Archive for the 'cidadania' Category

PNDH3: Preguiça de ler? Então assista… e pense

Hoje é domingo… Tá com aquela preguiça de ler? Então assista os vídeos a seguir e fique informado a respeito das intenções de nosso governo federal, incluindo ministros e a candidata que será aclamada pelo partido no fim do mês.

1. José Neumanne Pinto – SBT – Este vídeo foi postado em 13 de janeiro. Tem um certo tempo, portanto. Os comentários irônicos são de quem fez o upload do vídeo e que evidentemente acha que o comentarista está errado.

2. Arnaldo Jabor – Rede Globo – De 14 de janeiro, Jabor bem ao seu estilo, apresenta questões históricas interessantes e apresenta a inegável constatação de que o governo não quer a liberdade.

3. Alexandre Garcia – Rede Globo – Este é mais recente. Quem postou o vídeo também acha completamente absurdos os comentários e ainda critica a emissora.

4. Ives Gandra Martins – Bandeirantes – Jornal da Band – A análise técnica do jurista Ives Gandra não pode ser desconsiderada, mesmo por aqueles que são partidários do governo e que acreditam que a proposta é realmente a de garantir os direitos humanos.

Uma das questões mais básicas para o desenvolvimento da economia é o que se conhece como “marco legal”, que é a estrutura jurídica em torno da qual as instituições e atividades se desenvolvem.

O tal decreto, que acabou sendo parcialmente modificado, é uma declaração de intenções em relação a todas as atividades econômicas do país, começando com a agricultura e terminando com a imprensa, passando por todas as demais.

Não foi por incompetência que o presidente assinou sem ler o documento. Antes fosse!

E agora, qual a sua opinião a respeito?

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Salsichas, leis e pesquisas de intenção de voto

Otto Leopold Eduard von Bismarck-Schönhausen ou simplesmente “Otto von Bismarck” foi chanceler da Alemanha entre 1871 a 1890.

Político de perfil conservador, mesmo combatendo o movimento da “social democracia” e tornando ilegais várias organizações, von Bismarck entendia que o Estado deveria agir diretamente em questões sociais e instituiu direitos trabalhistas, reconheceu sindicatos e leis que protegiam os trabalhadores.

Uma frase que lhe é atribuída, soa cada vez mais importante: “Je weniger die Leute wissen, wie Würste und Gesetze gemacht werden, desto besser schlafen sie!” Calma, não precisa xingar. Em uma tradução livre seria algo como “Quanto menos as pessoas souberem como se fazem as salsichas e as Leis, melhor poderão dormir”.

Pois bem, a elaboração das leis e os julgamentos – principalmente quando falamos de mensalões e censura a veículos de comunicação –  já estão absolutamente desmascarados. Mas von Bismarck não poderia imaginar que a essa categoria de “coisas feitas de forma estranha”, viesse se juntar a Pesquisa CNT/Sensus de intenção de voto que declarou empate técnico entre Santa Dilminha e Serra.

Você já ouviu falar em Florianópolis e Natal, não é? Pois bem, então outra pergunta: sabe onde fica Sítio Novo? E Guaraciaba? Não??? Ora, são cidades extremamente importantes… para essa “pesquisa”.

Coincidentemente ambas são irrelevantes do ponto de vista do contingente populacional mas recebem percentualmente uma grande colaboração das bolsas-tudo que o governo federal utiliza de forma absolutamente desenfreada.

Veja que coisa mais matematicamente simples de entender:

  • Natal (RN) – 508 mil eleitores – 9 pessoas entrevistadas
  • Sítio Novo (RN) – 4 mil eleitores, 803 bolsas – 13 pessoas entrevistadas
  • Florianópolis (SC), 306 mil eleitores, 4 pessoas entrevistadas
  • Guaraciaba (SC), 7,7 mil eleitores, 13 pessoas entrevistadas
  • Vitória (ES), 245 mil eleitores, 4 pessoas entrevistadas
  • Venda Nova do Imigrante (ES), 14 mil eleitores, 17 pessoas entrevistadas.

Como se percebe, devemos inserir a categoria de pesquisas na frase de von Bismarck, pelo menos as elaboradas pelo CNT/Sensus.

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Para onde estamos indo?

Recebi há pouco um email de um amigo austríaco. Herrmann sabe que sou economista e pergunta como está o ambiente aqui, aproveitando para me felicitar porque “as notícias que recebemos é que as coisas no Brasil vão bem, especialmente em relação à agricultura”.

Estou sem saber o que responder. E logo para um austríaco! Eles que têm absoluto pavor de extremismo porque viveram na pele os horrores de Hitler. Um povo que valoriza o cumprimento da lei.

Devo mencionar que o Estadão está sob censura há 186 dias, mesmo sabendo-se que a nossa Constituição proíbe a censura mas o nosso judiciário considera que isso não vale quando o caso é contra o filho do Sarney?

Será que conto em que condições estão os agricultores de nosso país?

Ontem por exemplo, li uma interessante nota na coluna do Cláudio Humberto “A Funai pretende repassar para 63 índios cerca de 4.320 mil hectares produtivos de 300 famílias em Getúlio Vargas (RS). A titularidade das terras é do início do século XX”. Poxa, coitadinhos dos índios. Afinal, o que são 68,57 hectares (ver nota 1) por pessoa? O mais incrível é que os agricultores estão revoltados! Ora, que absurdo, não é?

Hoje o Ministro da Justiça (sic) Tarso Genro, deve sair do posto e assumir de vez a candidatura ao Governo do RS. Abram os olhos, gaúchos. Ele costuma defender criminosos e considerá-los perseguidos políticos.

É um problema isolado, dirão alguns. Infelizmente não é.

Chato mas devo lembrar que dia 26 de Janeiro foram presos 9 bandidos – de um total de 19 – envolvidos com a invasão da Cutrale em 26 de outubro. Para quem não se lembra do caso, à época os facínoras acabaram com 12 mil pés de laranja, máquinas e implementos agrícolas, além de outras atrocidades cometidas contra os funcionários e o patrimônio da empresa.

Um vídeo (veja abaixo) demonstra que os “pobres integrantes do MST” tinham a intenção de criar tumulto e gerar prejuízo.

O mais impressionante é que, embora o vídeo não mencione o fato, o coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT, Osvaldo Russo, “repudia as detenções de nove militantes do MST.”

É brincadeira ou não é? Repudia a detenção dos militantes, mas não a ação de selvageria que inclui um ex-prefeito e uma vereadora, ambos do PT, é claro.

Isso porque o presidente não era terrorista, como sua candidata a sucessão.

Agora, por favor, assista o vídeo e me ajude a responder ao meu amigo austríaco: A agricultura vai bem no Brasil? As instituições democráticas estão se desenvolvendo?

Será que essa corja de bandidos à solta vai trabalhar e produzir ou teremos aqui o que a mesma sucessão de eventos promovida por Hugo Chavez na Venezuela?

(1) 1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, ou seja, cada índio vai receber 685.700 metros quadrados.

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Política e políticos na sociedade 2.0

Originalmente publicado no BRPress

Acho graça quando ouço ainda hoje algumas pessoas defendendo veementemente aquele chavão que reza que “política [e religião] não se discute”.

Religião não é o meu tema, mas costuma ter dogmas aos quais as pessoas podem se alinhar ou não. Fim de papo.

Já a política, é exatamente o contrário. É especificamente a discussão que promove o surgimento de novas idéias.

O problema é que no Brasil nos acostumamos a ver o termo, junto com aqueles que a exercem, como algo “sujo” ou “imoral”.

Estamos iniciando um ano de extrema importância nesse campo. Um ano no qual vamos inaugurar uma nova forma de fazer política, utilizando os recursos da internet e não mais ficar com aquela cara aparvalhada diante da TV, ouvindo as patacoadas de meia dúzia de palhaços que buscam seus quinze minutos de fama.

O Cidadão 2.0 não pode alegar falta de informação ou subsídio para decidir-se nem, tampouco, esquivar-se dessa discussão. Temas relevantes não nos faltarão.

Um pouco de história não faz mal

“Política” é uma palavra derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), ou seja, as atividades relativas à “pólis” (cidade-Estado). Político, portanto, é aquele que trabalha em função do Estado, que é formado pelo conjunto dos cidadãos.

E como o político atinge essa condição? Simples, através de um mecanismo que lhe outorga a representação da sociedade – no caso do Brasil, o voto. É o “mandatário” ou “procurador”.

Ora, o procurador, embora aja “em nome de um terceiro”, o faz defendendo os interesses do representado e não o seu próprio em detrimento do outro.

Procuração não é cheque em branco

A procuração, no caso o mandato, tem um fim específico, que é o interesse do Estado.

Dessa forma, nossos representantes eleitos não têm em absoluto, a possibilidade de dizer que não se importam com a opinião pública. Ninguém, ao votar em um candidato, outorga-lhe o direito de utilizar-se de suas prerrogativas para negociar em proveito próprio.

Claro que nessa categoria de “proveito próprio”, enquadram-se a construção de castelos, peças íntimas (como meias e cuecas) com recheio sui-generis, polpudas verbas para aquisição de panetones e outros exemplos da nossa história recente.

Aliás, como nossa memória é meio curta, recomendo uma visita ao excelente MuCo – Museu da Corrupção.

E não adianta reclamar. Temos que aprender a assumir a responsabilidade por ter indicado como procurador alguém que tem um perfil pouco recomendável.

As ferramentas da internet na política

Os meios políticos estão fervilhando. Milhares de assessores estão ocupados em povoar o Twitter de eleitos e candidatos.

Existem os exemplos mais estapafúrdios, como o de um Senador que faz questão de mostrar sua proximidade com o eleitor perguntando “onde está Wally”? ou o de um deputado que conseguiu postar 1.300 tweets em uma semana e achou que estava abafando.

Claro que existem também os bons exemplos, de gente que realmente está buscando utilizar a internet e as ferramentas de redes sociais virtuais como forma de contatar o cidadão, apresentar-se e principalmente, ouvir.

Ao cidadão cabe conectar-se desde já para depois não ficar a reboque, queixando-se da falta de informação.

O argumento falso de que a internet é elitista, já não cabe no Brasil. As últimas pesquisas demonstraram que praticamente metade dos acessos à rede é feito a partir de lan-houses, bibliotecas ou pontos de acesso público.

O poder do coletivo

A rede mundial de computadores possibilitou o desenvolvimento de outro conceito antigo, aquele que diz que “duas cabeças pensam melhor do que uma”.

No mundo virtual não falamos de duas, mas de milhares de cabeças simultaneamente pensando e discutindo o mesmo tema, sob os mais variados ângulos e a isso se dá o nome de “crowdsourcing” ou, numa tradução livre, “pesquisa da multidão”.

Nessa proposta, admite-se que o universo dos usuários desenvolve respostas mais adequadas do que especialistas isolados. Mais que isso, pressupõe que esse conjunto seja capaz de se autocorrigir e aperfeiçoar.

As ferramentas que se utilizam desse conceito no campo da política e da administração pública são variadas e não se restringem ao Brasil.

A idéia básica é a de oferecer ao cidadão o poder de se comunicar em um grupo mais amplo do que seria possível sem a internet e encaminhar suas demandas ao representante político para que ele busque os meios de atendê-las.

Eu sei que parece um sonho distante, mas se pensarmos que a vídeo chamada era coisa de ficção científica e desenho animado há cinco anos, que utilizamos celulares há pouco mais de dez e que há vinte não existia a internet no Brasil, veremos que as mudanças são muito mais rápidas do que poderíamos imaginar.

Agora deixe de dizer que política é coisa suja ou que o político “x” rouba, mas faz. Assuma seu compromisso de Cidadão 2.0 e comece a se interessar mais do que pelas fofocas do último reality-show.

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Ética sem ética na política politiqueira

Eu não estava presente (ainda bem), mas consta que o prefeito da capital de MS afirmou na última segunda-feira a um site de notícias que “que não pode ser ingrato com quem ajuda a cidade” e que vai levar em consideração o apoio que tem recebido do governo federal: “É lógico que eu não posso ignorar tudo isso. Só hoje foram R$ 8 milhões”.

“Nelsinho” Trad falava de seu apoio à candidatura de Dilma Roussef e da discussão em torno de uma possível candidatura do partido à sucessão de Lula.

Acho lógico. É sempre bom saber que existe ética entre os políticos. Conheço vários casos de eleitos que se esquecem do apoio recebido, portanto, o que o prefeito de Campo Grande faz, é muito importante.

É claro que não se pode pretender ir mais a fundo nessa análise, porque, afinal de contas, isso poderia trazer algum tipo de desconforto ao alcaide, não é verdade?

Mas como eu sou meio chato mesmo, vamos lá a algumas perguntas:

1. Os 8 milhões que o prefeito diz que cidade recebeu na segunda-feira foram referentes a um repasse do Ministério da Integração Social, cujo ministro é Geddel Vieira, filiado ao PMDB. Não seria ingratidão para com o próprio partido apoiar a candidata do PT?

2. Toda e qualquer verba proveniente do orçamento do Governo Federal, seja ele de que partido for, é proveniente de impostos. Impostos são pagos pela sociedade – famílias e empresas. Considerando isso, não seria ingratidão para com a sociedade, esquecer que fomos nós – e não a Dilma, o Lula ou o Geddel – que demos o dinheiro que a cidade está recebendo de volta?

3. Tenho que admitir uma falha pessoal: eu não sou filiado a nenhum partido. Em todo caso, tenho conhecimento suficiente para afirmar que a legislação brasileira exige que os candidatos sejam filiados a algum partido para se candidatar. Aliás, própria justiça tem determinado que a mudança de partido pode gerar a perda de mandato. O partido tem uma estrutura de decisão que independe dos cargos ocupados pelos filiados. Portanto, não é possível considerar ingratidão o fato de que o partido do prefeito ainda está discutindo se vai ou não ter candidato próprio mas ele já declara apoio à candidata do outro partido?

Enfim, a profunda gratidão do prefeito de Campo Grande e sua declaração de lealdade infinita parece-me paradoxalmente a assinatura de um atestado de falta de ética, em relação à sociedade e ao seu partido.

Como eu não sou do partido, fico pensando na parte que me toca, ou seja, a sociedade. Perguntinhas bobas acabam povoando minha mente confusa:

  • Quer dizer que o dinheiro que eu ajudei a mandar aos cofres federais e que voltou para o município, garantiu a lealdade do prefeito?
  • Será que mais dinheiro gera mais lealdade? Isso não é uma relação de consumo e portanto, incompatível com as funções que o dirigente político supostamente mantém?
  • É melhor ser ingrato com a população do que com o presidente?

Entendi. Ou não?

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[Entre Haspas] 2010 – Cristais quebrados – Carlos Vereza

Publicado no excelente blog de Carlos Vereza

Não é necessário ser profeta, para revelar antecipadamente o que será o ano eleitoral de 2010.

Ou existe alguém com tamanha ingenuidade para acreditar que o “fascismo galopante” que aparelhou o estado brasileiro, vá, pacificamente, entregar a um outro presidente, que não seja do esquema lulista, os cargos, as benesses, os fundos de pensão, o nepotismo, enfim, a mais deslavada corrupção jamais vista no Brasil?

Lula, já declarou, que (sic) “2010 vai pegar fogo!”. Entenda-se por mais esta delicadeza gramatical, golpes abaixo da cintura : Dossiês falsos, PCC: “em rebelião”, MST convulsionando o país… Que a lei de Godwin me perdoe – mas assistiremos em versão tupiniquim, a Kristallnacht, A Noite dos Cristais que marcou em 1938 o trágico início do nazismo na Alemanha.

E os “judeus”, serão todos os democratas, os meios de comunicação não cooptados (verificar mais uma tentativa de cercear a liberdade de expressão no país: em texto aprovado pelo diretório nacional do PT, é proposto o controle público dos meios de comunicação e mecanismos de sanção à imprensa). Tudo isso para a perpetuação no poder de um partido que traiu um discurso de ética e moralidade ao longo de mais de 25 anos e, gradativamente, impõe ao país um assustador viés autoritário. Não se surpreendam: Há todo um lobyy nacional e internacional visando a manutenção de Lula no poder.

Prêmios, como por exemplo, o Chatham House, em Londres, que contou com “patrocínios” de estatais como, Petrobrás, BNDS e Banco do Brasil, sem, até agora uma explicação convincente por parte dos “patrocinadores”; matérias em revistas estrangeiras, enaltecendo o “mantenedor da estabilidade na América Latina”. Ou seja: A montagem virtual de um grande estadista…

Na verdade, Lula, é o übermensch dos especuladores que lucram como “nunca na história deste país”.

Sendo assim, quem, em perfeito juízo, pode supor que este ególatra passará, democraticamente a faixa presidencial, para, por exemplo, José Serra, ou mesmo, Aécio Neves?

Pelo que já vimos de “inaugurações” de obras que sequer foram iniciadas, de desrespeito às leis eleitorais, do boicote às CPIs, como o da Petrobás, do MST e tantos outros “deslizes”, temos o suficiente para imaginar o que será a “disputa” eleitoral em 2010.

Confiram.

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A quem culparemos pelo futuro?

O Wall Street Journal a Heritage Foundation publicaram um estudo no qual o Brasil aparece em 113o. (centésimo décimo terceiro) lugar em liberdade econômica em um universo de 179 países.

Nações como Mali, Azerbaijão, Moçambique e Filipinas estão na nossa frente. Até aí, existem diferentes conceitos do que seja e da real vantagem da liberdade econômica, mas duas coisas chamam a atenção, além da posição relativa do país:

1. O índice atingido pelo Brasil foi de 55,6 numa escala que vai de 0 a 100. O país caiu nesse índice 1,1 ponto em relação à edição anterior, ou seja, PIOROU e,

2. Um dos principais obstáculos para o desempenho do país é a conhecida Corrupção. Salienta também que o sistema judiciário é vulnerável à influência política e à corrupção.

Até quando a responsabilidade pelas agruras deste país será transferida aos “outros”?

Por quanto tempo mais nos iludiremos criticando o comportamento nefasto das figuras públicas e nos manteremos distantes das discussões políticas?

Quando nos tornaremos conscientes de que a tentativa de tirar vantagem, seja indiretamente, a partir da miopia da suposta justiça ou diretamente, com propinas, panetones ou gorjetas, é exatamente o mecanismo do precisa a corrupção para se manter atuante?

2010 está só começando, mas será um ano muito importante em função das eleições. É essencial escolher o caminho pelo qual trilharemos. O pior, é que não é um caminho isolado. Somos todos companheiros de jornada e você é tão responsável quanto eu, o Sarney ou o Arruda, que tão facilmente rotulamos, mas que só chegaram aos postos que ocupam a partir dos votos da população, ou seja, você, eu, o vizinho…

Pense nisso!

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[Economia de Convergência] Relações comerciais sem gesso

O que me encanta na economia é sua dinamicidade.

Mais do que qualquer outra ciência, a economia acompanha a evolução do pensamento humano. Não há história sem compreensão dos interesses econômicos e os avanços da ciência, da tecnologia e mesmo a concepção religiosa estão essencialmente cravados no campo da economia.

Embora muita gente resolva apontar o dedo contra, não há escapatória. É assim, ponto final.

Mais do que reclamar, deveriam os descontentes entender as regras do jogo e se valer delas para promover suas idéias.

Resolvi trazer dois exemplos que não guardam relação entre si, mas que são demonstrações claras da alteração profunda pela qual estamos passando, nós e as relações comerciais.

1. Telefonia x Skype

evolução das chamadas internacionais e das internacionais via Skype

O gráfico ao lado ilustra uma matéria do excelente blog Techcrunch e mostra a evolução em minutos das chamadas internacionais via telefone (colunas azuis) e via Skype (amarelas).

Para quem não sabe, Skype é um serviço de comunicação que utiliza a infraestrutura da internet, totalmente gratuita ou com uma tarifa muito – mas MUITO – inferior às cobradas pelos serviços de telefonia convencionais.

Em 2009, pode-se perceber que o crescimento foi excepcional: 50% sobre 2008, atingindo a marca incrível de 54 bilhões de minutos.

E, veja bem, Skype para Skype, com possibilidade de vídeo chamada, qualidade equivalente ou até superior ao telefone convencional e – o mais interessante – custo zero.

Eu uso com muita frequência o serviço (isto não é jabá, infelizmente) para quase todas as ligações de longa distância para telefones fixos (que sinceramente deverão deixar de existir nos próximos anos).

Onde quero chegar? Ora, você deve saber que as operadoras de telefonia estão entre as empresas mais reclamadas no Brasil. É só procurar nos Procons ou sites de reclamação (veja o exemplo do ReclameAqui), mas não vai encontrar reclamações em relação ao Skype.

É natural, portanto, que a migração se dê rapidamente. Quem tem acesso a internet, deverá começar a substituir as caras ligações interurbanas ou internacionais, por chamadas Skype.

Mas espere um pouco… Por que é que as próprias operadoras não começam a oferecer serviço similar? Por que razão as tarifas oferecidas são tão mais razoáveis? Será que as operadoras do Brasil não estão exagerando na dose e criando um mercado para produtos alternativos?

Acredito que nem precise responder. O fato é que esse é um mercado em mutação. É só acompanhar.

2. TV aberta x Anunciantes

O modelo da TV aberta, paga por anunciantes, parecia consagrado e imutável. A Rede Globo no Brasil, reinava absoluta. As agências de publicidade criaram um estigma que simplesmente baniu outros veículos (também chamados de mídia), privilegiando absolutamente a plenipotenciária TV.

Como em publicidade nada se cria, tudo se copia, também essa filosofia míope era importada dos EUA. Lá, o show máximo da TV é a final do Super Bowl, evento há 23 anos patrocinado pela Pepsi.

Há dois anos, no entanto, a audiência das TVs só despenca. No Brasil, por exemplo, o Fantástico está claudicando, tendo atingido 18 pontos em outubro do ano passado.

Concorrentes? Não é a Record, nem a Bandeirantes. O fato é que as TVs estão ficando desligadas. O computador está, até certo ponto, substituindo a telinha, daí, é natural que os interesses econômicos também migrem e não é só no Brasil.

Sabe o que aconteceu com o Super Bowl? Perdeu o patrocínio da Pepsi, que acaba de inaugurar (13 de janeiro) uma campanha espetacular, baseada em redes sociais. A idéia você assiste no filme a seguir. Depois me diga se alguém pode tentar engessar o mercado.

O poder está na mão do consumidor. Não o contrário.

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A garapa do “Seu” Chico, as novas empresas e as redes sociais

Originalmente publicado em BRPress

Meu amigo Marcelo e eu criamos um hábito: uma vez por semana largávamos a correria do escritório e íamos tomar um copo e meio de garapa. Não uma garapa qualquer, mas a garapa do “seu” Chico.

Nada de lugar sofisticado ou ar condicionado. Seu Chico atendia sob árvores na calçada de um cruzamento pouco movimentado. Vestia jaleco branco e oferecia aos clientes dois bancos de madeira para um longo papo.

Ele sentava-se com dificuldade – tinha algum problema na perna esquerda – em um banquinho individual, que deixava a respeitosa distância dos fregueses.

Depois de preparar os dois copos gigantes, Seu Chico se dedicava ao laborioso mister de limpar criteriosamente cada parte da moenda, sempre prestando atenção aos clientes – nós – que conversávamos próximos dele.

Ao perceber que já se aproximava metade da bebida, prontamente oferecia “o chorinho”… aquele extra que ele, evidentemente, produzia de propósito, só para agradar.

O ritual demorava uns 45 minutos. Ao final, ele já se despedia com um “até semana que vem”.

A garapa? Ah sim, era boa. Provavelmente tão boa quanto a de todos os outros três ou quatro garapeiros pelos quais passávamos para chegar no seu Chico.

O hábito perdurou por todo o tempo em que trabalhamos juntos. Dia desses resolvi dar uma passadinha lá e fiquei muito chateado porque não era mais o seu Chico que estava lá naquela esquina. Nem parei.

Novas (?) Empresas

Os mercados estão cada vez mais sofisticados. As relações entre clientes e fornecedores, cada vez mais complexas, estudadas, avaliadas, mensuradas, mas ainda assim, tensas. Ora, tem cabimento isso?

Eu posso falar com conhecimento de causa porque trabalho com isso o tempo todo. O computador nos trouxe a possibilidade de conhecer hábitos e preferências de cada pessoa, não importando a quantidade de pessoas com quem as empresas se relacionem.

Se o seu Chico conseguia fidelizar seus clientes apesar da concorrência acirrada, não era por nos tratar de qualquer jeito. Aquele pedaço de calçada era o lugar ideal para o refresco necessário naquele momento e ele só precisava fazer aquilo que sabia fazer: garapa.

Mas ele também se vestia adequadamente, tratava a todos com respeito e oferecia o “chorinho”.

Mas o tempo todo vemos as empresas novas, grandes, gigantes, imensas, exatamente na contramão do que fazia seu Chico. O que acontece? Não é possível imaginar que o tamanho e a quantidade de clientes seja um problema real.

Com a tecnologia disponível para oferecer um atendimento absolutamente personalizado. Quando descobrimos que só uma das empresas de atendimento (call-center) emprega mais de 72 mil funcionários, começamos a perceber a dimensão do negócio e novamente me assalta a dúvida: Se existem empresas especializadas em atender clientes de outras empresas, por que não fazem direito?

O pior é que não existem tantas alternativas para prestadores de serviços como os concorrentes do seu Chico, portanto, essas empresas não se preocupam muito com isso.

A “praga” das redes sociais

Desde sempre o ser humano se relaciona com outros da sua espécie. Crescemos no meio de um círculo de amigos e conhecidos, que estava presente no nosso dia-a-dia.

A profissionalização das relações fez com que adotássemos outros termos. Conhecer pessoas passou a ser chamado “network” e o espaço para encontrar com essas pessoas, redes sociais.

Portanto, para falar a verdade, estamos falando da mesma coisa o tempo todo: relacionamento pessoal.

Mas as empresas começaram a perceber que precisam saber o que está sendo dito pelas ruas, digo, pela internet, então passaram a integrar essas redes sociais.

O problema é que em vez de tentar retornar ao velho e conhecido papo do dono com o freguês, essas empresas resolveram que querem controlar o que está sendo dito ou se recusam a interagir de verdade. Aí a coisa pega! Aliás, como sempre aconteceu.

As pessoas que não gostavam de se relacionar nas rodas de amigos eram sempre adjetivadas de forma pouco lisonjeira. Alguns eram “… de ferro”, outros “… doce”, “dondocas”, ”frescas” etc. A seleção variava muito, mas a idéia era a mesma.

Como em todo lugar, algumas pessoas conheciam e eram conhecidas por todos, que passaram a se chamar “formadores de opinião”. Outros eram “presidentes do DIVA (Divisão de Investigação da Vida Alheia)” ou simplesmente fofoqueiros-mór, que também encontram seu correspondente no mundo virtual.

Junte-se a falta de disposição para uma conversa franca e o descontentamento de algum membro da rede, com a atuação de um formador de opinião e temos uma mistura altamente explosiva e perigosa para as empresas.

Sem saída

O problema é que não é mais possível deixar de atuar nessas redes, simplesmente porque a ausência das empresas não fará com que as redes deixem de existir.

Marqueteiros de plantão vivem tentando convencer o cliente a utilizar “canais oficiais”, como se a empresa fosse um órgão determinante das conversas e relacionamentos. Não são!

Às empresas resta a constatação de que não há alternativa, portanto, vistam seus jalecos brancos, sentem-se no banquinho ao lado de seus fregueses e façam seu trabalho.

Não tentem se meter na conversa, nem impedir que se fale.

O bom atendimento pode compensar até mesmo uma deficiência no produto ou serviço. O contrário, nunca acontece.

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O terremoto moral

Detesto repetir o que todo mundo fala. Se não consigo oferecer outro ângulo de análise, prefiro calar. Normalmente, portanto, concordo com a máxima de Nelson Rodrigues, que afirmava que “a unanimidade é burra”.

Está bem, não resta dúvida de que o terremoto que destruiu o Haiti foi uma tragédia natural e que não se pode culpar seus “governantes” ou sua população.

Não estivéssemos nós sob o domínio da razão, poderia, no entanto, ser considerado “um castigo divino” porque lembra, sob diversos aspectos, a narrativa acerca das cidades bíblicas de Sodoma e Gomorra.

Se bem que os grandes pecados daquela época teriam sido, supostamente, mais relacionados ao comportamento sexual (ou mais especificamente, a homossexualidade), existem também menções ao egoísmo ou à falta de caridade (“Eis em que consistiu o crime de Sodoma [...]: orgulho, abundância de alimentos e insolências; estas foram as faltas que cometeu [...]: não socorreram o pobre e o indigente” – Ezequiel 16:49).

Ontem, enquanto ainda eram encontradas pessoas vivas no meio dos escombros do que restou do país, milhares de ex-detentos, que fugiram da penitenciária nacional, voltaram armados para suas favelas de origem. O pouco policiamento existente teve que disparar tiros e usar gás lacrimogêneo para dispersar saqueadores que se aproveitam do fato de que os estabelecimentos comerciais – assim como 70% dos edifícios da capital – estão destruídos. O cônsul-geral do país em S.Paulo, George Antoine, num ato falho à la Boris Casoy, deixou escapar seu sentimento em relação ao ocorrido, como você pode ver no vídeo abaixo.

Mas o que chama a atenção é o fato de que um país que não tem nenhuma condição excepcionalmente ruim, geograficamente bem posicionado, com terras cultiváveis, esteja numa situação absolutamente precária como aquela.

Do ponto de vista da lógica econômica, nada pode explicar a miséria de mais de 90% daquela população. Excluindo-se enchentes, furacões e terremotos, o grande problema do país é simples e ao mesmo tempo, complexo: corrupção.

A verdadeira tragédia humana não está no campo dos fenômenos naturais, mas do avanço ou não da consciência do bem coletivo e nesse aspecto, o Haiti, embora exemplo negativo, não está sozinho.

O ano passado foi de uma prodigalidade ímpar no que se refere ao lamaçal político em que se transformou o Brasil. As festinhas, congestões e a cachaça do fim de ano foram suficientes, no entanto, para que a maior parte da população simplesmente esquecesse todos os escândalos.

Até o governador do DF, José Roberto Arruda, estava mais tranqüilo. Pena que a Revista Época trouxe novos documentos que aumentam a quantidade de panetones distribuídos, mas isso vai ser esquecido também.

É essencial, sim, ajudar o povo do Haiti, mas não venha me dizer que deve-se reconstruir alguma coisa. Não há nada a reconstruir. Devemos, isso sim, ajudar a construir.

Tomara que tenhamos alguma coisa de bom a deixar para aquelas pessoas além do dinheiro que aliviará nossas “almas pecadoras”. Precisamos mostrar àquela gente que existem outros valores a serem desenvolvidos para que possamos nos considerar seres humanos.

Pensando bem, temos mais a aprender com a tragédia do que a ensinar.

Um pregador poderia bater de porta em porta e bradar: “Temei, corruptos. O fim dos seus tempos está próximo!”

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