Archive for the 'SUSTENTABILIDADE' Category

Copenhague segundo Marina Silva

O meio ambiente será, com absoluta certeza, um dos temas recorrentes nas eleições de 2010.

Esta entrevista extremamente esclarecedora com a candidata do PV, Marina Silva, é muito interessante e demonstra uma clareza de análise poucas vezes vista no meio.

Marina faz uma análise do posicionamento político, não só do Brasil, mas do mundo, fazendo menção a ações no território nacional, inclusive a respeito do Acre.

Não interessa se você é contra ou a favor do tema. Assista e passe a se posicionar a respeito para ter referência quando os temas forem tratados durante a campanha.

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Bactérias despontam na produção de biocombustíveis

Redação do Site Inovação Tecnológica – 25/01/2010

Duas pesquisas independentes, que acabam de ser divulgadas nos Estados Unidos, mostram que as bactérias geneticamente modificadas logo poderão ser mais importantes do que as plantas usadas para a produção de biocombustíveis.

Biocombustível perfeito

Pesquisadores da Universidade da Califórnia modificaram geneticamente uma cianobactéria para fazê-la consumir dióxido de carbono e produzir o combustível líquido isobutanol, que tem grande potencial como alternativa à gasolina.

Para completar esse quadro, que até parece bom demais para ser verdade, a reação química para produção do combustível é alimentada diretamente por energia solar, através da fotossíntese.

O processo tem duas vantagens para a meta global de longo prazo de se alcançar uma economia sustentável, que utilize energia mais limpa e menos danosa ao meio ambiente.

Em primeiro lugar, ele recicla o dióxido de carbono, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa resultantes da queima dos combustíveis fósseis.

Em segundo lugar, ele usa energia solar para converter o dióxido de carbono em um combustível líquido que pode ser usado na infraestrutura de energia já existente, inclusive na maioria dos automóveis.

Desconstrução da biomassa

As atuais alternativas à gasolina, o que inclui os biocombustíveis derivados de plantas ou de algas, exigem várias etapas intermediárias antes de gerar os combustíveis utilizáveis.

“Esta nova abordagem evita a necessidade de desconstrução da biomassa, quer no caso da biomassa celulósica, quer na biomassa de algas, algo que representa uma grande barreira econômica para a produção de biocombustíveis hoje”, disse o líder da equipe James C. Liao. “Portanto, [nossa biotecnologia] é potencialmente muito mais eficiente e menos dispendiosa do que as abordagens atuais.”

Transformando CO2 em combustível

Usando a cianobactéria Synechoccus elongatus, os pesquisadores primeiro aumentaram geneticamente a quantidade da enzima RuBisCo, uma fixadora de dióxido de carbono. A seguir, eles juntaram genes de outros microrganismos para gerar uma cepa de bactérias que usa dióxido de carbono e luz solar para produzir o gás isobutiraldeído.

O baixo ponto de ebulição e a alta pressão de vapor do gás permitem que ele seja facilmente recolhido do sistema.

As bactérias geneticamente modificadas podem produzir isobutanol diretamente, mas os pesquisadores afirmam que atualmente é mais fácil usar um processo de catálise já existente e relativamente barato para converter o gás isobutiraldeído para isobutanol, assim como para vários outros produtos úteis à base de petróleo.

Segundo os pesquisadores, uma futura usina produtora de biocombustível baseada em suas bactérias geneticamente modificadas poderia ser instalada próxima a usinas que emitem dióxido de carbono – as termelétricas, por exemplo. Isto permitiria que o gás de efeito estufa fosse capturado e reciclado diretamente em combustível líquido. Para que isso se torne uma realidade prática, os pesquisadores precisam aumentar a produtividade das bactérias e diminuir o custo do biorreator.

Bactérias autodestrutivas A equipe da Universidade do Estado do Arizona também usou a genética e as cianobactérias fotossintéticas, mas em uma abordagem diferente.

O grupo do professor Roy Curtiss usou os genes de um bacteriófago – um microrganismo que ataca bactérias – para programar as cianobactérias para se autodestruírem, permitindo a recuperação das gorduras ricas em energia – e dos seus subprodutos, os biocombustíveis.

Segundo Curtiss, as cianobactérias são fáceis de manipular geneticamente e têm um rendimento potencialmente maior do que qualquer planta atualmente utilizada como fonte para os biocombustíveis capazes de substituir a gasolina ou o diesel.

Mas, para realizar esse potencial, é necessário colher as gorduras dos micróbios, o que atualmente exige uma série de reações químicas muito caras.

Otimização

Para fazer as cianobactérias liberarem mais facilmente sua preciosa carga de gorduras, Curtiss e seu colega Xinyao Liu, inseriram nelas os genes dos bacteriófagos, que são controlados pela simples adição de quantidades-traço de níquel no seu meio de cultura.

Os genes dos invasores dissolvem as membranas protetoras das cianobactérias, fazendo-as explodir como um balão, liberando as gorduras.

A solução também não é definitiva, mas os pesquisadores já contam com um financiamento de US$5,2 milhões nos próximos dois anos para otimizar a reação e aumentar seu rendimento.

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Ano Novo: novas atividades de novo – NK no MC

Eu já havia comunicado que estou colaborando com uma coluna semanal na Agência BRPress.

Tenho a satisfação de comunicar que esta semana eu comecei também a fazer parte de um dos mais descolados blogs coletivos que conheço: o MondoCubano ou simplesmente MC.

Não, não é um blog que promove o modelo econômico da Ilha de Fidel. É uma construção inusitada de cultura (ou in-cultura), lazer, tecnologia e informação leve mas essencial.

Meus textos lá serão mais curtos e mais leves, mas voltados principalmente para a economia, meio ambiente e consumo consciente (Vida+On).

Dê uma olhada e torne-se freguês lá também.

(Ainda não classificado. Seja o primeiro a votar.)
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[Economia de Convergência] Para que não seja só um novo ano!

Publicado originalmente no BRPress

É inevitável. O último artigo do ano, no último dia do ano, não poderia deixar de avaliar o que aconteceu em 2009, além de tentar lançar algumas questões sobre o porvir.

O primeiro balanço do desempenho do Natal de 2009 não foi exatamente o que se poderia esperar para um ano em que uma crise de proporções catastróficas se abateu sobre todas as economias do mundo.

Segundo divulgado pela empresa de pesquisa e-bit o movimento do comércio eletrônico no Brasil entre 15 de Novembro de 24 de Dezembro apresentou um crescimento de 28% sobre o mesmo período de 2008, totalizando R$1,6 bilhão.

É um indicativo interessante e que demonstra que está crescendo a confiança do brasileiro em relação às compras virtuais, isso para não mencionar o fato de que a economia aparentemente está se recuperando do tremendo baque sofrido.

O impacto da crise, no entanto, não foi pequeno. Prova disso foi a deflação de 1,72% apontada pelo IGP-M e antes que você pergunte, deflação não é exatamente um indicativo de economia saudável. Aliás, muito pelo contrário porque é um indício forte de que os produtores estão se remunerando menos e, se o fizeram, é porque não houve mercado para repassar os custos crescentes. Menos lucro, menos capacidade de investimento, menos tecnologia…

Além disso, o volume de reclamações em relação à falta de cumprimento dos prazos de entrega também aumentou. Aliás, segundo o site ReclameAqui, o volume deste ano é maior que o dobro do ano passado nesta época.

Afinal, o que está acontecendo?

É evidente que o crescimento do volume de compras, aumenta a probabilidade de existência de problemas de entrega mas não nessa proporção e ainda é cedo para identificar as causas e a completa extensão do problema, afinal, a se repetir o padrão do ano passado, o maior volume de reclamações vai aparecer realmente em janeiro.

Mas independente do resultado final, o que já se evidencia é que os erros estão sendo repetidos. E não é só na área de e-commerce.

Na administração pública os escândalos se sucederam e a força da mordaça se fez sentir calando o Jornal O Estado de S. Paulo que completa hoje a triste marca de 153 dias sob censura. Isso porque supostamente no Brasil a censura é proibida.

Preocupa a constatação de que a maior parte das pessoas simplesmente ignora questões absolutamente essenciais dos direitos da cidadania, entre elas o direito à informação e à educação.

Estamos naquela época em que os “propósitos de ano novo” preenchem boa parte de nossos dias.

Ótimo, nada contra. Só quero trazer algumas considerações a respeito de nossa função na formação da sociedade.

O Cidadão comprometido sabe que tem direitos e exige que sejam respeitados. Não só quando a bicicleta nova chega tarde ou a esteira vem com defeito, mas também quando não lhe é permitido informar-se, quando o imposto que paga é utilizado para engordar cofres particulares dos gestores ou para “comprar panetones”.

O Cidadão consciente percebe que ao virar as costas aos problemas crônicos do país, está colaborando para que o futuro seja igual ou pior do que foi o passado, compreende que não está sozinho no mundo e que seus filhos não conseguirão viver dias melhores se os dias atuais estiverem calcados em falcatruas ou negociatas inconfessáveis.

O Cidadão 2.0 compreende que ao manifestar-se, está colaborando para que novas idéias surjam, trazendo o debate para questões que eventualmente estiveram esquecidas, que nenhuma pessoa pode abster-se de colaborar para criar melhores condições de vida. Compreende que todos estamos relacionados e que ninguém pode considerar a possibilidade de construir sua felicidade valendo-se da infelicidade alheia.

Em 2010 os brasileiros participarão de mais uma eleição de extrema importância mas não será o único evento em que a cidadania será manifesta. A cada momento, a cada ato ou decisão, lá está a participação de cada um de nós.

Não podemos esperar que nosso país seja melhor, que nosso fornecedor seja mais consciente, que os preços sejam mais justos e que nossa remuneração seja mais adequada se não formos, nós também, melhores, mais conscientes e justos.

Um ano novo realmente novo para todos nós!

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Finalmente! Não senti vergonha do meu presidente

Incrível! A mesma pessoa que, no Maranhão, queria tirar o “povo da merda”, conseguiu em Copenhagen se manifestar de forma clara, dura e propositiva.

O discurso de Lula ao criticar a posição dos países desenvolvidos foi perfeito, fora os problemas já tradicionais de concordância e pronúncia, claro.

A posição defendida foi a única realmente possível para nosso país, que detém o maior patrimônio natural do planeta. Estabelecer metas objetivas, investir, mesmo que com sacrifício, assumir responsabilidades com o bem comum.

O brilhantismo esteve na linha lógica e simples do discurso. O investimento a ser feito não é uma esmola, é o pagamento pelo que já tomamos de nossa Terra.

� natural que aqueles que tiraram mais, paguem mais e não é porque pagam mais, que têm direito de se meter na vida dos mais pobres. Não estamos com isso dizendo que não temos responsabilidade ou que nos eximimos do pagamento.

Mas o maior compromisso é o do desenvolvimento mais equilibrado para todas as pessoas, não importando em que país ou continente vivam.

Senti-me muito bem representado em Copenhagen. E olha que era o Lula falando… ou não?

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[Economia de Convergência] Nobel de Economia, recursos naturais e internet

Ontem, dia 12, foram divulgados os nomes dos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia: Elinor Ostrom e Oliver Williamson. A imprensa deu destaque ao fato de que Elinor é a primeira mulher a ganhar o Nobel de Economia mas o que me chamou a atenção foi a linha de pesquisa que ela conduz.

O trabalho de Elinor Ostrom tem como foco a “governança cooperativa”.  Seu principal objetivo é perceber como os cidadãos podem organizar-se para se auto-gerirem e atingirem resultados melhores para o grupo.

Ela é professora de ciência política, dá aulas uma universidade do Indiana e acumula o cargo de diretora do Centro de Estudos de Diversidade Institucional na Universidade do Arizona.

Sua pesquisa tem sido direcionada para a prevenção do colapso do ecossistema levada a cabo pelas instituições e também a tentativa de alcançar a autogestão dos cidadãos, estudando formas de organização. Ela destaca a necessidade de que os cidadãos se envolvam mais nos esforços para preservar os recursos naturais, para buscar a sustentabilidade.

“Estive estudando como as pessoas comuns e os funcionários públicos tentaram solucionar problemas muito difíceis” como o desmatamento e a perda de recursos pesqueiros, disse Ostrom. ”Quando os indivíduos têm esta forma de trabalhar juntos, pode construir confiança e respeito e podem ser capazes de solucionar problemas”, acrescentou.

“Que um funcionário tenha um PHD não significa necessariamente que ele saiba mais que as pessoas que vivem de um recurso. (…) Há muito conhecimento local que temos que respeitar”.

Enquanto a mídia destaca simplesmente o sexo da pesquisadora, eu me fascino pelas perspectivas que estamos pavimentando no sentido da gestão pelo grupo.

A internet e sua estrutura essencialmente anárquica (anárquico porque não é organizado de forma centralizada) é o campo perfeito para proliferação dessas experiências porque transpõe limites geográficos, promove a divulgação de resultados e desintegra a concepção de autoridade à qual nos acostumamos.

Para o internauta a “autoridade” é conferida pelo grupo, pela capacidade de aglutinação em torno de uma idéia ou propósito, nunca por imposição, por poder econômico.

A economia ecológica está em festa, naturalmente. Os economistas, também. Só não temos toda a internet em festa porque infelizmente a mídia convencional não conseguiu ainda entender o alcance da escolha. Continuamos, como no conhecido conto, olhando o dedo que aponta e não o que ele está apontando.

Obrigado @aracycampos Elinor Ostrom, prêmio Nobel de Economia – Livro traduzido no BR – Ecossistemas Florestais: interação homem-ambiente. Editora: Senac SP (veja na Estante Virtual)

PS: A professora Ostrom é minha colega da ISEE, só que é uma das fundadoras e editoras do jornal.

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Consciência ambiental a tiracolo

Por Luciele Velluto (Agência Estado)

Se o assunto da vez é sustentabilidade, não tem nada mais na moda do que as “ecobags”, bolsas ecologicamente corretas por substituírem as sacolas plásticas de compra e diminuírem o descarte de resíduos no meio ambiente. A cada uso de uma sacola retornável, deixam de ser utilizadas cinco sacolinhas de plástico.

Supermercados, lojas de produtos para casa e até lojas de bolsas oferecem produtos dos mais diferentes materiais, como algodão cru e tecido feito de garrafa PET reciclada. E os preços e modelos estão disponíveis para todos os bolsos e gostos.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente – que promove a campanha de conscientização pelo uso de sacolas retornáveis “Saco Ã? um Saco” – são consumidas em médias 12 bilhões de sacolas plásticas no Brasil por ano. Em média, são 66 sacolas por brasileiro nesse período. “Parece pouco, mas pessoas sempre usam sacola plástica no supermercado, padaria, farmácia, entre outros. Imagine quem faz grandes compras. A gente sempre tem mais saco do que precisa em casa e não percebe”, afirma a técnica em Consumo Sustentável do órgão, Fernanda Daltro.

O estudo do ministério sobre o aproveitamento das sacolas de plástico mostra que 80% dos sacos são reutilizados para descarte de lixo e acabam em lixões e aterros e não são reciclados. A previsão é que uma sacola demore 400 anos para se decompor. “Os sacos são feitos de plástico, que vem de um recurso natural. Ã? consumido petróleo e se gasta muita energia para se fabricar uma sacola”, explica a técnica do ministério.

Fernanda também conta que a opção por sacolas biodegradáveis não decolou porque a produção que utiliza amido de milho como base para a fabricação do bioplástico não é feita em larga escala, o que torna o processo industrial caro. “Fora que teria de ser implantado um processo de coleta seletiva e separação de resíduos nos aterros e lixões para que o descarte desse material fosse correto”, diz.

O campanha do Ministério do Meio Ambiente busca incentivar que os consumidores passem a fazer um uso consciente das sacolas plásticas e busquem utilizar as ecobags para diminuir os impactos que até um trilhão de sacolinhas no mundo podem causar anualmente no meio ambiente. “Sabemos que em uma sacola não cabe toda uma compra, mas já há preços de sacolas acessíveis ao consumidor em algumas redes varejista. A questão é a mudança de hábito”, comenta a técnica.

*Meus comentários:

Ecobag é um nome fresco para a conhecida sacola que nossas mães e avós sempre usaram.

Se todos tivesse a oportunidade de ver o que acontece com as sacolas perdidas em um pasto, por exemplo, que acabam sendo ingeridas pelos pobres animais, que não conseguem expeli-las, saberia o quanto deve tomar cuidado com essa “simples arma”.

Não se trata de ser ecochato, mas é uma grande mão para a natureza economizarmos as sacolinhas.

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A desertificação como problema macroeconômico

Por Sebastián Lacunza, da IPS

Buenos Aires, 24/09/2009 â?? A concepção da desertificação como um problema macroeconômico que envolve aspectos financeiro, produtivo, ambiental e da sociedade civil, é um objetivo primordial de Christian Mersmann, do Mecanismo Mundial da Conservação das Nações Unidas de Luta contra a Desertificação. Trata-se de um órgão subsidiário da Convenção, cujo mandato é elevar a efetividade e a eficiência dos instrumentos financeiros existentes e promover ações no sentido de mobilizar recursos para os países em desenvolvimento afetados pela desertificação.

Mersmann, diretor-executivo do Mecanismo, participa da Nona Sessão da Conferência das Partes (COP 9) da Convenção, que acontece em Buenos Aires desde segunda-feira até 2 de outubro e que reúne 2.500 especialistas e interessados em combater a degradação dos solos, uma tendência que nos próximos 40 anos poderia forçar o deslocamento de centenas de milhões de pessoas no mundo, segundo diversos estudos. Em Buenos Aires são avaliados os primeiros passos da estratégia global para a década 2008-2018, adotada em Madri há dois anos durante a COP 8.

â??Ã? necessário internacionalizar a idéia de que quando se degrada o meio ambiente isso afeta o preço dos tomates na quitanda ou no supermercadoâ?, disse o funcionário das Nações Unidas entrevistado pela IPS em um hotel da região central de Puerto Madro, na capital argentina. Mersmann ressaltou que â??os governos da América Latina, não todos, mas muitos, vêem de maneira crescente o papel macro que tem a degradação da terra. Cada vez mais se conscientizam de que custa enormes investimentos recuperar solos produtivos degradadosâ?.

â??Todos sabemos que os ministros das Finanças têm outras prioridades, mas, considerando a perda de produção agrícola e empregos, nossa tarefa não é convencer esse ministro a outorgar fundos, mas estabelecer uma agenda multilateral para analisar quais programas públicos, investimentos privados e financiamento local e internacional são necessáriosâ?, disse Mersmann. Nos primeiros três dias da COP 9, muitos conferencistas insistiram que a degradação da terra não é um conceito que se restringe aos solos, mas que se estende à disponibilidade de água, à vegetação e ao desenvolvimento humano.

O antropólogo Mersmann, com ampla experiência em programas de recuperação de terras degradadas na África, destacou o risco que implica a concepção estendida na América Latina de que â??os solos são inesgotáveisâ?, pelas grandes extensões produtivas ou semiprodutivas que se encontram sem exploração. â??Ã? um recurso escassoâ?, insistiu. Consultado sobre o efeito das monoculturas ou plantações dominantes, como a soja, que pelo desenvolvimento genético e cotações internacionais ocupam o lugar da pecuária e de outras plantações tradicionais, o funcionário disse que se trata de uma tendência â??extremamente perigosaâ? pela â??completa quebraâ? que pode causar à economia de um país as variações bruscas nos mercados internacionais.

Mersmann alertou que a produção em massa de soja tem efeitos negativos, ao encarecer outros produtos, como vem ocorrendo na Argentina, o que desatou a partir de 2008 enorme conflito político-econômico entre sindicatos de agricultores e o governo de Cristina Fernández. O especialista disse que â??a revolução verde através dos trangênicos é absolutamente desnecessáriaâ?.

Por um lado, Mersmann avaliou que â??as técnicas atuais permitem evitar o uso de sementes geneticamente modificadasâ?, enquanto no plano da sustentabilidade econômica â??o mercado crucial da Europa e, seguramente, dos Estados Unidos, não serão aptos no futuro para produtos alteradosâ?. Por fim, Mersmann analisou que o mundo â??já está em meio a um enorme conflito pela água, que se apresenta em conflitos locais. Em 10 anos não vai haver uma guerra tradicional em termos de armas entre um lado e outro, mas haverá conflitos locais com muito impacto na vida das pessoasâ?.

Na jornada inicial da COP 9, o secretário do Meio Ambiente da Argentina, Homero Bibiloni, reconheceu em entrevista coletiva que em seu país â??se tem uma visão de Pampa úmido (uma região agrícola altamente produtiva no centro do país que inclui as províncias mais ricas) apesar de ser uma superfície menor em relação ao territórioâ? nacional. Na Conferência Científica paralela à COP 9, o diretor-geral do Centro Internacional para a Pesquisa Agrícola em Áreas Secas, o libanês Mahmoud Solh, alertou que â??nossa segurança alimentar está em perigoâ?. Quarenta por cento da terra estão afetados por algum grau de desertificação, e isso altera a vida de 1,7 bilhão de pessoas, afirmou.

A geógrafa e pesquisadora argentina Elena Abraham, que integra o oficial Projeto Degradação de Terras em Zonas Áridas, afirmou que em três quartos do território argentino, considerados áreas secas, gera-se a metade da produção pecuária. O corte de 850 mil hectares de floresta nativa permite prever que até 2036 não haverá mais selva para destruir neste país, acrescentou a cientista e diretora do Instituto Argentino de Pesquisas das Zonas Áridas. Como dado positivo, o secretário-executivo da Convenção, Luc Gnacadja, de Benin, informou que â??entre 1991 e 205, 16% da área global de terras áridas melhoraram graças aos esforços de governos regionais e nacionaisâ?. IPS/Envolverde

(Envolverde/IPS)

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[Economia de Convergência] Sim, podemos! E Faremos!

Nestes tempos bicudos em que o cidadão se vê aturdido com as falcatruas sem fim promovidas nas cúpulas governamentais e privadas, o grande risco é o de acreditarmos que nada pode ser feito, que estamos abandonados à própria sorte. Nada pode ser mais falso!

As possibilidades de organização social são crescentes à medida que os limites físicos, distâncias, problemas de deslocamento e custos inerentes a eles, deixa de existir.

Uma idéia que congregue e um bom planejamento podem operar maravilhas em qualquer lugar.

Veja o que aconteceu na Estônia em 2008… A isso chamamos Cidadão 2.0!

E agora? Se eles conseguiram limpar o país todo em 5 horas com um punhado de gente, se nos unirmos todos, será que não conseguimos fazer o mesmo por estas bandas? E se considerarmos os efeitos dessas ações no meio ambiente? E na economia, com a possibilidade de reciclagem desse material?

Sim, #VAMOSFAZER

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“Somos uma â??sociedade de pessoasâ??, e o lucro é somente um meio”

Por Ismael Rimoldi, para a Avina

â??Em algum momento, como Humanidade, erramosâ?, afirma Daniel Caselles, enquanto bebe uma xícara de café na mesa de reuniões de Sílice, a empresa informática que preside. Formado em sistemas, mestre em direção de empresas e professor de pós-graduação da escola de negócios Alta Dirección, Caselles fala sobre o que, segundo seu ponto de vista, é um grande problema: â??Um dia alguém disse que as organizações estavam divididas entre as que tinham fins lucrativos e as que não tinham, e a partir de aí todos geramos um monte de coisas. Se eu crio um robô e não o programo para que me ajude, mas para ele ser meu amo, qualquer pessoa diria que estou louco. Acho que às vezes isso acontece com as coisas que criamos como sociedade, e deixamos de diferenciar entre o nosso verdadeiro fim e os meios para atingi-lo, mas o fim precisa ser outro, muito mais importanteâ?.

O seu ponto de vista não deixa de provocar controvérsia entre os seus colegas empresários. Porém, Daniel contribuiu para gerar processos como o do Mendoza Software Factory dentro da Fundación ProMendoza, primeiro e principal consórcio local para a exportação de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), que conseguiu integrar no mercado a empresas que competiam entre si. Também consolidou a formação do Pólo TIC Mendoza, no qual estão representados o Estado, as universidades e as câmaras empresariais. Para impulsionar a atividade gremial, co-fundou junto com seus sócios de Sílice, a Cámara de Empresas de Base Tecnológica de Mendoza, CATEM, da qual é vice-presidente. â??Os nossos aportes principais foram a experiência em associatividade e nos códigos de comunicação para construí-la, tais como o respeito e a humildade, valores sem os quais estes projetos não funcionariamâ?, comenta o jovem empresário e pai de duas meninas, que, quando soube da existência de Valos, a organização referente da Responsabilidade Social Empresária em Mendoza, não demorou em integrar a sua comissão diretiva.

O fato de Daniel ver as coisas desta maneira, não quer dizer que não queira ganhar dinheiro. Só que alguns episódios da sua vida lhe demonstraram a necessidade de transformar a perspectiva atual do mundo dos negócios. â??Com a crise de 2001 â?? disse â?? a empresa na qual trabalhava faliu, e para os 14 profissionais que ficamos sem emprego tal vez o mais fácil poderia ter sido ir embora do país. Mas não queríamos fazê-loâ?. Nesse momento, o grupo começou a estabelecer â??acordos de convivênciaâ? que foram dando forma a atual Sílice. Constituída por uma dezena de sócios em partes igualitárias, a sociedade estabeleceu que o sócio número onze seja o conjunto dos seus empregados. â??Sílice é uma sociedade anônima falsa, porque por definição deveria ser uma â??sociedade de capital, com fins de lucrativosâ??, mas a gente é uma â??sociedade de pessoasâ??, e o lucro é somente um meio. Quem foi que falou que o objetivo é ter mais? O objetivo é estar orgulhoso do que a gente faz, e que os nossos filhos estejam orgulhosos da genteâ?.

A nova empresa formada dedicou parte da sua estrutura a colaborar com organizações sociais locais, como FAVIM, Oikos, e El Arca, entre outras entidades lideradas por parceiros de AVINA. â??A partir do fato de considerar que não existem empresas bem-sucedidas em comunidades deterioradas, vimos que era preciso contribuir para o progresso da comunidadeâ?. Sem conhecer o conceito da Responsabilidade Social Empresaria, os sócios de Sílice se perguntavam qual era a melhor maneira de aportar para a causa: â??Não era rentável para ninguém que a gente dedicasse tempo a cozinhar nos comedores populares, porque não estávamos preparados para isso. Não se tratava de todos fazer a mesma coisa, mas que cada um aportasse o que melhor sabia fazer. Desta forma oferecemos para as organizações sociais aquilo que vendemos a terceiros, tranqüilidade tecnológica, suporte informáticoâ?.

Mais tarde, Daniel mostrou interesse pela experiência de â??Cambiemos la políticaâ? (Mudemos a políticaâ?, a iniciativa nascida em um encontro organizado por AVINA, e que tentou, com resultado adverso, modificar a Lei Eleitoral de Mendoza. â??Deveria reorientar-se â?? disse â?? porque o objetivo é contagiar a participação da cidadania toda nos temas políticas, antes de ir para a luta contra a velha classe dirigenteâ?. Mas, logo após da sua aproximação com os empresários reunidos em Valos, e depois de vários anos de trabalho na sua comissão diretiva, o novo desafio pessoal e corporativo de Caselles está voltado para a promoção do desenvolvimento sustentável e da RSE na região.

Em constante formação acadêmica, o seu desejo é de consolidar um Centro de Investigações em Ciências Empresariais, junto com uma equipe de doutores e estudantes de doutorado. â??Acredito â?? explica â?? que falta gerar conhecimentos de gestão desde uma perspectiva Latino-americana. A maioria dos conhecimentos são originados nos Estados Unidos e na Europa, e a gente aqui estuda como adaptar esse pacote. A gente deveria criar uma perspectiva própria que realmente preste. E quando falo â??a genteâ? quero dizer a maioria da Humanidade, as pessoas dos países mais pobres ou em desenvolvimentoâ?.

Finalmente, falando sobre sua vocação, Daniel disse: â??O tema é que sempre, mesmo ocupando diferentes papéis, tenho a mesma versão sobre as coisas. Como professor, como empresário, como pai e também como pesquisador científico. Sinto que deveríamos ser muito mais do que o papel que nos corresponde cumprir. Eu gostaria de pensar em que as pessoas pudessem ser identificar pelas razões pelas quais fazem o que fazem, mais do que pelo papel que tenhamâ?.

* Publicado originalmente no site da Avina – http://www.avina.net

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