twitter, rede etc., são coisas que fazem os funcionários perderem seu precioso tempo.

Meu recado não pode ser mais simples do que o deste conhecido provérbio oriental: â??os cães ladram, a caravana passaâ?.

Está nas suas mãos decidir se você vai querer ficar à margem latindo, ou se vai embarcar na caravana.

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