Archive for the 'improbidade' Category

Grandes maldades, pequenos Katrinas e pequenos Bush’s

Você pode nem se lembrar quando foi mas o não deve ter se esquecido do nome do furacão que arrasou New Orleans em setembro de 2005.

O presidente dos EUA à época era Mr. George W. Bush, que estava de férias e não se moveu para socorrer a população que foi amontoada em um estádio.

A imprensa norte-americana foi dura com o governo, com a demora no socorro às vítimas e demonstrou que incontáveis estudos já alertavam para a fragilidade dos diques de contenção e dos nefastos reflexos da urbanização dos pântanos que circundavam a cidade e serviam como reservatórios de água em enchentes.

Enquanto estava discutindo algumas tendências para o ano de 2010, repentinamente me dei conta que há vários dias não ouvia falar no presidente. Aliás, para falar a verdade, nem no presidente, nem na companheira guerrilheira Estela, nem mesmo no distribuidor de panetones Arruda.

Está bem, aqui não tivemos nenhum Katrina, mas a imprensa nacional está toda voltada para as catástrofes naturais. Angra dos Reis (RJ), S. Luiz do Paraitinga (SP), Agudo (RS) e parece ter esquecido as tragédias artificialmente provocadas pelos dirigentes da nação que estão em férias.

Lula, para quem não sabe, está na casa de praia da base de Aratu (BA), da Marinha, que foi reformada recentemente pela bagatela de R$2 milhões e provavelmente esperando baixar a poeira levantada pela assinatura do Decreto que instituiu a “Comissão da Verdade“.

Também na praia, no norte da Bahia, o Ministro da Integração Nacional e a vedete do MR8.

Claro que também estão se valendo desse “recesso da imprensa”, os caças Rafale, seu patrocinador, o Ministro Jobim, o Panetônico Arruda, para não falar de presidentes de Assembléias Legislativas que oferecem o serviço de jogo do bicho e governadores tarados.

E nós? Nós estamos nos organizando para enviar ajuda para as vítimas desta ou daquela tragédia, dedicamos tempo, como meu amigo @fabioraphael, que construiu um site para organizar os esforços para a reconstrução de S. Luiz…

Nos EUA e em qualquer lugar minimamente civilizado – e aí eu não estou incluindo Suriname – tragédias naturais são acompanhadas de perto pelas autoridades (e principalmente pelos postulantes a autoridade) e desvios de dinheiro público são apurados, chova ou faça sol.

Aqui, como coincidentemente todos os problemas aconteceram na época das férias sacrossantas dessa gente, ninguém aparece.

Pode ser que esteja sendo maldoso mas me parece coincidência demais que todas denúncias deixem de ser comentadas e que sejam substituídas pelo noticiário triste das catástrofes naturais.

Depois o que virá? Ora, as bundas torneadas do BBB10, o carnaval e… puxa, estaremos às vésperas das eleições. Será que até lá conseguiremos nos lembrar de tudo? Nossa memória com a internet será melhor do que no passado ou manteremos nossos neurônios devidamente inertes como sempre?

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[Respeite.me] Está no ar em caráter experimental

Foi lançada a versão beta da Rede Social da Cidadania Respeite.me.

Todo o conceito foi desenvolvido a partir de uma metáfora da estrutura de funcionamento de uma colméia.

Embora o esforço individual de uma abelha seja pequeno, no conjunto da colméia a produção é mais que suficiente para gerar o bem estar a todos os indivíduos que a compõem. Da mesma forma, nossa sociedade pode melhorar muito se cada um de nós assumir seu papel.

O mundo, afinal, pode ser mais justo, econômica e ecologicamente sustentável se todos participarmos de sua construção.

O vídeo de lançamento do serviço é um convite à reflexão e merece ser visto.

Permita-se envolver pela proposta e depois, visite o endereço da internet mais simples que você já viu: RESPEITE.ME

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Impressionante “Acervo Histórico”

Para você relembrar, se viveu, ou para conhecer um pouco da história recente do Brasil.

Importante: Guarde este endereço para lembrar na hora de votar. Sugiro a inserção de todas essas obras no MuCo – Museu da Corrupção.

Progressão do aprendizado delitivo no eterno “País do Futuro”

Governo Ernesto Geisel ( 1974- 1979)

  1. Caso Wladimir Herzog
  2. Caso Manuel File Filho
  3. Caso Lutfala
  4. Caso Atalla
  5. �ngelo Calmon de Sá (ministro acusado de passar um gigantesco cheque Sem fundos)
  6. Lei Falcão (1976)
  7. Pacote de Abril (1977)

Continue reading ‘Impressionante “Acervo Histórico”’

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[Respeite.me] #forasarney e o Cidadão 2.0

jt09_vassouraDepois da Web 2.0 e, em consequência, do Consumidor 2.0, vamos assistindo uma importante e silenciosa revolução.

Os números são assustadores. Chegaram a ser postados mais de 10 mil mensagens em uma hora (166/minuto ou quase 3 por segundo), ultrapassando temas mais “leves” e atuais como “Michael Jackson”.

O fato é que ainda não se sabe se todo esse barulho vai gerar algum resultado prático. Como comenta um “twiteiro” @enevesneto, “Espero que o movimento #forasarney seja uma tomada de conciencia, ano que vem tem eleicao… #oBrasilehnosso”.

As manifestações passam por todos os estágios, desde as mais equilibradas até as mais iradas, passando inclusive por algumas muito bem humoradas.

Charges são publicadas e  organizadas a todo instante (Veja um exemplo AQUI). Blogs pipocam em todos os cantos, a ponto de ter sido registrado um com o domínio “FORA SARNEY“, que às vezes apresenta problema de acesso exatamente pelo afluxo de visitas.

Se terminar em pizza, pelo menos vai ser uma pizza de jiló, bem amarga, para o equilibrista antes onipotente Sarney.

Até a “oposição” parece estar se sentindo respaldada, a ponto de incentivar alguns representantes a se unirem ao coro da população e pedirem o afastamento do Presidente do Senado.

Maurício Vargas, diretor do sítio ReclameAqui e consultor de empresas na área de relacionamento com o consumidor sempre repete a mesma frase: “Estamos vivendo uma revolução”.

Se até agora essa revolução se limitava ao consumidor, agora está se tornando “a Revolução Cidadã”. A voz das ruas é clara e diz: Respeite.me

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#forasarney também é fashion

Agora que o movimento se organiza e ganha as ruas – além das infovias – as colaborações são feitas de várias formas.

Veja, por exemplo, a idéia apresentada por @victorisrael para as manifestações14706313E tem gente que ainda não leva a sério a internet e acredita que pode continuar empurrando a opinião pública com a barriga.

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[Respeite.me] #forasarney está bombando

Antes do jogo do Brasil, vamos falar de alguma coisa que realmente importa?

Estou acompanhando de perto uma mobilização no Twitter chamada “Fora Sarney”. Ã? algo impressionante e que mostra a importância de entendermos o que está acontecendo nestes tempos de internet.

O comentário da Lúcia Hipollito é muito interessante e, como tenho comentado, evidencia a discrepância entre a ótica velha, coronelista, cartorial e a nova forma de comunicação que se está formando.

Acompanhar as postagens no Twitter é absolutamente esclarecedor. Esse meio de comunicação é a maior demonstração da dinâmica da formação do conhecimento. Não importa se as pessoas estão simplesmente “acordando”, lendo uma revista, assistindo um jogo de futebol, na beira da piscina ou no banheiro. Acabam a mensagem com seu apoio ao movimento #forasarney.

Mais impressionante ainda foi saber que a comunicação está rompendo fronteiras. Veja, por exemplo, ESTA LIGA��O, onde todos as mensagens são postadas em inglês para que outros internautas participem da campanha.

Se você tiver alguns minutos para acompanhar as manifestações, vai perceber que a quantidade de mensagens postadas é muito maior do que sua capacidade de leitura.

Agora pense como isso vai impactar as eleições do ano que vem. Vamos ou não vamos ter que reaprender? Nossos representantes precisam aprender a RESPEITAR o eleitor que, como comenta Lúcia Hippolito, agora os está avaliando “em tempo real”.

Comentário maldoso: Se não resolver, pelo menos vai ficar bem mais caro comprar esses eleitores do Brasil todo.

Que tal valorizar seu voto? Respeite-se!

PS: #forasarney

(Ainda não classificado. Seja o primeiro a votar.)
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Lulo-sarneysismo – Diogo Mainardi

Originalmente publicado no Blog do Diogo Mainardi na VEJA

Olhe só que farra:

- Uma afilhada de José Sarney está para ser indicada por Lula à Anatel.

- A Anatel está mudando a lei para beneficiar a Oi, que comprou a empresa do filho de Lula.

- Um dos donos da Oi, Carlos Jereissati, é sócio no shopping-center Praia de Belas, em Porto Alegre, de Jorge Murad, o genro de José Sarney.

Se tudo der certo, a árvore genealógica do lulo-sarneyzismo vai ficar assim: Lula nomeia a afilhada de José Sarney, ela muda a lei para favorecer o sócio do marido da filha de José Sarney, cuja empresa bancou o filho de Lula, que assina a lei.

Eu disse certa vez que o desejo de Lula era se transformar num José Sarney. Na verdade, ele foi muito mais longe do que isso: transformou-se num parente. Um parente político e empresarial. Os herdeiros das antigas dinastias européias se uniam em casamento. Os herdeiros das atuais dinastias políticas brasileiras se unem em empresas cotadas na bolsa de Nova York. De um lado, o rei de Garanhuns. Do outro, o rei do Amapá. No meio dos dois, o ducado tucano do Ceará.

De uns tempos para cá, sempre que eu denuncio alguma estranheza, os leitores reagem repetindo o mesmo mantra:

- Isso não vai dar em nada.

A estranheza denunciada neste podcast se refere à parceria entre o dono da Oi e os familiares de José Sarney, que cria mais um conflito de interesse na Anatel, como se não bastasse a empresa do filho de Lula. Qual será o resultado prático dessa denúncia? Nenhum. A afilhada de José Sarney será aprovada pelo Senado. A Anatel mudará a lei para permitir a venda da Brasil Telecom à Oi. O BNDES financiará o negócio. Carlos Jereissati controlará a companhia tendo menos de 3% de seu capital. Daniel Dantas aumentará seu rebanho de gado no Pará.

Mas é assim que funciona a imprensa. Quem tem o papel de julgar os políticos é a magistratura. Quem tem o papel de mudá-los é o eleitor. A imprensa pode somente noticiar e comentar os fatos. � pouco? Claro que é pouco. � melhor gastar seu tempo comigo ou com Tolstói? Claro que é melhor gastá-lo com Tolstói. A escolha para o jornalista diante de uma notícia é muito simples: consiste em publicá-la ou sonegá-la. Publicá-la nunca dá em nada. Sonegá-la sempre dá em algo ainda pior.

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No ventilador?

Outra vez é possível que Lula esteja certo. Durante seu périplo atual, que por sinal quase foi cancelado por conta da tal da CPI da Petrobrás, o presidente disse em entrevista que

“- Eu até agora não sei o que está por trás disso. Possivelmente alguns que assinaram estavam querendo tirar das suas costas todo esse debate que a imprensa está fazendo sobre o Senado. Outros, possivelmente, estejam preocupados com o processo eleitoral de 2010. Eu, francamente, estou preocupado em governar o Brasil e vou me dedicar a isso”.

Eu não sou necessariamente a favor de CPIs, até porque no balanço geral, pouca coisa deixa de virar pizza, mas também não sou essencialmente contra essa da Petrobrás, afinal, por que não?

Só que a oposição – quando existe – tem exatamente a função de ser o fiscal e não tem nenhum fiscal que não incomode. A democracia funciona melhor assim.

Tá, eu sei que é estranho justamente o Lula, cujo partido foi o campeão absoluto em pedidos de CPI enquanto era pedra, agora ser contrário a uma, só porque é vidraça.

A discussão em si não me parece tão importante quanto o entorno. Sou forçado a admitir que partilho da opinião do presidente: isso está parecendo reação ao excesso de exposição do congresso. Só que,  ao contrário dele, não acho ruim. 

Eu já havia comentado aqui que o Congresso não ficaria quieto por muito tempo, só “tomando paulada”. E é exatamente isso que parece que vai começar a acontecer. Para usar uma expressão bem popular, estão começando a “jogar no ventilador”.

Esta semana, por exemplo, a Revista Isto� traz uma matéria sobre as regalias que o ministro Carlos Alberto Direito (sic hehe) do STJ oferecia aos familiares e amigos. Justo o Direito? (desculpe de novo, eu não consigo evitar o trocadilho).

Não se trata de “denuncismo” mas de colocar em pratos limpos toda a discussão da estrutura do poder. Eu não sou absolutamente contra as regalias. Sou contra a hipocrisia de não serem admitidas. Não vejo nenhum problema em pagar uma passagem para um deputado ou para um assessor a trabalho. Não admito a idéia, no entanto, de estender a vantagem à comitiva.

A sociedade atual não admite mais os “acertos” de bastidores. A divulgação de notícias, a investigação, o acompanhamento, já não pertencem aos grandes veículos de comunicação. Pequenos blogs se encarregam de fazer o trabalho que, muitas vezes corrompendo a lógica do sistema, é oferecido de forma absolutamente gratuita.

Salve a internet! Blogueiros, uni-vos! Nós podemos mudar o nosso Brasil. :-)

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Se pressionarmos, as coisas começarão a funcionar

(ou como diz Ivan Lins, “desesperar jamais: cutucou por baixo, o de cima cai”)

A discussão começou com o escândalo das passagens mas não se restringiu a esse. O sítio Congresso em Foco continua divulgando dados extremamente interessantes a respeito do Legislativo. 

O que está acontecendo você deve estar acompanhando:

  • A utilização das passagens aéreas foi regulamentada na Câmara e no Senado
  • O deputado que está se lixando para o que pensa a opinião pública foi devidamente substituído da relatoria da comissão de ética (e por incrível que pareça, diz que vai recorrer ao STF… lembrem-se disso, gaúchos, ao votar nele de novo);
  • As verbas indenizatórias estão sendo discutidas para serem também regulamentadas… Verbas o que? 

Sim, eu sei que poucos sabem o que significam essas verbas indenizatórias, portanto, vamos explicar melhor. Supostamente as “verbas indenizatórias” visam compensar (ou indenizar) algum ônus ou encargo extraordinário que possa ocorrer no exercício da função. Não se trata, portanto, de uma remuneração pela prestação do serviço convencional (chamadas de verbas remuneratórias) e têm, por definição, razão e duração delimitadas e circunscritas.

Vamos imaginar, dentro desse contexto, que um servidor necessite deslocar-se para o exercício da função para a qual foi contratado. Não seria correto que as despesas adicionais corressem às suas expensas, portanto, é natural que seus gastos sejam reembolsados.

Ocorre que o conceito foi bastante “flexibilizado”, e não só no legislativo, diga-se de passagem e essas verbas passaram a compor a remuneração de praticamente todos os agentes públicos em todos os poderes e esferas de governo.

Você quer saber quanto custa isso no seu estado? Confira a tabela a seguir, organizada por montante por deputado por ano… Olha Alagoas em primeiríssimo lugar, seguida de perto por Santa Catarina. 

 

PI, RJ e RN não divulgaram as informações. Se não divulgaram, devem ter muito a esconder.

PI, RJ e RN não divulgaram as informações. Se não divulgaram, devem ter muito a esconder.

E por que estou insistindo nisso? Porque só a transparência pode fazer as coisas funcionarem neste país. Se agora estamos falando a respeito do legislativo, é só uma questão de tempo para voltarmos os holofotes ao judiciário, executivo, ministério público…

Só para descontrair um pouco, divulgo uma imagem do MondoCubano (@lupatini). A foto é da fachada de uma agência de publicidade de Campo Grande, MS.

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Deputado se lixa para o povo. Que tal o povo limar o deputado?

O Deputado Sérgio Morais (PTB-RS) é relator do processo por falta de decoro parlamentar que a Câmara dos Deputados move contra o dono do castelo, Edmar Moreira.

Em entrevista ontem, Morais disse à imprensa que não vê razão para condenar o coleguinha e acrescentou que está se “lixando para a opinião pública”.

Não critico o deputado porque, afinal, ele não está sozinho. Muitos outros de seus pares pensam o mesmo. Aliás, o problema não se restringe ao parlamento ou mesmo ao governo. O fato é que no Brasil, pouca ou nenhuma importância se dá à opinião pública.

O problema é que a própria “opinião pública” parece não se dar importância, caso contrário, perceberia que tem todo o poder de liquidar mandatos, produtos e serviços que não estão adequados às necessidades e desejos dos consumidores.

Perceba que “opinião pública” não é uma entidade alienígena. O público somos nós todos. Você, eu, o vizinho, o entregador de pizza e, pasme, até o deputado e o presidente (do clube ou da república). No dia em que o cidadão perceber que tem a possibilidade, em conjunto, de fazer valer suas opiniões, tudo mudará.

As empresas, entidades ou políticos que perceberem isso antes, estarão com grande vantagem. Os outros, bem, serão limados da face da terra. Amém.

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