Tag Archive for 'eleições'

Política e políticos na sociedade 2.0

Originalmente publicado no BRPress

Acho graça quando ouço ainda hoje algumas pessoas defendendo veementemente aquele chavão que reza que “política [e religião] não se discute”.

Religião não é o meu tema, mas costuma ter dogmas aos quais as pessoas podem se alinhar ou não. Fim de papo.

Já a política, é exatamente o contrário. É especificamente a discussão que promove o surgimento de novas idéias.

O problema é que no Brasil nos acostumamos a ver o termo, junto com aqueles que a exercem, como algo “sujo” ou “imoral”.

Estamos iniciando um ano de extrema importância nesse campo. Um ano no qual vamos inaugurar uma nova forma de fazer política, utilizando os recursos da internet e não mais ficar com aquela cara aparvalhada diante da TV, ouvindo as patacoadas de meia dúzia de palhaços que buscam seus quinze minutos de fama.

O Cidadão 2.0 não pode alegar falta de informação ou subsídio para decidir-se nem, tampouco, esquivar-se dessa discussão. Temas relevantes não nos faltarão.

Um pouco de história não faz mal

“Política” é uma palavra derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), ou seja, as atividades relativas à “pólis” (cidade-Estado). Político, portanto, é aquele que trabalha em função do Estado, que é formado pelo conjunto dos cidadãos.

E como o político atinge essa condição? Simples, através de um mecanismo que lhe outorga a representação da sociedade – no caso do Brasil, o voto. É o “mandatário” ou “procurador”.

Ora, o procurador, embora aja “em nome de um terceiro”, o faz defendendo os interesses do representado e não o seu próprio em detrimento do outro.

Procuração não é cheque em branco

A procuração, no caso o mandato, tem um fim específico, que é o interesse do Estado.

Dessa forma, nossos representantes eleitos não têm em absoluto, a possibilidade de dizer que não se importam com a opinião pública. Ninguém, ao votar em um candidato, outorga-lhe o direito de utilizar-se de suas prerrogativas para negociar em proveito próprio.

Claro que nessa categoria de “proveito próprio”, enquadram-se a construção de castelos, peças íntimas (como meias e cuecas) com recheio sui-generis, polpudas verbas para aquisição de panetones e outros exemplos da nossa história recente.

Aliás, como nossa memória é meio curta, recomendo uma visita ao excelente MuCo – Museu da Corrupção.

E não adianta reclamar. Temos que aprender a assumir a responsabilidade por ter indicado como procurador alguém que tem um perfil pouco recomendável.

As ferramentas da internet na política

Os meios políticos estão fervilhando. Milhares de assessores estão ocupados em povoar o Twitter de eleitos e candidatos.

Existem os exemplos mais estapafúrdios, como o de um Senador que faz questão de mostrar sua proximidade com o eleitor perguntando “onde está Wally”? ou o de um deputado que conseguiu postar 1.300 tweets em uma semana e achou que estava abafando.

Claro que existem também os bons exemplos, de gente que realmente está buscando utilizar a internet e as ferramentas de redes sociais virtuais como forma de contatar o cidadão, apresentar-se e principalmente, ouvir.

Ao cidadão cabe conectar-se desde já para depois não ficar a reboque, queixando-se da falta de informação.

O argumento falso de que a internet é elitista, já não cabe no Brasil. As últimas pesquisas demonstraram que praticamente metade dos acessos à rede é feito a partir de lan-houses, bibliotecas ou pontos de acesso público.

O poder do coletivo

A rede mundial de computadores possibilitou o desenvolvimento de outro conceito antigo, aquele que diz que “duas cabeças pensam melhor do que uma”.

No mundo virtual não falamos de duas, mas de milhares de cabeças simultaneamente pensando e discutindo o mesmo tema, sob os mais variados ângulos e a isso se dá o nome de “crowdsourcing” ou, numa tradução livre, “pesquisa da multidão”.

Nessa proposta, admite-se que o universo dos usuários desenvolve respostas mais adequadas do que especialistas isolados. Mais que isso, pressupõe que esse conjunto seja capaz de se autocorrigir e aperfeiçoar.

As ferramentas que se utilizam desse conceito no campo da política e da administração pública são variadas e não se restringem ao Brasil.

A idéia básica é a de oferecer ao cidadão o poder de se comunicar em um grupo mais amplo do que seria possível sem a internet e encaminhar suas demandas ao representante político para que ele busque os meios de atendê-las.

Eu sei que parece um sonho distante, mas se pensarmos que a vídeo chamada era coisa de ficção científica e desenho animado há cinco anos, que utilizamos celulares há pouco mais de dez e que há vinte não existia a internet no Brasil, veremos que as mudanças são muito mais rápidas do que poderíamos imaginar.

Agora deixe de dizer que política é coisa suja ou que o político “x” rouba, mas faz. Assuma seu compromisso de Cidadão 2.0 e comece a se interessar mais do que pelas fofocas do último reality-show.

(+1 `classificação, 1 votos)
Loading ... Loading ...

2010 vem antes de 2012

MED_09.11.20-21.14.58-21.11.09-0

(+2 `classificação, 2 votos)
Loading ... Loading ...

Não reclame: Pense antes de colocar o político lá em cima

Hoje é sexta-feira, dia de relaxar e refletir… mas como este não é um espaço para balbúrdia, inspirei-me nas palavras sábias de Roberto Wolf, um leitor freqüente deste blog:

“não temos mais o que perder: já perdemos tudo, até a capacidade de dar o troco a um governo que não respeita ninguém”.

ATT21695791

Quero discordar do Roberto Wolf. Vamos pensar ANTES de votar?

(+1 `classificação, 1 votos)
Loading ... Loading ...

Eleição é sinal de perigo para a política econômica

* Publicado originalmente no PolíticaGeral.com

Não adianta negar: O governo pode usar (e usa) a máquina para se perpetuar no poder e já nos acostumamos a isso, como se fosse a característica mais natural do mundo, algo similar à necessidade de se alimentar ou tomar água. A possibilidade da reeleição evidentemente aprofunda essa característica.

O problema é que reside exatamente aí uma dificuldades de amadurecimento da democracia latina. Diferente dos saxões, que encaram com naturalidade a alternância do poder, nós somos passionais e entendemos essa alternância como uma derrota pessoal, mesmo quando já não exista a possibilidade da reeleição (â??O prefeito foi tão ruim que nem o sucessor conseguiu elegerâ?).

Ã? uma ótica invertida. O correto do ponto de vista da democracia seria avaliar que a proposta do outro candidato era melhor. Mas isso é coisa para povo que tenha o que comer e capacidade crítica suficiente para não votar simplesmente para garantir um suposto â??benefício socialâ?.

No Brasil, em plena crise internacional, o Ministro Marionete Mantega deve estar em apuros. Ele afirmou ontem (6/ago) em Washington, após um seminário para empresários, que o Brasil já está crescendo â??a 4% desde julhoâ?.

Eu não sei de que Brasil ele está falando, mas não é do mesmo em que eu vivo e, certamente, não é o que está pretendendo seu próprio partido, aliás, completamente partido (desculpe o trocadilho, não consegui controlar) e os demais da â??base aliadaâ?.

Com aliados como esses, quem precisa de inimigos?

Fogo amigo

O PT conseguiu aprovar um projeto que beneficia empresas exportadoras com créditos de IPI. Até aí, tudo bem, porque realmente precisamos exportar mais, no entanto, não existiria nenhuma justificativa lógica para estender esse crédito retroativamente a 2002. O custo disso será de R$220 bilhões e só pode ter uma explicação: as empreiteiras serão beneficiadas.

Empreiteiras? Sim, afinal as grandes vivem fazendo obras no exterior. Empreiteiras? Aquelas que costumam colaborar com vultosos valores para campanhas políticas? Ã?, essas mesmas. Hmmmm…

Mas não é só isso. Estão tramitando outras pérolas da benesse pública, justamente num período pré-eleitoral, segundo a Revista Exame:

- Fim do fator previdenciário, do senador Paulo Paim (PT). Por este projeto, as pessoas passam a se aposentar sem descontos por tempo de serviço e idade. Impacto: 5 bilhões de reais ao ano

- Reajuste das aposentadorias de acordo com o salário-mínimo, também do nobre senador Paulo Paim. Impacto: 5,8 bilhões de reais ao ano

- Equiparação dos salários de delegados federais aos vencimentos dos procuradores da República, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB). Impacto: 3,2 bilhões de reais ao ano, se forem incluídos os delegados estaduais das polícias civil e militar

- Adicional por tempo de serviço para as carreiras do Magistério e do Ministério Público, autoria do deputado Régis de Oliveira (PSC). Impacto: 15 bilhões de reais ao ano, se forem incluídos os estados.

Claro que aqui não se computam os namorados das netas, os netos, as â??amigasâ?, mães jornalistas de filhos ilegítimos dos senadores, portanto, a soma será maior.

Diz a oposição que a brincadeira chegaria, se aprovada, a R$3,3 bilhões por ano.

Aliás, a sorte do governo será se a oposição conseguir se organizar e impedir isso. Do contrário, vamos ter um ano de eleições extremamente animado e um pós-eleitoral completamente desastroso.

(+2 `classificação, 2 votos)
Loading ... Loading ...

Voltando ao mundo real!

Acabou o período eleitoral, pelo menos na maior parte deste nosso “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. Agora é interessante voltar os olhos para o mundo real.

Como no resto do mundo as coisas continuaram a acontecer, lamento informar que ainda não temos impactos consistentes em razão da aprovação do pacote americano de socorro.

Por estas bandas, resolvi lançar uma campanha com propostas bastante ortodoxas e factíveis. Por favor, alguém leve-as ao Ministro Mantega.

Carta do mundo real ao Ministro Mantega

Prezado senhor ministro Mantega:

Considerando que suas declarações em relação à crise internacional mostraram-se completamente sem fundamento e desprovidas de lógica, venho através deste espaço democrático sugerir-lhe medidas que terão impacto positivo em toda a economia. 

1. Crédito: Acabe com essa história de crédito facilitado para consumo. Precisamos, sim, de crédito, mas é para a PRODUÃ?Ã?O, senhor ministro. Mude o conceito do BNDES. Dinheiro público não deve ser para quem tem liquidez, mas para quem tem projeto alinhado com os objetivos estratégicos da nação. Tomar dinheiro do BNDES, com TJLP, e investir com juros de mercado, é “sacanagem”.

2. Carga Tributária: A forma mais imediata de aumentar a liquidez do mercado, senhor ministro, é reduzir a carga tributária. Esse é um recurso que retorna IMEDIATAMENTE, como investimento, como consumo, como desenvolvimento e até, como salário. O senhor já ouviu falar na curva de Laffer? Depois eu explico.

3. Inchaço do Estado: Cancele, senhor ministro, TODOS os concursos públicos. Estamos em crise e, em crise, ninguém fica contratando sem saber como vai fazer para pagar. Eu sei que o dinheiro não é seu. Mas dinheiro público não é capim. 

4. Obras Públicas: Seja mais coerente e dê continuidade às obras públicas de infra-estrutura. Ã? delas que vamos precisar para continuar o processo de desenvolvimento. Crise é momento de repensar, refletir. Seu candidato no Rio de Janeiro já “dançou”. Agora abandone as obras do PAC na cidade.

5. Fundos de Previdência: Vamos deixar de hipocrisia. Fundo de Previdência na mão do Estado não funciona. Promova a privatização desses recursos que podem movimentar toda a economia, como acontece em muitos países do mundo, inclusive em nosso vizinho Chile. Imagine, senhor ministro, toda essa riqueza sendo aplicada com critérios técnicos no setor produtivo. Crie, senhor ministro, uma agência de regulação. Fica mais barato e o senhor ainda pode tentar conseguir indicar o presidente do órgão.

Claro que o senhor não poderia se orgulhar de ser o plenipotenciário administrador desse volume de recursos mas eu garanto que, pelo menos aqui, neste espaço, eu reconheceria sua visão técnica.

(Ainda não classificado. Seja o primeiro a votar.)
Loading ... Loading ...