Archive for the 'pecuária' Category

Ela deveria ter estudado mais… e ele?

Não consigo deixar de pensar que ele é o NOSSO presidente, independente do fato de ter ou não votado nele.

Num dos curtos períodos em que esteve no Brasil, Lula foi entrevistado pelo jornal Zero Hora, de Porto Alegre, publicado no dia 26 de Junho. Eis a pergunta do jornal e a incrível resposta:

ZH â?? A sua política externa continua criticada internamente. Atribuíram ao senhor a derrota da ministra Ellen Gracie na Organização Mundial do Comércio?

Lula â?? Ninguém atribuiu a mim a derrota de Ellen. Ela reconheceu, com muita gentileza, que deveria ter estudado mais. Não tenho dúvida de que ela era, do ponto de vista jurídico, a pessoa mais competente para assumir a vaga. Mas há outros critérios em que ela não foi bem. Mas ela é muito nova e não faltará oportunidade de estudar outras coisas. Nós temos um pensamento pequeno, que fica sempre achando: â??Ah, não conseguiu indicar tal pessoa para tal lugar, perdeu, é derrotaâ?. Você precisa ver que tem 300 pessoas querendo o mesmo cargo e que todo mundo pede para todo mundo. Nós agora fomos atrás da Olimpíada do Rio como jamais um presidente foi. Estou conversando com todos os presidentes. Você perde uma, você elege outra, você empata outra.

Eu não tenho condições de avaliar se Ellen Gracie era ou não a melhor opção para o cargo mas, convenhamos, transferir a responsabilidade do fracasso – ou da falta de interesse – para a Ministra, além de ser de uma falta de elegância absoluta, demonstra uma completa falta de bom senso.

Ter uma representação consistente na OMC é absolutamente estratégico para uma economia que está tentando abandonar sua insignificância histórica e postular uma posição mais digna diante das demais nações.

� nesse foro que são discutidas as questões de ordem comercial internacional. Questões que, de técnica, têm pouco. Será que Lula sabe disso? Será que ele estudou a matéria como deveria? ou será que estava mais interessado nos gandulas do jogo interminável que usa em suas metáforas idiotas?

Onde estiveram nossas instituições que não se pronunciaram a respeito?

Em 2008 as exportações brasileiras de aves para a União Européia  atingiram 526 mil toneladas, gerando uma receita de 1.4 bilhão de dólares americanos.

No  primeiro semestre de 2009, de acordo com dados divulgados pela SECEX/MDIC, as exportações brasileiras de carnes tiveram o seguinte desempenho em relação ao mesmo período de 2008:
CARNE DE FRANGO:  18.7% menos de receita e 1.3%  menos em volume
CARNE BOVINA:     25.7% menos de receita e 15.6%  menos em volume
CARNE SUINA:        16.8% menos em receita e  7.2% A MAIS em volume
CARNE DE PERU:    21.9% menos em receita e 4.8% menos  em volume.
Talvez Lula devesse estudar esses números também.

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O problema é grande? Mude o nome!

Pois é isso mesmo que a OMS resolveu fazer em relação à ex-gripe suína. � impressionante como as coisa acontecem e a gente nem se dá conta.

O tal vírus é tão bravo que o governo israelense, onde a maioria judia não come carne de porco, tentou mudar o nome para “Gripe Mexicana”. Deram com os burros nágua (tomara que não fiquem gripados… tsc tsc) porque o México sentiu-se ofendido. Bom, vamos lá, com toda razão.

Em 1918 o vírus da Gripe Espanhola (que não se manifestou inicialmente na Espanha, mas nos EUA) matou 50 milhões de pessoas em todo o mundo e – pasme – também tinha o porco como principal hospedeiro. Claro que isso só foi descoberto depois.

Naquele momento, as condições de higiene não eram assim as melhores e a ciência evidentemente estava muito menos avançada mas o fato é que a comparação é inevitável.

Mas estou muito mais interessado nas questões econômicas do evento.

1. A concentração (de porcos e de humanos, evidentemente) é o maior vetor de contágio. Criações de animais para abate são cada vez mais concentradas em pequenos espaços. Aliás, os próprios seres humanos tendem a se amontoar em espaços cada vez menores porque ainda não conseguiram perceber que a população da terra não pode continuar crescendo;

2. O México, epicentro da distribuição do vírus, é o único latinoamericano na lista dos 10 mais importantes destinos turísticos do mundo. E existiria forma mais rápida de transmitir o vírus do que de avião? Evidentemente não vai ser fácil se recuperar a imagem no exterior e ter a doença batizada de gripe de “mexicana” é algo que as autoridades daquele país precisam tanto quanto de um buraco na cabeça.

3. Mas o fato é que a gripe realmente tem os porcos como hospedeiros mais usuais – daí, aliás, a sua intensidade porque não temos defesas para esse vírus. A suinocultura é uma atividade econômica importante (não só no México, aliás). Daí a Organização Mundial da Saúde decidiu abandonar o nome que já se havia estabelecido (Gripe Suína). Parece que aqui resolveram adotar “Nova Gripe” como apelido para evitar ainda maiores prejuízos aos suinocultores que estão vendo as vendas simplesmente despencarem, embora o vírus não possa ser transmitido através do consumo da carne cozida.

Em 1918 a gripe era Espanhola, matou aos milhões e não houve menção aos porcos ou portos, através dos quais o vírus se disseminou pelo mundo.

Não bastasse a crise econômica, com resultados parecidos com a outra, de 1929, a gripe demonstra que também não tem fronteiras geográficas ou históricas. Será que estamos aprendendo? Estamos percebendo que somos muito frágeis, independente de quanto dinheiro tenhamos em reservas (pessoais ou internacionais)?

Particularmente penso que sim. Este é só mais um problema que nos leva a abandonar o individualismo e pensar no bem estar generalizado, sem fronteiras… Imagine there’s no countries…

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Crise Mundial – Aldayr Heberle

Recebi o texto diretamente do autor e resolvi publicá-lo aqui em função da sua qualidade, como forma de dividi-lo com você.

Boa Leitura

A Crise Mundial

Durante as décadas de 70 e 80 aprendi muito e fiz a minha formação de “trader” no mercado mundial de “commodities” com o inesquecível Peter Marcy, meu parceiro novaiorquino.  Passávamos sempre alguns meses do
ano juntos e viajávamos visitando clientes no  Brasil, Argentina e Paraguai.  Nos Estados Unidos e na Europa. Ele era didático e  também uma enciclopédia em conhecimentos gerais.  Foi oficial do exército americano durante a segunda guerra mundial e após seu término ficou mais alguns anos na Alemanha, onde aprendeu a falar alemão fluentemente, e prestou serviços a várias entidades civis nesse  País, destroçado pela guerra.

Era um noctívago incorrigivel.  Creio que não existe trader da velha guarda, deste mundo,  que não o tenha conhecido e aprendido com suas lições em qualquer setor do agribusiness.

Faço questão de registrar algumas considerações feitas por ele.

Enquanto passeávamos  pelas práias de Copacaban e Ipanema, olhava para os morros e as favelas e dizia:  o que vai acontecer no dia em que os favelados descerem dos morros e invadirem os belos prédios, shoppings, hotéis, bares e restaurantes da orla?

Em 1973, em pleno “milagre econômico” do Delfim, cismava:  quanto tempo mais vai durar este milagre?  E o que virá depois?

As multidões de gente pobre quando começam e melhorar de vida, ou seja, a ganhar mais, a primeira coisa que fazem é comer melhor.  Comer carne, ao menos uma, duas, três vezes por semana, finalmente todos os dias.

Depois, melhoram a aparência, comprando roupas e sapatos mais chiques.  A seguir compram casa e a mobiliam.  Finalmente, comprar um carro.  O primeiro é usado, depois, vão trocando até comprar um zero.  Viajam, pelo seu país e pelo exterior, compram casa na práia, e melhoram a educação dos filhos. Frequentam teatros e cinemas.

Quando a situação inverte, como está acontecendo atualmente  em todo o mundo, não compram carro novo. Nos EUA as vendas de automóveis novos cairam 37% de março de 2008 para março de 2009, ou seja, 1.36 milhões
para 857.735 unidades, levando gigantes como a GM à falência.

As ações de nosso conhecido CitiGroup despencaram de Us$55,00 para 0,90 por ação, de setembro de 2008 para março de 2009.  Outros bancos centenários faliram em todo o mundo e outros foram salvos pelos governos.

Milhões de pessoas que se acostumaram a comer carne vermelha, inclusive a nossa, passaram a consumir carne suína e de aves, as mais baratas que existem.  Daí, em grande parte, a quebra de nossos frigoríficos, porque seus compradores concelaram contratos em vigor e não fizeram novas encomendas.

Da mesma  forma não compraram sapatos novos de couros, mandaram consertar os que estavam usando ou compram os fabricados com materiais sintéticos, muito mais baratos.  As estatísticas o comprovam, vejamos:

Em 2008 o Brasil exportou 24.765.056 couros por Us$1.854.923.863, ao preço médio de Us$74,90. A previsão para 2009 é: 18.780.000 couros por  Us$1.010.700,000, ao preço médio de Us$53,82.

Comparando os  anos de 2007 para 2008 nossos principais importadores  reduziram suas compras drásticamente, como segue:

Itália: menos 22%
China: menos 24%
Hong Kong: menos 31%
USA: menos 38%
México: menos 30%
Paises Baixos: menos 26%

Nota:  os dados acima são da revista COUROBUSINESS.

Nosso País é um dos mais importantes produtores de couros bovinos. Mas está completamente ausente do mercado de peles exóticas.  Tanto no mercado interno como no externo.  Produzimos milhões de peles de peixes que não são aproveitadas, além de couros de jacarés, avestruzes e outras.

Nesse setor o país mais importante é o México.  Criou a melhor tecnologia de curtimento, acabamento e transformação das peles exóticas em sapatos, bolsas, cintos, casacos, vestidos, tapetes, etc.Anualmente, realiza na cidade de Leon, estado de Guanajuato, uma grande feira, a nível mundial, promovida pela ANPIC – ASOCIACION NACIONAL DE PRODUCTORES Y INDUSTRIALES DE CUEROS.

Recomendo a todos os interessados a visitarem essa feita pois lá expõem fabricantes de máquinas e equipamentos, compradores e vendedores de matérias primas e produtos acabados.

Nosso querido Brasil não foi tão severamente atingido como outros países, os chamados “desenvolvidos”.  Nosso governo tem tomado algumas medidas práticas, como redução de impostos para uma série de produtos, estimulado a construção civil, e muitos outros.

Falta o PAC deslanchar.  E a implantação de um plano de austeridade, redução de despesas supérfluas e acabar com corrupção e a impunidade, legal ou não, que, infelizmente impera em todos os quadrantes de nosso Brasil e
serve de mau exemplo para a juventude e para os cidadãos brasileiros de maneira geral.

Campo Grande, 21 de abril de 2009.

ALDAYR HEBERLE

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PAC, CBD (Conversa para Boi Dormir) ou PUM?

Este texto foi publicado em Janeiro de 2007 no Correio do Estado, jornal de MS. Não mudei nem uma vírgula, portanto, é possível que algumas questões estejam ultrapassadas.

Infelizmente o jornal alterou seu sítio e não oferece mais as matérias online, portanto, republico aqui como forma de embasar minha discussão a seguir:

PAC, CBD (Conversa para Boi Dormir) ou PUM? (22/jan/07)

Num passado não muito remoto, os regimes autoritários de direita eram considerados o grande problema da América Latina. O Peronismo e a ditadura militar na Argentina, Pinochet no Chile, Getúlio e a ditadura militar no Brasil, todos com seu caráter messiânico, apresentando-se ao povo ignaro como únicos detentores da salvação.

Como o mundo não aceita mais a adoção de regimes totalitários, vemos os movimentos populistas â?? que se autodenominam populares â?? tomarem conta da América Latina, agora ligados às esquerdas, sempre buscando sua sustentação no povo mais sofrido.

Chavez na Venezuela, Morales na Bolívia, Correa no Equador e Lula no Brasil, todos pretendem esquecer que â??não existe almoço de graçaâ?, que não existem ações sem reações, que podem apoderar-se da poupança alheia sem custo futuro, acreditando que podem deixar de pagar suas contas.

O Mercosul, evidentemente uma estrutura com características econômicas, passou a ser simplesmente um palanque político para chefes de Estado que não gostam de descer deles e que pretendem decretar-se auto-suficientes.

Seria conveniente lembrá-los o resultado do isolamento da Albânia, como se encontra a estrutura produtiva de Cuba, como foi destruído o setor produtivo na Polônia, já considerada a maior potência européia do setor de máquinas ferramentas, para citar alguns. Nossos â??hermanosâ? e â??companheirosâ? devem estudar mais a história.

Reeleito, Lula prometeu um grande projeto de crescimento econômico. Gestado durante longos três meses, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) evidencia o que já se imaginava: a montanha pariu um rato.

Se reduzir a SELIC resolve tudo, como num passe de mágica, não seria o caso de chamá-lo de â??ABRACADABRAâ??

Um detalhe: na década de 80 os juros básicos da economia eram negativos e vivíamos um período de estagflação inacreditável. Estagflação é um â??palavrão do economêsâ? que descreve uma situação de estagnação econômica que convive altos índices de inflação, também conhecido como hiperinflação.

Mais uma vez estamos perdendo o bonde da história enquanto outras nações, com melhor visão de futuro e capacidade de análise, resolvem aboletar-se nos poucos assentos disponíveis para a viagem do desenvolvimento.

Não é a primeira vez que o Brasil perde oportunidades: Os anos 80 foram considerados â??a década perdidaâ?, já que enquanto o mundo se desenvolvia como possível, o povo tupiniquim amargava os efeitos de uma inflação descontrolada que sangrou as pequenas economias até a exaustão, enquanto estufou os bolsos daqueles que puderam proteger-se adequadamente de seus efeitos devastadores. A economia brasileira, que vinha de um período de crescimento de cerca de 7% ao ano, passou a apresentar crescimento negativo, ou seja, regrediu.

Nessa mesma época os chamados â??tigres asiáticosâ? romperam a barreira da ignorância, investiram em capacitação e passaram a colher os frutos de sua visão de futuro, inserindo-se no mercado internacional num momento em que pouco se falava em â??globalizaçãoâ? . Hoje são potências econômicas.

Nós, que já tivemos nossa economia situada entre as oito maiores do mundo, à frente da Itália, vemos nossa participação cair ano a ano. Em 2003 já estávamos em 15º. lugar e hoje somos considerados a 70ª. no ranking das â??mais livres do mundoâ?.

Nunca o mundo viveu um período tão longo de crescimento contínuo. A economia mundial sempre teve seus movimentos registrados em â??ondasâ? que alternavam momentos de crescimento com períodos de recessão, o que não ocorre há dez anos.

Não existe um culpado único que justifique todos os problemas. Vivemos o resultado de uma sucessão de erros que pela falta de memória do brasileiro, são repetidos à exaustão.

Passamos por moratórias, confiscos, congelamentos, tablitas, muitos planos mirabolantes e um que funcionou no combate à inflação, mas nada que promovesse a confiança do investidor, esse sonhador que acredita na sorte de não ver seus projetos naufragarem a partir da ação de uma caneta insana e despreparada.

Estão aí os problemas do setor agropecuário, provavelmente o mais dinâmico do país, a demonstrar o que acontece quando se acredita na sorte e na boa vontade do Governo. Para esse setor, nas palavras de Roberto Rodrigues, ex-ministro da agricultura, â??O céu é o limiteâ?, no entanto, vive à espera de sinais do poder público que nunca vêm.

Secas e enchentes, gripe aviária e aftosa, estradas e aeroportos são questões econômicas, sim, e economia não é coisa para amadores nem para quem está instalado em um palanque eterno.

O Brasil investe 20% do PIB (Produto Interno Bruto). Destes, 19% são do setor privado e somente 1% é do governo â?? dos 38% que retira compulsoriamente de cada um de nós â?? no entanto é nesse segmento (de 1%!) que estão focadas as ações previstas no PAC. Afinal, não será o cachorro levando o dono ao passeio?

Para atingir os 5% de crescimento, existe uma rara unanimidade entre os economistas: é preciso aumentar o nível de investimento de 20% para 25% do PIB e para isso, é fundamental que o setor privado tenha segurança institucional.

Leis e acordos tem que ser cumpridos, licitações devem ter como princípios norteadores a eficiência e a eficácia, e não o interesse deste ou daquele agente, pagamentos devem ser feito na data do vencimento, mesmo que o pagador seja o setor público. Coisas básicas em qualquer lugar mas que neste país, têm sido simplesmente desconsideradas.

Como o esperado Programa de Aceleração não tocou nesses pontos, para ser mais esclarecedor, deveria ser chamado de CBD â?? Conversa para Boi Dormir ou adotar o singelo pseudônimo de PUM, cujo significado é conhecido de todos.

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Estuda-se o socorro aos frigoríficos

Parece que o governo descobriu a pólvora. Aliás, finalmente constata que sua atuação no campo tributário é a razão fundamental para o freio em diversos setores da economia. Mesmo antes da crise, qualquer analista verificava que a carga tributária crescentemente exagerada trazia desestímulo ao crescimento.

Os bons resultados com a redução de IPI para o setor automotivo aparentemente demonstraram o que é óbvio para qualquer brasileiro: pagamos impostos demais!

O segundo teste na redução da carga veio através dos materiais de construção, estes, na esteira de um programa habitacional meio desconjuntado mas o melhor que já tivemos.

Agora o governo estuda alternativas para ajudar os frigoríficos brasileiros em dificuldade, através da garantia de capital de giro.

Duas medidas poderiam injetar novos recursos em frigoríficos com situação delicada, mas sempre partindo do uso de até R$ 800 milhões em “créditos tributários” acumulados pelas indústrias em operações de exportação.

O BNDES deve finalmente se movimentar, e uma das alternativas estudadas seriam operações autorizadas por uma medida provisória, “carimbadas” e “casadas” com débitos de pecuaristas e dívidas trabalhistas.

A outra opção seria usar esses créditos tributários como garantia para novos empréstimos bancários ao setor.

As medidas têm apoio do Ministério da Agricultura e estão sob a avaliação direta do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, que é rápido no gatilho e um técnico extremamente competente.

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Conversa de surdos

O ministro Reinhold Stephanes em visita a Campo Grande declarou-se preocupado com a questão dos frigoríficos e disse que o problema está nos bancos, que não liberam os financiamentos.

Ora, não é por falta de banco do governo. Juntem-se Banco do Brasil, CEF, BNDES e resolvam o problema.

Se a dúvida é a empresa (no que eu concordo), restrinjam o crédito ao pagamento dos produtores, coloquem um fiscal em cada estabelecimento, mas, ajam, façam alguma coisa rápido.

Como pode o governo reclamar da agilidade do próprio governo?

O governador poderia ajudar levando a pauta fiscal para os níveis de preços praticados pelo mercado.

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Independência ou Morte (3)

Fosse este país realmente sério, tivesse uma imprensa combativa, capacitada e crítica, o Governador de MS teria graves problemas para se explicar com os pecuaristas deste estado.

Em 24 de Janeiro eu publiquei neste blog um texto (veja aqui) que demonstrava que o aumento da pauta fiscal, base para a cobrança de ICMS, que fora publicado no Diário Oficial, não tinha a menor lógica. Os preços do boi gordo estavam estáveis, abaixo do valor de pauta e os volumes de comercialização haviam despencado.

Em 06 de Fevereiro retornei ao tema e publiquei outro post (veja aqui) no qual contestava as afirmações da Secretaria de Fazenda de MS e sugeria que os argumentos estavam travestidos de científicos como forma de justificar outras intenções. 

Com o fechamento das unidades do Frigorífico Independência, abriu-se a possibilidade de especular (leia aqui o que escrevi em 27 de fevereiro). Afinal, anteriormente a pauta estava num nível que possibilitava aos produtores a comercialização em outros estados, em especial em São Paulo. Como os frigoríficos de lá pagavam mais, boa parte do rebanho estava sendo vendida em outras unidades da federação.

Evidentemente com o aumento – sem sentido – da pauta, os produtores não tiveram outra alternativa senão vender o boi gordo aos frigoríficos locais, Independência no meio.

Agora que a empresa quebrou, deixando dívidas milionárias junto aos pecuaristas, quem vem em socorro da classe?

Eu não crio gado, não vendi ao Independência e, portanto, não tenho interesse direto no tema mas, convenhamos, alguém precisaria começar a fazer as perguntas certas ao governador e seu time.

Estou cansado de ver a imprensa local fugir dos questionamentos realmente sérios como esse. Afinal, qual o problema em perguntar? Pode até ser que exista uma resposta coerente e que tudo não passe de elocubração de economista.

Enquanto isso, volto ao meu refrão dos últimos dias: Onde estão nossas entidades de classe? Onde está o Comitê de Gerenciamento da Crise?

PS: a redução da pauta fiscal do boi gordo anunciada ontem não foi capaz de igualar os valores de mercado (R$70/@) aos “arbitrados” pelo governo do estado (R$71,20/@).

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Independência ou Morte (3)

Em economia a interligação dos problemas é óbvia e os seus efeitos precisam ser acompanhados de perto.

Ontem publiquei aqui uma breve reflexão a respeito da importância do fechamento das unidades do Frigorífico Independência e da necessidade do mercado de se posicionar em relação ao tema (ver AQUI).

Os mais radicais com certeza se utilizarão da crítica fácil, alegando que no momento das “vacas gordas” (desculpe o trocadilho) os frigoríficos não dividiram seus lucros mas agora querem socializar o problema.

A questão é muito mais complexa. O fato é que a chamada “cadeia da carne” é um dos principais pilares da economia local e não pode ser tratada como se fosse de menor importância.

A situação do Independência agora começa a “respingar” nos frigoríficos pequenos e médios. Em condições normais, o fim de um concorrente acaba criando uma oportunidade para os demais. Só que não estamos em condições normais. Estamos no meio de uma crise internacional, que  trouxe uma retração do crédito e agora os bancos estão muito mais seletivos para a concessão de recursos.

Se antes os frigoríficos menores poderiam ser a válvula de escape para escoamento da produção dos pecuaristas, agora  acabam não conseguem ampliar suas escalas de abate exatamente porque lhes falta crédito.

Esse é o momento de estruturar uma atuação conjunta. Poder público, entidades de representação dos produtores e frigoríficos. O interesse é comum em solucionar o problema. Vamos deixar de lado os queixumes e partir para a ação!

Se lhes faltar imaginação, é só entrar em contato que eu posso sugerir diversas alternativas de arranjo para isso.

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Independência ou Morte? (2)

Está bem, o Independência tem problemas sérios. O Estado tem responsabilidade? Aparentemente não. Os negócios se complicaram em função da crise internacional e ao envolvimento do grupo em operações financeiras.

Ah, sim, nos projetos de viabilidade nem se aventou a possibilidade de que a coisa não funcionasse e o Estado concedeu a renúncia fiscal pretendida.

Ainda em Janeiro, provavelmente na tentativa de reforçar a escala do Frigorífico, a pauta fiscal foi aumentada para evitar que os melhores preços praticados nos estados vizinhos adiantasse o fechamento da empresa. Antes disso, os R$250 milhões concedidos pelo BNDES não foram suficientes para o rombo e não houve tempo hábil para receber os restantes R$200 milhões.

O problema é que os produtores ficaram absolutamente órfãos. Quem vendeu ao frigorífico obviamente está em situação delicada mas mesmo quem não o fez, tem problemas para colocar seu produto. � importante lembrar que o Independência foi o maior exportador de carne bovina do país até poucos meses atrás.

Várias questões devem ser colocadas:

1. Foi realmente uma surpresa a quebra da empresa? Não havia forma de saber o que estava acontecendo antes que o problema se instalasse com a intensidade observada?

2. Estabelecido o problema, onde estão os representantes dos pecuaristas, políticos ou da classe? Onde está a comunicação com o mercado? A transparência é essencial para transmitir alguma tranquilidade. 

3. O que será feito para evitar novos problemas? Será que os produtores vão, finalmente, parar de reclamar da “força dos frigoríficos” e entender que não podem continuar isolados – entre si e do mundo – e começar a propor linhas de ação que equilibrem a balança?

O mundo está muito diferente e não podemos imaginar que os negócios serão conduzidos como o eram há décadas. Nosso produtor rural precisa ser resgatado e instrumentalizado. O Brasil precisa de um agronegócio economicamente estável, de um ambiente de trabalho que possibilite o desenvolvimento de novas estruturas produtivas mais eficientes.

Se o Independência vai ou não renascer das cinzas é algo que não sabemos mas governo, instituições e produtores precisam se integrar com urgência num plano de resgate do mercado. E o pior é que para esses problemas, a vacina não se aplica no brete.

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Enquanto isso, em Liliput 2

A Europa está um caos, todas as economias do velho continente estão em recessão. Nos EUA ninguém pensa em estabilização antes de 2010 e crescimento é algo que nem o mais otimista consegue antever nos próximos anos. O desemprego por lá atinge níveis assombrosos.

A China lançou um novo pacote para tentar garantir um crescimento de 8% mas teve o comércio internacional reduzido em 20% no mês passado (importações e exportações). 

Por estas bandas, gente grande e pequena fecha as portas ou demite.

Mas, como sempre, na Ilha da Fantasia, o Ministério do Planejamento autoriza a contratação de quase 65 mil servidores públicos. � ou não é um contrasenso?

O PAC acumula dívidas, além de não conseguir cumprir cronogramas por pura incompetência do Estado para gastar e não por falta de dinheiro.

Para manter a gastança, adivinhe no bolso de quem vão meter a mão grande?

E só para lembrar que eu não estou assim tão errado ao criticar a carga tributária, o governo dos EUA determinou um corte de impostos para 95% dos americanos, coisa que venho insistentemente defendendo aqui há muito tempo.

Evidentemente, somos nós quem iremos pagar por mais esses servidores federais. Enquanto isso, na economia real, só o Frigorífico Indepedência, maior exportador de carne do país, está em vias de demitir 11 mil funcionários.

O leitor Valdir Dala Marta sugeriu um adjetivo para definir a incapacidade de fazer contas:  o termo é “Anumeral”.

A expressão é uma derivação de Analfabeto. Como a questão não é de leitura, mas de compreensão numérica, adoto, portanto o termo para dizer que, por incrível que pareça, o Ministério do Planejamento deve ser composto por servidores “anumerais” porque não conseguem compreender que não se pode extrair mais recursos de uma economia que está francamente debilitada.

Brasília é mesmo Liliput!

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