Archive for the 'Gestão do Conhecimento' Category

De saco cheio de HO HO HO: pense um pouco

Vamos admitir, apesar do presidente dizer que quer tirar o povo da merda, a maior delas – as sacanagens com o dinheiro público – foi ainda mais frequente em 2009… “Nunca antes na história deste país…”

Apesar disso, com as ruas cheias de Papais Noeis, a maioria dos quais absolutamente ridículos, ninguém está nem aí para o cheiro que paira nas entranhas do poder. Estamos em tempo de congraçamento, como se todo mundo soubesse o que é isso.

Vamos deixar claro que este não é um espaço para quem não pensa, portanto, não espere ler aqui uma reflexão convencional do tipo “retrospectiva 2009″ ou uma versão do “jingle bells”. Para isso você tem trilhões de alternativas e eu não pretendo encher ainda mais o saco de quem detesta isso tudo como eu.

Mas se você, ao contrário, está interessado em aproveitar esse tempo para pensar um pouco, assista o video abaixo (legendado).

Ele faz parte de um projeto musical chamado “The Symphony of Science“, de John Boswell. A idéia é divulgar conhecimento científico e filosofia de uma forma musical.

O vídeo que selecionei é “We Are All Connected” (nós estamos todos conectados) e foi criado a partir de trechos do programa Cosmos, de Carl Sagan, da série “The History Channel’s Universe”, de entrevistas gravadas em 1983 com Richard Feynman, do sermão cósmico de Neil de Grasse Tyson e da série Bill Nye’s Eyes, com a adição de imagens de vários outros programas científicos (The Elegant Universe (NOVA), o Universo de Stephen Hawking, Cosmos etc.).

Assista e pense a respeito. Não é religião… ou será que é? Afinal, quem inventou que uma coisa é separada da outra?

A Sinfonia da Ciência

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[Economia de Convergência]: Os cães ladram… e a caravana passa

� muito interessante perceber como ninguém pede permissão para derrubar aqueles padrões aos quais estávamos acostumados. Mais ainda quando notamos quantas vezes não nos damos conta dessas pequenas revoluções.

Há cerca de dois anos eu prestava consultoria para um laboratório de análises quando identifiquei uma oportunidade de contratar um software que disponibilizaria pela remotamente os resultados para os médicos e pacientes.

A diretora, após 15 segundos de profunda análise, achou que não valia a pena adotar o software porque os pacientes teriam  receio de que suas informações fossem disponibilizadas na internet. Adivinhe o que aconteceu com os concorrentes? Esse movimento ocorre em qualquer atividade, no mundo â??realâ? ou no â??virtualâ?.

Nas últimas semanas tenho trabalhado com afinco em uma análise do desempenho das principais lojas virtuais no Brasil, o que me coloca em uma posição interessante para avaliar o que anda acontecendo nesse mercado.

De forma geral as informações publicadas são originadas na coleta dos dados das empresas, o que, se não determina os resultados, pelo menos já traz um viés, porque afinal os valores que essas empresas apresentam estão impregnados na forma como esses dados são gerados e transmitidos.

Eu fugi dos dados â??oficiaisâ?. Meu estudo baseou-se em dados de acompanhamento das consultas na internet e de reclamações registradas, divididas em diversos temas.

O resultado foi bastante esclarecedor. Empresas que no mundo físico estão acostumadas a ditar regras, não estão nada bem quando o tema é o comércio virtual. Empresas grandes, supostamente melhor estruturadas, nem sempre têm seu poderio refletido nos índices de desempenho junto ao consumidor e algumas tidas como pequenas, na verdade fazem um grande trabalho de atenção ao cliente.

Também interessante é perceber que poucas são as companhias que se dispõem a olhar com seriedade para suas deficiências e a corrigi-las. São os mesmos senhores vetustos, os mesmos olhares compenetrados tentando decifrar o enigma que a esfinge da comunicação via internet propõe.

Entretanto aquelas empresas que, independente do segmento, perceberam que atender as necessidades do consumidor é verdadeiramente o seu negócio, estão despontando, consolidando sua imagem.

Chega a ser engraçado ouvir e ler alguns comentários de organizações que se baseiam em antigos padrões como se eles valessem alguma coisa neste novo mundo de relacionamento social sem fronteiras.

Uma observação a todos esses Homo-dinossauricos: Vocês estão com os dias contados! Quer apostar? Então vamos a alguns exemplos de paradigmas que estão sendo quebrados sem que percebamos:

  • Durante o apagão o que funcionava era o Twitter. Através dele eu consegui determinar que a área atingida era muito maior do que eu imaginava. Isso tudo porque meu celular, mesmo sem conseguir ligar para outras operadoras, navegava pela internet sem problemas (ufa, que alívio). Penso que o rádio deveria estar funcionando, sim, mas quem é que ainda tem rádio a pilha em casa? O engraçado era ver as pessoas na rua usando o celular como lanterna e para navegar na internet. Dentro de casa, só a luz bruxuleante das velas…
  • Semana passada a cantora Shakira decidiu lançar sua última música e respectivo vídeo, Give It Up To Me, no Facebook, com transmissão pelo serviço Ustream. Resultado da brincadeira: 95 mil visitantes únicos durante a primeira exibição e mais de meio milhão de exibições nas 24 horas seguintes. O evento só perdeu para o funeral de Michael Jackson (4,6 milhões) e para a posse de Obama (3,8 milhões) â?? tudo pela internet.
  • O serviço de armazenagem e exibição de vídeos YouTube, do Google, anunciou ontem que  está disponível para utilização (gratuita) uma ferramenta que gera automaticamente legendas (vídeo abaixo). Para explicar melhor, o sistema â??entendeâ? o que está sendo falado e transcreve automaticamente. Um detalhe interessante: se você quiser, ele traduz o que está sendo dito.

No primeiro exemplo, o telefone, que antigamente servia para falar, acabou sendo uma ferramenta essencial, sim, mas para escrever, ler e até iluminar. Foi o meio de comunicação mais utilizado pela população que não sabia o que estava acontecendo.

No segundo, um lançamento que há alguns meses seria feito na MTV, acabou indo parar na rede social, exatamente porque a cantora está mais interessada em reforçar esses vínculos com seus admiradores.

No terceiro, um serviço gratuito tem o potencial de virtualmente acabar com a função dos intérpretes, afinal, se um software faz a tradução simultânea de um vídeo, por que razão não pode fazer também de uma conversa ao vivo?

Isso tudo para mencionar só alguns exemplos das últimas semanas. Algumas lojas acreditam que podem transpor para a internet seus modelos ultrapassados e imaginam que o consumidor vai aceitar tudo passivo.

São executivos que acham que internet, mídia social, monitoramento de marca, twitter, rede etc., são coisas que fazem os funcionários perderem seu precioso tempo.

Meu recado não pode ser mais simples do que o deste conhecido provérbio oriental: â??os cães ladram, a caravana passaâ?.

Está nas suas mãos decidir se você vai querer ficar à margem latindo, ou se vai embarcar na caravana.

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PaTacoadas nacionalistas

Tenho tido muito pouco tempo para dedicar-me a este espaço mas, confesso, também fico em dúvida sobre o que escrever porque os temas econômicos importantes em todas as áreas se sucedem com uma rapidez estonteante. A velocidade só não é maior do que as respostas dadas pelos governos – em todas as esferas – assumidas pela imprensa e, em conseqüência, pela sociedade.

Aproveitando o gancho de uma matéria nova do Financial Times que publica hoje “Poor transport infraestructure hampers Brazil’s booming farms”, algo como “A fraca infraestrutura de transportes do Brasil atrasa o rápido desenvolvimento da sua agricultura”.

4609LD1Fico pensando como o governo e a imprensa farão uma vez mais para alterar, somente na tradução, o sentido da matéria.

Sim, é isso mesmo. E eu não estou simplesmente lançando algum tipo de dúvida sem fundamento. Minha questão é fundamentada nas leituras que foram feitas de uma outra matéria internacional, esta da revista “The Economist” da semana passada, que trazia como título “Brazil takes off” (O Brasil decola).

Imediatamente inundaram os veículos de comunicação nacionais as notícias dando conta de que, “bem, finalmente o mundo se curva às evidências e nosso país está crescendo”.

Se você tiver paciência de ouvir uma entrevista com o correspondente da publicação, vai verificar que a idéia não é bem essa. Ele diz textualmente que se você olhar a economia brasileira a partir da perspectiva “de um helicóptero – existem muitos helicópteros no Brasil –  você vê que a economia vai muito bem. No entanto, se pousar e olhar a questão sob um ponto de vista mais microeconômico, vai perceber que existem muitos problemas crescentes e não resolvidos”.

Essa é só a introdução da matéria. A entrevista (em inglês) tem pouco mais de 15 minutos e é uma aula de economia. Relembra a trajetória das mudanças verificadas há 10 anos, destaca os incontestáveis avanços mas – sempre tem um mas – também mostra claramente os problemas sérios que temos a resolver.

Mas isso seria aceitável, afinal, nem todo mundo teve acesso a essa entrevista e nem todo mundo compreende o idioma inglês, entretanto, é completa, total e absolutamente impossível que os nossos veículos de comunicação não tenham lido o subtítulo da reportagem de capa. Logo abaixo de “O Brasil decola”, está a frase esclarecedora “Now the risk for Latin Americaâ??s big success story is hubris” ou, em bom português, “Agora o risco para a maior história de sucesso da América Latina é a arrogância (ou o orgulho exagerado)”.

O trabalho da publicação foi primoroso e vale a pena ser lido, mas não é a ela que estou me prendendo. O problema sério foi ver a mídia nacional completamente embevecida pela propaganda oficial.

Ninguém precisa exaltar as nossas bondades. Isso a campanha oficial já faz. Vou, portanto, demonstrar alguns “pequenos desvios” sobre os quais pouca gente falou.

Não é só o subtítulo da matéria que já traz o tom da reportagem. Trechos são evidentemente uma mensagem clara ao nosso governante maior, inclusive ao mencioná-lo no último parágrafo dizendo que

“Lula tem razão em dizer que o Brasil merece respeito, tanto quanto ele merece respeito pela adulação de que é alvo. Mas ele tem sido também um presidente de sorte, colhendo as recompensas do aumento dos preços das commodities e operando a partir de uma sólida plataforma de crescimento construída por seu predecessor, Fernando Henrique Cardoso. Para manter o desempenho melhorado em um mundo passando por tempos mais difíceis, o sucessor de Lula deverá encarar problemas que ele se sentiu em condições de ignorar. Portanto, a próxima eleição determinará a velocidade com que o Brasil avançará na era pós-Lula”.

Será que só eu li isso? Só eu consegui entender que a matéria é um reconhecimento à estrutura criada pelo governo FHC, que Lula teima em desprezar?

Como chama a atenção meu amigo PRG, “O que temos hoje: uma diplomacia bolivariana, a reboque dos Chavez, Evo e Zelayas da vida;  um plano de distribuição de renda baseado no bolsa-escola de Ruth Cardoso, porém sem fazer com os miseráveis cresçam como indivíduos; uma condução da política interna ao melhor estilo Golbery. Confundiram esquerda com populismo, esse governo do PT em muito se parece com a ditadura que eu vivi (dentro de um quartel), por vezes me parece estar a ler declarações de Médici e Geisel. O país está dando certo? Sim,  está ! Mas não se trata de um processo começado em 2002, começou antes, como dito no artigo.”

  • PS: Para quem não sabe, “patacoada” significa 1. Bazófia, jactância. 2. Ostentação ridícula. 3. Pantomimice. 4. Endrómina.
  • PPS: As letras P e T maiúsculas não foram erros de digitação.

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A vida em constante evolução

A única coisa que me alenta é a consciência de que ninguém, nem mesmo Lula, pode evitar a evolução.

Uma amiga enviou-me esta semana uma galeria de fotos assustadoras com supostos marginais no RJ com armas pesadíssimas, entre as fotos a de um menino com não mais de 3 anos, nu, empunhando uma metralhadora.

Apesar de todas as evidências em contrário, essencialmente eu acredito que as pessoas estejam caminhando para uma vida mais equilibrada, mais humana.

Até tia Dilma resolveu dar uma de boazinha e propor a redução de 40% nas emissões de carbono, 20% só com a redução das queimadas na amazônia.

Não é que eu seja otimista a ponto de acreditar que Dilma deixou de lado os pendores guerrilheiros. Experimente alguém discordar dela para ver (Caetano Veloso que o diga), mas minha convicção se prende à constatação de que nada permanece inalterado e que o caminho será desenvolvido por todos, tendo como base o conhecimento ou, mais especificamente, a possibilidade de disseminar o conhecimento através da internet.

Silvio Meira (ou @srlm) é dessas raras cabeças pensantes que consegue se comunicar com clareza, mesmo quando fala a não iniciados. A palestra que incluo a seguir é exemplo claro disso. Apesar de falar de internet e das perspectivas de coisas como redes sociais e outros temas bastante técnicos, consegue traduzir tudo com linguagem clara e dar o seu recado, que por sinal tem a ver com o texto de ontem: – Atenção senhores de terno cinza, gravata preta e camisa branca porque “quem não se comunica, se trumbica”.

A palestra de 20 minutos está dividida em dois vídeos. Vale cada segundo.

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[Economia de Convergência] â??Quem não se comunica, se trumbicaâ?

A frase não é minha, mas de José Abelardo Barbosa de Medeiros, mais conhecido como Chacrinha, um pernambucano nascido em 1917 na cidade de Surubim, da qual provavelmente você nunca ouviu falar.

� muito possível também que você nunca tenha assistido a um programa de Chacrinha na televisão, o que indica que é pequena a probabilidade de você já sofrer com as dores de coluna que me tiraram do ar durante alguns dias, mas isso não invalida a comparação com a importância de internet na atualidade.

Em uma época absolutamente circunspecta, de apresentadores trajados de terno cinza, gravata preta e camisa branca, Chacrinha se apresentava com roupas absolutamente extravagantes, cartolas e acessórios non-sense como discos de telefone (isso mesmo, telefone tinha disco, não teclado) e buzinas penduradas no pescoço. A irreverência era tamanha que causava a ira de muita gente (meu pai no meio), mas conseguiu agradar multidões, criando bordões como o que dá título a este texto.

Como economista-ecologista, tenho dado especial atenção ao comportamento das empresas em relação à comunicação e à construção de seus valores.

Veja que primoroso exemplo de missão institucional que copiei na internet, por indicação do amigo Paulo Granja:

â??Promover a formação integral do indivíduo, por meio da capacitação profissional, da produção e aplicação do conhecimento, da promoção da cultura, do respeito aos valores éticos-morais, através de um processo educativo contínuo de qualidade, voltado para o desenvolvimento da sociedadeâ?.

Não é bonito? E seu eu disser que essa é a missão da UNIBAN, universidade de onde uma aluna foi expulsa sob xingamentos, por estar trajando um vestido curto? (se não acredita, por favor, visite o endereço http://www.uniban.br/institucional/missao.asp).

Mas, afinal, o que tem a ver Chacrinha com Uniban e o cidadão 2.0? Tudo!

Só vou usar a universidade como exemplo. Aliás, um ótimo exemplo para demonstrar o que nunca deve ser feito.

Em linhas gerais, tirando os matizes e cores excessivas, uma aluna da universidade foi à aula com um vestido que algumas alunas julgaram inadequado por ser muito curto. Estas se manifestaram de forma agressiva, conseguindo pelo â??efeito manadaâ?, que outros alunos engrossassem as fileiras dos perseguidores. Animados pela adesão, aos impropérios sucederam demonstrações crescentes de total falta de civilidade.

Até aqui, falamos de um grupo de alunos. No entanto, a desastrada intervenção da direção da escola foi muito mais esclarecedora deste maravilhoso case do tipo â??o que não fazerâ?.

A â??manifestaçãoâ? dos alunos não só não foi debelada a tempo como a aluna acabou saindo da escola sob proteção policial e coberta com um jaleco. Não satisfeito com a falta de atitude, o diretor resolveu expulsar a aluna atacada (mas ela não era a vítima?).

Eu não estava lá, não sei se o vestido era curto, transparente, adequado ou não, mas não me interessa. Também não vou considerar que provavelmente alguma novela apresenta imagens muito mais â??picantesâ? e que qualquer biquíni é menor do que um suposto micro-vestido.

Interessa é que um episódio ocorrido dentro dos muros de uma faculdade acabou assumindo proporções internacionais. O caso foi mencionado em diversos jornais do mundo e até na BBC e em jornais da China. Assim é a sociedade 2.0.

O estrago já está feito. Os alunos que não tiveram absolutamente nada a ver com o caso se ressentem das críticas e piadinhas de todos os que não são alunos da instituição. Como negócio, evidentemente é péssimo para os resultados e, embora o episódio venha a ser esquecido no futuro, com toda certeza a imagem será negativamente afetada.

Que bom que sempre conseguimos tirar lições e avanços dos erros. A expulsão da vítima foi revogada, a aluna já recebeu convites de outras escolas interessadas em capitalizar o episódio. Se ela der sorte, pode acabar nas páginas de alguma revista masculina, mas dificilmente a Uniban conseguirá sair ilesa, sem cicatrizes profundas.

Faltou visão aos responsáveis que perderam a ótima oportunidade de se comunicar claramente com o público e demonstrar o equilíbrio e fidelidade à missão institucional de promover â??do respeito aos valores éticos-moraisâ?.

A universidade acreditou que poderia â??controlar o episódioâ? expulsando a garota. São senhores de terno cinza, gravata preta e camisa branca, num mundo absolutamente tomado por Chacrinhas-Blogueiros-Orkuteiros-Twiteiros comunicadores.

Para quem, como eu, lembra do Chacrinha na TV e, portanto, está mais sujeito a dores de coluna, alguns dados importantes: Segundo uma pesquisa da Vox Populi, â??sites de notícias e blogs jornalísticos já são a segunda principal fonte de informações, citados como primeira opção por 20,4% dos entrevistados e ficando atrás apenas da TV, com seus 55,9%. Jornais impressos contam com 10,5% e rádio com 7,8%.

Aos senhores circunspectos por trás das mesas de empresas, um recado: â??Quem não se comunica, se trumbicaâ?.

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Políticas Públicas para o Semiárido: Experiências e conquistas no Nordeste do Brasil

A Rede Macambira, que é um conjunto de ONGs que atua no semiárido brasileiro, elaborando estratégias para influenciar atividades rurais que preze pelos princípios agroecológicos da sustentabilidade, lança o livro â??Políticas Públicas para o Semiárido: Experiências e conquistas no Nordeste do Brasil‘, organizado por Angela Küster e Jaime Ferré Marti, publicado pela Fundação Konrad Adenauer.

A publicação pode ser acessada AQUI

(Ainda não classificado. Seja o primeiro a votar.)
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Além de soja, exportamos cérebros

Por André Faust – Exame/negócios

O agrônomo paulista Cláudio de Oliveira era coordenador de desenvolvimento de produtos na subsidiária brasileira da Basf no ano 2000 quando se deparou com uma situação digna de fábula infantil. Meses após o lançamento de um fungicida (produto usado no combate a fungos), Oliveira começou a receber relatos de agricultores de todo o país. Eles diziam que, além do controle de parasitas, o produto estaria gerando vegetais mais verdes, maiores e mais produtivos. O fenômeno deixou os pesquisadores eufóricos. Sob coordenação de Oliveira, a Basf brasileira iniciou uma investigação dos supostos efeitos extraordinários do fungicida, envolvendo pesquisadores de uma dezena de universidades. Seis anos após os primeiros relatos, os produtos do selo AgCelence — criado com o resultado das pesquisas lideradas por Oliveira — tinham potencial de venda avaliado em 500 milhões de euros anuais. Dos Estados Unidos à Itália, o conceito passou a ser adotado em filiais da Basf pelo mundo. No final de 2007, o sucesso da descoberta levou à transferência de Oliveira para a matriz da multinacional, na Alemanha. Num laboratório situado em Limburgerhof, ao sul de Frankfurt, ele hoje coordena a equipe global de desenvolvimento de fungicidas. “Fui chamado para reproduzir aqui a experiência que desenvolvemos no Brasil”, diz.

Casos como o dele mostram que o agronegócio brasileiro não se limita a exportar commodities como soja e açúcar. Os cérebros também conquistam espaço lá fora. “Nossas competências estão avançando muito em termos globais”, afirma Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas de São Paulo. Um bom indicador é o número de brasileiros que trabalham em multinacionais do setor espalhados pelo mundo. Na Basf, há 29 expatriados do Brasil. Nas unidades da americana Monsanto, há 16. No grupo suíço Syngenta, são 14. Na também americana John Deere, 12. A ideia de que estadas no exterior são apenas etapas de qualificação na carreira ficou para trás. “Hoje, os brasileiros são transferidos não apenas para aprender, mas especialmente para ensinar”, afirma Ricardo Miranda, diretor da Monsanto do Brasil.

Do campo aos laboratórios, a demanda por conhecimentos e práticas aprimoradas por brasileiros é diversificada. Em março, o engenheiro de produção Rodrigo Abud, de 30 anos, deixou o posto que ocupava na Syngenta em São Paulo para assumir na Suíça o desenvolvimento, em dez países do Leste Europeu, de uma solução de negócio em que ele já acumulava cinco anos de experiência e bons resultados no Brasil. Pelo modelo, o produtor tem a opção de pagar parte da compra de sementes e defensivos com sacas de produto ao final da colheita. Por trás da aparente simplicidade do modelo, há uma operação financeira que envolve cálculos e projeções dos preços no mercado futuro e a logística de entrega da produção. A complexidade é maior quando se considera que isso é feito ao mesmo tempo com milhares de agricultores. A solução contorna a crônica escassez de crédito no campo — problema comum a economias em desenvolvimento. “O cenário no Leste Europeu hoje é muito semelhante ao que encontrávamos no Brasil há alguns anos”, diz Abud.

O caso mais evidente da difusão de tecnologias e de competências brasileiras no agronegócio é o processo de internacionalização da Embrapa. A primeira incursão da Embrapa no exterior data de 1998, com a instalação de um laboratório de cooperação científica em Maryland, nos Estados Unidos. Hoje, a estatal mantém outros três laboratórios em países da Europa e na Coreia. Na África, em novembro de 2006, foi inaugurado em Acra, capital de Gana, o primeiro escritório de transferência de tecnologia da Embrapa no exterior. Em menos de três anos, o escritório foi procurado por 35 países. “Atendemos demandas de países que conhecem o sucesso do Brasil na área agrícola e querem reproduzir nossos conhecimentos”, afirma o agrônomo Paulo Galerani, funcionário da Embrapa em Gana. Agora, a empresa estuda a criação de uma unidade em Moçambique. Para Chade, Mali, Burkina Faso e Benim foi criado o programa Cotton 4, que transfere tecnologia de produção de algodão. A presença da Embrapa na África também tem servido para a ligação de empresas brasileiras do agronegócio com governos e grupos privados africanos interessados em obter tecnologia. “Recebemos pelo menos uma demanda por semana”, diz Galerani. As intermediações já deram origem a vendas de sementes, máquinas e fábricas completas. “O potencial do mercado africano para as empresas brasileiras é enorme”, afirma Mark Lundell, especialista em agricultura do Banco Mundial. “A Embrapa está se transformando numa abridora de portas para elas.”

Em alguns casos, a exportação de conhecimento se dá em níveis mais básicos. Há dois anos, o agrônomo goiano Rodrigo Camargo foi contratado pela agropecuária Muguidjana, empresa controlada pelo grupo português Thanda Vantu, para a execução de um projeto de pecuária no norte de Angola. Assolado por uma guerra civil que durou três décadas, o país havia perdido a pouca tradição que tinha no trato com o gado. “Tive de ensinar como tocar uma fazenda praticamente do zero”, diz ele. Os ensinamentos hoje ficam a cargo de 20 técnicos brasileiros que foram enviados ao país para treinar 70 angolanos que moram na propriedade. A rotina passa por aulas de montaria a cavalo, manejo de tratores e instalação de cercas. “Agora os angolanos já fazem sozinhos boa parte do trabalho”, diz Camargo. Sim, mas com jeito brasileiro.

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Os números da mídia social

Não tem jeito. Se você acessa internet já ouviu falar em rede social, mídia social ou alguma coisa parecida. Já tem – ou vai ter em breve – uma conta no Orkut, Twitter, Facebook, SecondLife ou Flickr, fez uma pesquisa no Google ou YouTube e se não fez vai acabar fazendo uma reclamação no ReclameAqui.

� tudo muito novo, os números são incríveis. Tanto que é difícil de acompanhar.

Veja o aplicativo que Gary Hayes desenvolveu para que possamos ter alguma idéia da enxurrada de números.
São valores calculados a partir do momento em que você chegou a esta página. Os itens são os seguintes:
1. Novos textos postados em Blogs; 2. Membros adicionados ao Facebook; 3. Dólares gastos em compras virtuais no mundo; 4. tweets postados no Twitter; 5. Vídeos assistidos no YouTube; 6. Programas baixados em IPhones; 7. Dólares gastos em presentes do Facebook; 8. Horas de vídeo postados no YouTube; 9. Novos usuários do Twitter; 10. Mensagens de texto entre avatares do Second Life; 11. Receita em dólares a partir de serviços móveis de mensagem e dados; 12. Horas gastas com o Facebook; 13. Horas de mensagens de voz trocadas entre usuários do Second Life; 14. Eventos criados no Facebook; 15. Pesquisas feitas no Google; 16. Emails enviados no mundo; 17. Receita de anúncios no Facebook; 18. Mensagens de texto via celular no mundo; 19. Vídeos enviados ao Facebook; 20. Imagens enviadas ao Flickr; 21. Novos internautas no mundo.

Sabe o que eu acho engraçado: tem muita gente que ainda acha que isso tudo é bobagem pura!

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Você vai apertar a campainha e usa qual dedo? Se for o indicador…

“Se for o indicador, você quase certamente tem mais de 30, porque os mais jovens usam o dedão. Simples assim” – escreve Silvio Meira, professor da Universidade Federal de Pernambuco e cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), no seu texto ‘A consagração do dedão…’ no livro ‘Do Broadcast ao Socialcast’.

Segue – “Os dedões mais novos, e as porções do cérebro que os controlam, estão se adaptando aos celulares, playstations e controles de consoles há anos. Os ‘novos’ dedões e suas funções cerebrais são mais fortes e ágeis, mais precisos, mais capazes e muito mais úteis do que os velhos dedõesâ?¦”.

E ainda – “Durante muito tempo, pensadores e analistas ‘mais velhos’ teorizaram que ninguém nunca faria nada de útil num celular porque, principalmente, os teclados eram pequenos e as teclas, minúsculas e multifuncionais (demais). Esqueceram, como sempre, de ler Douglas Adams (sobre o futuro)â?¦â??.

Ainda – “Tudo o que já existia no mundo antes de nascermos é absolutamente natural; as novidades que aparecem enquanto somos jovens são uma grande oportunidade e, com alguma sorte, podem até ser uma carreira a seguir; mas tudo que aparece depois dos trinta é anormal, um fim do mundo que conhecemos, até que tenhamos convivido com a coisa por uns dez ou quinze anos, quando começa a parecer normal” :- ).

Ã? sensacional, nao acham?

Siga o Twitter do Julio Hungria.

Publicado originalmente no BlueBus

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[Economia de Convergência] Cidadãos e Professores 2.0

12695_0002egst15 de Outubro, dia do Professor! Há alguns anos os Mestres estariam recebendo homenagens, muitas maçãs, abraços e um mínimo de reconhecimento. Empolgados talvez com os avanços tecnológicos, nos esquecemos dessa figura essencial em nossa civilização.

Os tempos realmente são outros. O quadro (que era negro, passou a verde e depois, a branco) agora já não existe em muitos lugares, substituído por outros suportes monitores, telas, projetores. Ao mesmo tempo, professores são agredidos em sala de aula, desrespeitados por seus pupilos ou obrigados a enfrentar enormes distâncias e riscos para desempenhar seu papel na sociedade.

A escola, coitada, não consegue acompanhar a evolução tecnológica e continua tentando utilizar a mais que superada estrutura de ensino do século passado, exatamente no momento em que vivemos a era do Conhecimento.

O que acontece? Onde nos perdemos?

Na verdade a mesma tecnologia que nos permite estar em contato com praticamente qualquer pessoa em qualquer lugar, é a mesma que nos mantém separados. O problema é tão sério que mereceu um projeto da Comissão Européia denominado TA2 (Together Anywhere, Together Anytime â?? Juntos em qualquer lugar, a qualquer momento) â?? acesse o site neste endereço http://www.ta2-project.eu/ (vou falar mais nele em outro artigo).

Mas se existe tanta tecnologia, se existem os famosos â?? e alguns realmente eficazes â?? cursos baseados em tecnologia de Ensino à distância (EAD), por que razão continuamos tão distantes da democratização do ensino?

Fato é que a falta de preocupação com o ensino no Brasil é histórica. Tanto quanto é conhecido o efeito da educação sobre as economias.

Conta-se que quando Deng  Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma  maneira muito acelerada em função dos programas educacionais implantado naqueles países, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na Grande Marcha: â??Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é  branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratosâ?.

O efeito, todos conhecemos. A China cresce a índices estonteantes, superiores 10% ao ano, enquanto a economia mundial e em especial a brasileira se arrasta.

Vejo com muito otimismo o desenvolvimento de canais de comunicação entre consumidores e fornecedores, quer estejamos falando de venda de produtos e serviços, quer da relação entre eleitor e candidato ou do cidadão com o governante e representantes eleitos.

O problema é que a falta de capacitação acadêmica acarreta a mendicância moral, muito mais complexa e difícil de resolver do que a miséria.

Num país que realmente preze pela educação, os professores, responsáveis diretos pela transmissão do conhecimento acumulado e pelo futuro da nação, serão consagrados.

Enquanto isso não acontecer, continuaremos dependendo da abnegação de alguns poucos Mestres e de sua incansável disposição de servir.

De minha parte, parabéns, Professores, pelo seu dia! Obrigado por sua dedicação.

Publicado Originalmente no BRPress na coluna “Cidadão 2.0″

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