Archive for the 'análise' Category

[Entre Haspas] É samba, é ginga, é dinheiro que voa – Carlos Brickmann

Não aguentei de vontade de reproduzir o texto do Brickmann. Esse é ótimo.

É Brasil brasileiro, terra de samba e pandeiro. Fale de nós quem quiser falar, mas com os Rafale o ministro Jobim e o presidente Lula estão pertinho do céu.

Comprando os caças supersônicos franceses, os mais caros que participaram de nossa concorrência internacional, o Brasil mostrou uma série de virtudes:

1 – É soberano. Escolheu sozinho. Os Rafale são caros mas são nossos. E só nossos: nenhum outro país quis comprá-lo da França.

2 – Está com a economia em ordem. Países menos afortunados, como a Índia, anunciam ter recebido ofertas do Rafale por bem menos do que o Brasil pagou, e até agora o recusaram, por achá-lo caro. Aqui não se faz economia de tostões.

3 – O Brasil faz sua parte na luta contra a crise internacional. A fabricante do Rafale, que andou tendo problemas, agora respira tranquila. Além disso, o Brasil salvou alguns milhares de empregos na França, nossa aliada.

4 – O Brasil, caso raro entre os países latino-americanos, demonstra o predomínio dos civis sobre os militares. Não deu a menor bola para o relatório da Aeronáutica sobre a concorrência, que colocou o Rafale em terceiro lugar e o sueco Grippen em primeiro; militar, aqui, obedece às ordens do ministro civil, mesmo que o ministro adore vestir uma farda camuflada tamanho GG – XL, certamente fabricada sob medida, para acomodar tanta musculatura.

E, se o Brasil comprou da França um porta-aviões que, em dez anos de operação, passou quatro no estaleiro, por que iria reclamar dos supersônicos?

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Para onde estamos indo?

Recebi há pouco um email de um amigo austríaco. Herrmann sabe que sou economista e pergunta como está o ambiente aqui, aproveitando para me felicitar porque “as notícias que recebemos é que as coisas no Brasil vão bem, especialmente em relação à agricultura”.

Estou sem saber o que responder. E logo para um austríaco! Eles que têm absoluto pavor de extremismo porque viveram na pele os horrores de Hitler. Um povo que valoriza o cumprimento da lei.

Devo mencionar que o Estadão está sob censura há 186 dias, mesmo sabendo-se que a nossa Constituição proíbe a censura mas o nosso judiciário considera que isso não vale quando o caso é contra o filho do Sarney?

Será que conto em que condições estão os agricultores de nosso país?

Ontem por exemplo, li uma interessante nota na coluna do Cláudio Humberto “A Funai pretende repassar para 63 índios cerca de 4.320 mil hectares produtivos de 300 famílias em Getúlio Vargas (RS). A titularidade das terras é do início do século XX”. Poxa, coitadinhos dos índios. Afinal, o que são 68,57 hectares (ver nota 1) por pessoa? O mais incrível é que os agricultores estão revoltados! Ora, que absurdo, não é?

Hoje o Ministro da Justiça (sic) Tarso Genro, deve sair do posto e assumir de vez a candidatura ao Governo do RS. Abram os olhos, gaúchos. Ele costuma defender criminosos e considerá-los perseguidos políticos.

É um problema isolado, dirão alguns. Infelizmente não é.

Chato mas devo lembrar que dia 26 de Janeiro foram presos 9 bandidos – de um total de 19 – envolvidos com a invasão da Cutrale em 26 de outubro. Para quem não se lembra do caso, à época os facínoras acabaram com 12 mil pés de laranja, máquinas e implementos agrícolas, além de outras atrocidades cometidas contra os funcionários e o patrimônio da empresa.

Um vídeo (veja abaixo) demonstra que os “pobres integrantes do MST” tinham a intenção de criar tumulto e gerar prejuízo.

O mais impressionante é que, embora o vídeo não mencione o fato, o coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT, Osvaldo Russo, “repudia as detenções de nove militantes do MST.”

É brincadeira ou não é? Repudia a detenção dos militantes, mas não a ação de selvageria que inclui um ex-prefeito e uma vereadora, ambos do PT, é claro.

Isso porque o presidente não era terrorista, como sua candidata a sucessão.

Agora, por favor, assista o vídeo e me ajude a responder ao meu amigo austríaco: A agricultura vai bem no Brasil? As instituições democráticas estão se desenvolvendo?

Será que essa corja de bandidos à solta vai trabalhar e produzir ou teremos aqui o que a mesma sucessão de eventos promovida por Hugo Chavez na Venezuela?

(1) 1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, ou seja, cada índio vai receber 685.700 metros quadrados.

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Copenhague segundo Marina Silva

O meio ambiente será, com absoluta certeza, um dos temas recorrentes nas eleições de 2010.

Esta entrevista extremamente esclarecedora com a candidata do PV, Marina Silva, é muito interessante e demonstra uma clareza de análise poucas vezes vista no meio.

Marina faz uma análise do posicionamento político, não só do Brasil, mas do mundo, fazendo menção a ações no território nacional, inclusive a respeito do Acre.

Não interessa se você é contra ou a favor do tema. Assista e passe a se posicionar a respeito para ter referência quando os temas forem tratados durante a campanha.

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Bactérias despontam na produção de biocombustíveis

Redação do Site Inovação Tecnológica – 25/01/2010

Duas pesquisas independentes, que acabam de ser divulgadas nos Estados Unidos, mostram que as bactérias geneticamente modificadas logo poderão ser mais importantes do que as plantas usadas para a produção de biocombustíveis.

Biocombustível perfeito

Pesquisadores da Universidade da Califórnia modificaram geneticamente uma cianobactéria para fazê-la consumir dióxido de carbono e produzir o combustível líquido isobutanol, que tem grande potencial como alternativa à gasolina.

Para completar esse quadro, que até parece bom demais para ser verdade, a reação química para produção do combustível é alimentada diretamente por energia solar, através da fotossíntese.

O processo tem duas vantagens para a meta global de longo prazo de se alcançar uma economia sustentável, que utilize energia mais limpa e menos danosa ao meio ambiente.

Em primeiro lugar, ele recicla o dióxido de carbono, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa resultantes da queima dos combustíveis fósseis.

Em segundo lugar, ele usa energia solar para converter o dióxido de carbono em um combustível líquido que pode ser usado na infraestrutura de energia já existente, inclusive na maioria dos automóveis.

Desconstrução da biomassa

As atuais alternativas à gasolina, o que inclui os biocombustíveis derivados de plantas ou de algas, exigem várias etapas intermediárias antes de gerar os combustíveis utilizáveis.

“Esta nova abordagem evita a necessidade de desconstrução da biomassa, quer no caso da biomassa celulósica, quer na biomassa de algas, algo que representa uma grande barreira econômica para a produção de biocombustíveis hoje”, disse o líder da equipe James C. Liao. “Portanto, [nossa biotecnologia] é potencialmente muito mais eficiente e menos dispendiosa do que as abordagens atuais.”

Transformando CO2 em combustível

Usando a cianobactéria Synechoccus elongatus, os pesquisadores primeiro aumentaram geneticamente a quantidade da enzima RuBisCo, uma fixadora de dióxido de carbono. A seguir, eles juntaram genes de outros microrganismos para gerar uma cepa de bactérias que usa dióxido de carbono e luz solar para produzir o gás isobutiraldeído.

O baixo ponto de ebulição e a alta pressão de vapor do gás permitem que ele seja facilmente recolhido do sistema.

As bactérias geneticamente modificadas podem produzir isobutanol diretamente, mas os pesquisadores afirmam que atualmente é mais fácil usar um processo de catálise já existente e relativamente barato para converter o gás isobutiraldeído para isobutanol, assim como para vários outros produtos úteis à base de petróleo.

Segundo os pesquisadores, uma futura usina produtora de biocombustível baseada em suas bactérias geneticamente modificadas poderia ser instalada próxima a usinas que emitem dióxido de carbono – as termelétricas, por exemplo. Isto permitiria que o gás de efeito estufa fosse capturado e reciclado diretamente em combustível líquido. Para que isso se torne uma realidade prática, os pesquisadores precisam aumentar a produtividade das bactérias e diminuir o custo do biorreator.

Bactérias autodestrutivas A equipe da Universidade do Estado do Arizona também usou a genética e as cianobactérias fotossintéticas, mas em uma abordagem diferente.

O grupo do professor Roy Curtiss usou os genes de um bacteriófago – um microrganismo que ataca bactérias – para programar as cianobactérias para se autodestruírem, permitindo a recuperação das gorduras ricas em energia – e dos seus subprodutos, os biocombustíveis.

Segundo Curtiss, as cianobactérias são fáceis de manipular geneticamente e têm um rendimento potencialmente maior do que qualquer planta atualmente utilizada como fonte para os biocombustíveis capazes de substituir a gasolina ou o diesel.

Mas, para realizar esse potencial, é necessário colher as gorduras dos micróbios, o que atualmente exige uma série de reações químicas muito caras.

Otimização

Para fazer as cianobactérias liberarem mais facilmente sua preciosa carga de gorduras, Curtiss e seu colega Xinyao Liu, inseriram nelas os genes dos bacteriófagos, que são controlados pela simples adição de quantidades-traço de níquel no seu meio de cultura.

Os genes dos invasores dissolvem as membranas protetoras das cianobactérias, fazendo-as explodir como um balão, liberando as gorduras.

A solução também não é definitiva, mas os pesquisadores já contam com um financiamento de US$5,2 milhões nos próximos dois anos para otimizar a reação e aumentar seu rendimento.

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[Economia de Convergência] Relações comerciais sem gesso

O que me encanta na economia é sua dinamicidade.

Mais do que qualquer outra ciência, a economia acompanha a evolução do pensamento humano. Não há história sem compreensão dos interesses econômicos e os avanços da ciência, da tecnologia e mesmo a concepção religiosa estão essencialmente cravados no campo da economia.

Embora muita gente resolva apontar o dedo contra, não há escapatória. É assim, ponto final.

Mais do que reclamar, deveriam os descontentes entender as regras do jogo e se valer delas para promover suas idéias.

Resolvi trazer dois exemplos que não guardam relação entre si, mas que são demonstrações claras da alteração profunda pela qual estamos passando, nós e as relações comerciais.

1. Telefonia x Skype

evolução das chamadas internacionais e das internacionais via Skype

O gráfico ao lado ilustra uma matéria do excelente blog Techcrunch e mostra a evolução em minutos das chamadas internacionais via telefone (colunas azuis) e via Skype (amarelas).

Para quem não sabe, Skype é um serviço de comunicação que utiliza a infraestrutura da internet, totalmente gratuita ou com uma tarifa muito – mas MUITO – inferior às cobradas pelos serviços de telefonia convencionais.

Em 2009, pode-se perceber que o crescimento foi excepcional: 50% sobre 2008, atingindo a marca incrível de 54 bilhões de minutos.

E, veja bem, Skype para Skype, com possibilidade de vídeo chamada, qualidade equivalente ou até superior ao telefone convencional e – o mais interessante – custo zero.

Eu uso com muita frequência o serviço (isto não é jabá, infelizmente) para quase todas as ligações de longa distância para telefones fixos (que sinceramente deverão deixar de existir nos próximos anos).

Onde quero chegar? Ora, você deve saber que as operadoras de telefonia estão entre as empresas mais reclamadas no Brasil. É só procurar nos Procons ou sites de reclamação (veja o exemplo do ReclameAqui), mas não vai encontrar reclamações em relação ao Skype.

É natural, portanto, que a migração se dê rapidamente. Quem tem acesso a internet, deverá começar a substituir as caras ligações interurbanas ou internacionais, por chamadas Skype.

Mas espere um pouco… Por que é que as próprias operadoras não começam a oferecer serviço similar? Por que razão as tarifas oferecidas são tão mais razoáveis? Será que as operadoras do Brasil não estão exagerando na dose e criando um mercado para produtos alternativos?

Acredito que nem precise responder. O fato é que esse é um mercado em mutação. É só acompanhar.

2. TV aberta x Anunciantes

O modelo da TV aberta, paga por anunciantes, parecia consagrado e imutável. A Rede Globo no Brasil, reinava absoluta. As agências de publicidade criaram um estigma que simplesmente baniu outros veículos (também chamados de mídia), privilegiando absolutamente a plenipotenciária TV.

Como em publicidade nada se cria, tudo se copia, também essa filosofia míope era importada dos EUA. Lá, o show máximo da TV é a final do Super Bowl, evento há 23 anos patrocinado pela Pepsi.

Há dois anos, no entanto, a audiência das TVs só despenca. No Brasil, por exemplo, o Fantástico está claudicando, tendo atingido 18 pontos em outubro do ano passado.

Concorrentes? Não é a Record, nem a Bandeirantes. O fato é que as TVs estão ficando desligadas. O computador está, até certo ponto, substituindo a telinha, daí, é natural que os interesses econômicos também migrem e não é só no Brasil.

Sabe o que aconteceu com o Super Bowl? Perdeu o patrocínio da Pepsi, que acaba de inaugurar (13 de janeiro) uma campanha espetacular, baseada em redes sociais. A idéia você assiste no filme a seguir. Depois me diga se alguém pode tentar engessar o mercado.

O poder está na mão do consumidor. Não o contrário.

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A garapa do “Seu” Chico, as novas empresas e as redes sociais

Originalmente publicado em BRPress

Meu amigo Marcelo e eu criamos um hábito: uma vez por semana largávamos a correria do escritório e íamos tomar um copo e meio de garapa. Não uma garapa qualquer, mas a garapa do “seu” Chico.

Nada de lugar sofisticado ou ar condicionado. Seu Chico atendia sob árvores na calçada de um cruzamento pouco movimentado. Vestia jaleco branco e oferecia aos clientes dois bancos de madeira para um longo papo.

Ele sentava-se com dificuldade – tinha algum problema na perna esquerda – em um banquinho individual, que deixava a respeitosa distância dos fregueses.

Depois de preparar os dois copos gigantes, Seu Chico se dedicava ao laborioso mister de limpar criteriosamente cada parte da moenda, sempre prestando atenção aos clientes – nós – que conversávamos próximos dele.

Ao perceber que já se aproximava metade da bebida, prontamente oferecia “o chorinho”… aquele extra que ele, evidentemente, produzia de propósito, só para agradar.

O ritual demorava uns 45 minutos. Ao final, ele já se despedia com um “até semana que vem”.

A garapa? Ah sim, era boa. Provavelmente tão boa quanto a de todos os outros três ou quatro garapeiros pelos quais passávamos para chegar no seu Chico.

O hábito perdurou por todo o tempo em que trabalhamos juntos. Dia desses resolvi dar uma passadinha lá e fiquei muito chateado porque não era mais o seu Chico que estava lá naquela esquina. Nem parei.

Novas (?) Empresas

Os mercados estão cada vez mais sofisticados. As relações entre clientes e fornecedores, cada vez mais complexas, estudadas, avaliadas, mensuradas, mas ainda assim, tensas. Ora, tem cabimento isso?

Eu posso falar com conhecimento de causa porque trabalho com isso o tempo todo. O computador nos trouxe a possibilidade de conhecer hábitos e preferências de cada pessoa, não importando a quantidade de pessoas com quem as empresas se relacionem.

Se o seu Chico conseguia fidelizar seus clientes apesar da concorrência acirrada, não era por nos tratar de qualquer jeito. Aquele pedaço de calçada era o lugar ideal para o refresco necessário naquele momento e ele só precisava fazer aquilo que sabia fazer: garapa.

Mas ele também se vestia adequadamente, tratava a todos com respeito e oferecia o “chorinho”.

Mas o tempo todo vemos as empresas novas, grandes, gigantes, imensas, exatamente na contramão do que fazia seu Chico. O que acontece? Não é possível imaginar que o tamanho e a quantidade de clientes seja um problema real.

Com a tecnologia disponível para oferecer um atendimento absolutamente personalizado. Quando descobrimos que só uma das empresas de atendimento (call-center) emprega mais de 72 mil funcionários, começamos a perceber a dimensão do negócio e novamente me assalta a dúvida: Se existem empresas especializadas em atender clientes de outras empresas, por que não fazem direito?

O pior é que não existem tantas alternativas para prestadores de serviços como os concorrentes do seu Chico, portanto, essas empresas não se preocupam muito com isso.

A “praga” das redes sociais

Desde sempre o ser humano se relaciona com outros da sua espécie. Crescemos no meio de um círculo de amigos e conhecidos, que estava presente no nosso dia-a-dia.

A profissionalização das relações fez com que adotássemos outros termos. Conhecer pessoas passou a ser chamado “network” e o espaço para encontrar com essas pessoas, redes sociais.

Portanto, para falar a verdade, estamos falando da mesma coisa o tempo todo: relacionamento pessoal.

Mas as empresas começaram a perceber que precisam saber o que está sendo dito pelas ruas, digo, pela internet, então passaram a integrar essas redes sociais.

O problema é que em vez de tentar retornar ao velho e conhecido papo do dono com o freguês, essas empresas resolveram que querem controlar o que está sendo dito ou se recusam a interagir de verdade. Aí a coisa pega! Aliás, como sempre aconteceu.

As pessoas que não gostavam de se relacionar nas rodas de amigos eram sempre adjetivadas de forma pouco lisonjeira. Alguns eram “… de ferro”, outros “… doce”, “dondocas”, ”frescas” etc. A seleção variava muito, mas a idéia era a mesma.

Como em todo lugar, algumas pessoas conheciam e eram conhecidas por todos, que passaram a se chamar “formadores de opinião”. Outros eram “presidentes do DIVA (Divisão de Investigação da Vida Alheia)” ou simplesmente fofoqueiros-mór, que também encontram seu correspondente no mundo virtual.

Junte-se a falta de disposição para uma conversa franca e o descontentamento de algum membro da rede, com a atuação de um formador de opinião e temos uma mistura altamente explosiva e perigosa para as empresas.

Sem saída

O problema é que não é mais possível deixar de atuar nessas redes, simplesmente porque a ausência das empresas não fará com que as redes deixem de existir.

Marqueteiros de plantão vivem tentando convencer o cliente a utilizar “canais oficiais”, como se a empresa fosse um órgão determinante das conversas e relacionamentos. Não são!

Às empresas resta a constatação de que não há alternativa, portanto, vistam seus jalecos brancos, sentem-se no banquinho ao lado de seus fregueses e façam seu trabalho.

Não tentem se meter na conversa, nem impedir que se fale.

O bom atendimento pode compensar até mesmo uma deficiência no produto ou serviço. O contrário, nunca acontece.

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O terremoto moral

Detesto repetir o que todo mundo fala. Se não consigo oferecer outro ângulo de análise, prefiro calar. Normalmente, portanto, concordo com a máxima de Nelson Rodrigues, que afirmava que “a unanimidade é burra”.

Está bem, não resta dúvida de que o terremoto que destruiu o Haiti foi uma tragédia natural e que não se pode culpar seus “governantes” ou sua população.

Não estivéssemos nós sob o domínio da razão, poderia, no entanto, ser considerado “um castigo divino” porque lembra, sob diversos aspectos, a narrativa acerca das cidades bíblicas de Sodoma e Gomorra.

Se bem que os grandes pecados daquela época teriam sido, supostamente, mais relacionados ao comportamento sexual (ou mais especificamente, a homossexualidade), existem também menções ao egoísmo ou à falta de caridade (“Eis em que consistiu o crime de Sodoma [...]: orgulho, abundância de alimentos e insolências; estas foram as faltas que cometeu [...]: não socorreram o pobre e o indigente” – Ezequiel 16:49).

Ontem, enquanto ainda eram encontradas pessoas vivas no meio dos escombros do que restou do país, milhares de ex-detentos, que fugiram da penitenciária nacional, voltaram armados para suas favelas de origem. O pouco policiamento existente teve que disparar tiros e usar gás lacrimogêneo para dispersar saqueadores que se aproveitam do fato de que os estabelecimentos comerciais – assim como 70% dos edifícios da capital – estão destruídos. O cônsul-geral do país em S.Paulo, George Antoine, num ato falho à la Boris Casoy, deixou escapar seu sentimento em relação ao ocorrido, como você pode ver no vídeo abaixo.

Mas o que chama a atenção é o fato de que um país que não tem nenhuma condição excepcionalmente ruim, geograficamente bem posicionado, com terras cultiváveis, esteja numa situação absolutamente precária como aquela.

Do ponto de vista da lógica econômica, nada pode explicar a miséria de mais de 90% daquela população. Excluindo-se enchentes, furacões e terremotos, o grande problema do país é simples e ao mesmo tempo, complexo: corrupção.

A verdadeira tragédia humana não está no campo dos fenômenos naturais, mas do avanço ou não da consciência do bem coletivo e nesse aspecto, o Haiti, embora exemplo negativo, não está sozinho.

O ano passado foi de uma prodigalidade ímpar no que se refere ao lamaçal político em que se transformou o Brasil. As festinhas, congestões e a cachaça do fim de ano foram suficientes, no entanto, para que a maior parte da população simplesmente esquecesse todos os escândalos.

Até o governador do DF, José Roberto Arruda, estava mais tranqüilo. Pena que a Revista Época trouxe novos documentos que aumentam a quantidade de panetones distribuídos, mas isso vai ser esquecido também.

É essencial, sim, ajudar o povo do Haiti, mas não venha me dizer que deve-se reconstruir alguma coisa. Não há nada a reconstruir. Devemos, isso sim, ajudar a construir.

Tomara que tenhamos alguma coisa de bom a deixar para aquelas pessoas além do dinheiro que aliviará nossas “almas pecadoras”. Precisamos mostrar àquela gente que existem outros valores a serem desenvolvidos para que possamos nos considerar seres humanos.

Pensando bem, temos mais a aprender com a tragédia do que a ensinar.

Um pregador poderia bater de porta em porta e bradar: “Temei, corruptos. O fim dos seus tempos está próximo!”

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Inferno na Terra – o terremoto no Haiti

Tradução livre do The Economist

Por que o mundo e especialmente os Estados Unidos, devem responder

Os terremotos podem ser medidos e mapeados, mas serão dias, talvez semanas, antes quee a dimensão do sofrimento humano desencadeado sobre o Haiti nesta semana pela colisão das placas do Caribe e da América do Norte possa ser conhecida.

As fotos que chegam ao mundo exterior são horríveis e de cortar o coração: bairros inteiros reduzidos a pó; os presos, os mortos, os feridos, às centenas de milhares, perambulam misturados nos escombros e nas ruas.

A esperança é que muito mais pessoas do que se espera tenham sobrevivido. O receio é que ele acabe por ser o pior desastre natural desde o terremoto da Caxemira de 2005, quando morreram 86.000, ou mesmo o tsunami do Oceano Índico de 2004, que matou 230.000.

O Haiti é especialmente mal equipado para lidar [com o problema]. Isso acontece em parte porque o terremoto atingiu a capital, Port-au-Prince, derrubando as instituições que o país possuía. A devastação incluiu o Parlamento, a catedral, os apenas dois postos de bombeiros, hospitais e escolas, a administração fiscal, a prisão e o quartel-general da missão das Nações Unidas, que vinha tentando construir uma nação, a partir de um Estado falido (ver artigo ).

Assim, os haitianos estão quase inteiramente dependentes do que o mundo lá fora possa fazer. A prioridade nas próximas horas deve ser o resgate, cuidados médicos e alimentação de emergência. Já ajuda que o aeroporto esteja prestes a ser aberto e que o Haiti está perto dos Estados Unidos.

Mas a vulnerabilidade do Haiti e, portanto, o seu sofrimento não é apenas um ato de Deus. A mais pobre e terceira mais populosa das ilhas de Hispaniola, já foi o coração da colônia açucareira mais rica do mundo, proporcionando à França um quarto de sua riqueza no final do século 18. A riqueza veio de 700.000 escravos africanos que constituíam 85% da população.

A guerra pela liberdade trouxe a independência em 1804. Mas o legado da escravidão se abateu sobre o Haiti desde então.

É um lugar de agricultura de subsistência, onde quatro quintos são pobres e alguns são muito ricos. Por muito tempo mal governados, foram perturbados pelos Estados Unidos, muitas vezes com a melhor das intenções, mas com o pior dos resultados.

A última intervenção externa veio em 2004 com a expulsão de Jean-Bertrand Aristide, presidente eleito que virou um déspota. Desde então, sob os cuidados da ONU, no Haiti fez progressos modestos. A missão de paz brasileira levou uma segurança frágil.

De um só golpe cruel, a natureza desfez tudo isso.

Humanidade comum e auto-interesse

A emergência no Haiti vai continuar por muito tempo após a retirada do último sobrevivente dos escombros. Milhões vão precisar de ajuda por anos.

Algumas pessoas de  fora poderão objetar que décadas de ajuda externa serviram pouco, exceto para enriquecer alguns dos políticos. Mas há duas razões para o exterior, e especialmente os Estados Unidos e o vizinho do Haiti, na Hispaniola, a República Dominicana, para fazer o máximo possível para ajudar a recomeçar o país atingido.

Uma é a humanidade comum. Não é culpa do Haiti, que a geografia tem sido tão cruel. O outro é o auto-interesse. Um estado falido de 9 milhões de pessoas no Caribe é um perigo para seus vizinhos.

O Haiti já era uma fonte de imigrantes ilegais e de contrabando de drogas. A menos que os rudimentos do governo e uma economia moderna possa ser rapidamente configurada, ambos os problemas só vão piorar.

Isso significa um esforço de ajuda maciça, focada em construções mais robustos, hospitais e escolas.

Ajudar a diáspora de 1 milhão de haitianos nos Estados Unidos será de vital importância. (Barack Obama prometeu apoio “inabalável” ao Haiti e suspendeu a deportação dos haitianos que vivem ilegalmente nos Estados Unidos).

Mas próprios haitianos, e especialmente os seus dirigentes políticos, terão que remar juntos.

As eleições previstas para este ano terão que ser adiadas, René Préval, o presidente, continua a ser popular e deverá conduzir a reconstrução.

Mas tudo isso é para as próximas semanas. Agora a tarefa é só salvar vidas.

(Ainda não classificado. Seja o primeiro a votar.)
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Finalmente! Não senti vergonha do meu presidente

Incrível! A mesma pessoa que, no Maranhão, queria tirar o “povo da merda”, conseguiu em Copenhagen se manifestar de forma clara, dura e propositiva.

O discurso de Lula ao criticar a posição dos países desenvolvidos foi perfeito, fora os problemas já tradicionais de concordância e pronúncia, claro.

A posição defendida foi a única realmente possível para nosso país, que detém o maior patrimônio natural do planeta. Estabelecer metas objetivas, investir, mesmo que com sacrifício, assumir responsabilidades com o bem comum.

O brilhantismo esteve na linha lógica e simples do discurso. O investimento a ser feito não é uma esmola, é o pagamento pelo que já tomamos de nossa Terra.

� natural que aqueles que tiraram mais, paguem mais e não é porque pagam mais, que têm direito de se meter na vida dos mais pobres. Não estamos com isso dizendo que não temos responsabilidade ou que nos eximimos do pagamento.

Mas o maior compromisso é o do desenvolvimento mais equilibrado para todas as pessoas, não importando em que país ou continente vivam.

Senti-me muito bem representado em Copenhagen. E olha que era o Lula falando… ou não?

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[Economia de Convergência]: “Fracasso é um evento, não uma pessoa”

(Publicado originalmente no BRPress)

O título deste texto é uma citação de Zig Zaglar, um conferencista e consultor de empresas americano, mas lembrei-me dele enquanto conversava com um cliente durante esta semana.

Era o proprietário de uma empresa que se dizia incapaz de reverter as reclamações de seus clientes porque eles haviam ficado muito irritados e que, depois disso, não se dispunham a mudar de opinião.

Não adiantou argumentar que não é bem assim, que os volumes de reclamações estavam acima da concorrência, que os problemas estão centralizados em somente dois pontos, que devem ser objeto de análise e que, o mais importante, ao se manifestar o cliente abre a enorme possibilidade de estabelecer um diálogo, coisa que nunca aconteceu até então.

Nada disso serviu de argumento de compreensão porque o problema precisava ser â??personificadoâ? e tratado como uma agressão, também pessoal, aos proprietários da empresa. Na ocorrência de uma agressão pessoal, muitas vezes ocorre também o revide, a revanche, o â??olho por olhoâ? (â??e se não tirar isso da internet, vou meter um processo…â?).

Fiquei longamente pensando no episódio, principalmente porque o cliente em questão havia viajado mais de mil quilômetros para conversar a respeito do problema e inacreditavelmente, estava mais interessado em defender seu ponto de vista do que ler o que demonstravam os relatórios.

Os â??culpadosâ? estavam lá (os clientes chatos e a tal dessa internet, que coloca todo mundo no mesmo balaio), rindo-se do pobre ser indefeso e agredido (a empresa é claro).

Esses sintomas não são nem um pouco raros. Muitas empresas sofrem desse mesmo mal em maior ou menor escala porque não se deram conta ainda de que â??Objeções são expressões de interesseâ? (também do Zig Ziglar).

Reclamações são a expressão da insatisfação, é claro, mas também demonstram que existe um relação entre as partes, existe interesse, caso contrário, haveria simplesmente a indiferença. A crítica é uma oportunidade de crescimento, de melhora.

Ao contrário do que esse diretor que conversava comigo supõe, os clientes estão sim, dispostos a mudar de opinião em relação a um serviço prestado, desde que os problemas sejam reparados.

Trabalhei durante bastante tempo com técnicas japonesas de produção e ficava impressionado quando uma linha de produção era paralisada para análise de um problema de qualidade. Ainda mais impressionante era participar do júbilo, com aplausos e tudo, quando aquele problema era resolvido.

Segundo essa filosofia de trabalho, um problema que tenha sido discutido com tanta atenção não se repetirá, então aquele era um momento de extrema alegria para toda a equipe.

A diferença fundamental que vejo entre as já antigas técnicas japonesas de produção (Kan Ban, Just in Time etc.) e a pressão pela qual estão passando as empresas neste momento em que suas deficiências são expostas à execração pública, é exatamente o fato de que as menos adaptadas estão muito mais procurando culpados do que tentando resolver o problema.

No final das contas, as empresas deveriam ficar agradecidas a cada reclamação recebida porque ela encerra uma enorme oportunidade de fazer novos negócios, de estreitar laços com o cliente, de melhorar processos.

Isso se dá em qualquer área. Vamos dar um passeio ao futuro para analisar, por exemplo, as escolas.

Comece imaginando-se hoje sentado numa carteira, com 15 anos, escutando uma professora ranzinza de óculos na ponta do nariz e que não faz a menor idéia do que seja essa coisa de twitter e que acha o maior desrespeito o aluno ter um celular ligado durante sua “aula magistral”. Ora, ninguém suporta isso mais, nem o mais “cdf ’s dos puxa-sacos”.

Agora dê asas à imaginação: em 10 anos, existirão carteiras escolares? Você acha que alguém vai levar â??tarefa para casaâ?? Aliás, algum aluno vai realmente ter obrigação de sair de casa para estudar? E a grade de ensino, será que vai ser igual para todos ou será desenvolvida de acordo com as aptidões de cada um?

Sinceramente em não consigo imaginar que meus netos sequer pensem em ler um livro impresso em papel, até porque provavelmente não existirão (será que vai ter cheiro de livro digital?).

Ora, se isso tudo vai mudar, será que a escola vai continuar existindo como a conhecemos?

Então estamos de acordo que os negócios vão mudar e que a única forma de não sermos atropelados pela mudança, é estar em contato direto com o cliente, caso contrário, o fracasso será o único resultado possível dessa falta de interesse.

Como diz meu amigo Renato, â??Meu, se ligaâ?!

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