Recebi o texto diretamente do autor e resolvi publicá-lo aqui em função da sua qualidade, como forma de dividi-lo com você.
Boa Leitura
A Crise Mundial
Durante as décadas de 70 e 80 aprendi muito e fiz a minha formação de “trader” no mercado mundial de “commodities” com o inesquecÃvel Peter Marcy, meu parceiro novaiorquino.  Passávamos sempre alguns meses do
ano juntos e viajávamos visitando clientes no  Brasil, Argentina e Paraguai.  Nos Estados Unidos e na Europa. Ele era didático e  também uma enciclopédia em conhecimentos gerais.  Foi oficial do exército americano durante a segunda guerra mundial e após seu término ficou mais alguns anos na Alemanha, onde aprendeu a falar alemão fluentemente, e prestou serviços a várias entidades civis nesse  PaÃs, destroçado pela guerra.
Era um noctÃvago incorrigivel.  Creio que não existe trader da velha guarda, deste mundo,  que não o tenha conhecido e aprendido com suas lições em qualquer setor do agribusiness.
Faço questão de registrar algumas considerações feitas por ele.
Enquanto passeávamos  pelas práias de Copacaban e Ipanema, olhava para os morros e as favelas e dizia:  o que vai acontecer no dia em que os favelados descerem dos morros e invadirem os belos prédios, shoppings, hotéis, bares e restaurantes da orla?
Em 1973, em pleno “milagre econômico” do Delfim, cismava:  quanto tempo mais vai durar este milagre?  E o que virá depois?
As multidões de gente pobre quando começam e melhorar de vida, ou seja, a ganhar mais, a primeira coisa que fazem é comer melhor.  Comer carne, ao menos uma, duas, três vezes por semana, finalmente todos os dias.
Depois, melhoram a aparência, comprando roupas e sapatos mais chiques. A seguir compram casa e a mobiliam.  Finalmente, comprar um carro.  O primeiro é usado, depois, vão trocando até comprar um zero.  Viajam, pelo seu paÃs e pelo exterior, compram casa na práia, e melhoram a educação dos filhos. Frequentam teatros e cinemas.
Quando a situação inverte, como está acontecendo atualmente  em todo o mundo, não compram carro novo. Nos EUA as vendas de automóveis novos cairam 37% de março de 2008 para março de 2009, ou seja, 1.36 milhões
para 857.735 unidades, levando gigantes como a GM à falência.
As ações de nosso conhecido CitiGroup despencaram de Us$55,00 para 0,90 por ação, de setembro de 2008 para março de 2009.  Outros bancos centenários faliram em todo o mundo e outros foram salvos pelos governos.
Milhões de pessoas que se acostumaram a comer carne vermelha, inclusive a nossa, passaram a consumir carne suÃna e de aves, as mais baratas que existem.  DaÃ, em grande parte, a quebra de nossos frigorÃficos, porque seus compradores concelaram contratos em vigor e não fizeram novas encomendas.
Da mesma  forma não compraram sapatos novos de couros, mandaram consertar os que estavam usando ou compram os fabricados com materiais sintéticos, muito mais baratos.  As estatÃsticas o comprovam, vejamos:
Em 2008 o Brasil exportou 24.765.056 couros por Us$1.854.923.863, ao preço médio de Us$74,90. A previsão para 2009 é: 18.780.000 couros por  Us$1.010.700,000, ao preço médio de Us$53,82.
Comparando os  anos de 2007 para 2008 nossos principais importadores reduziram suas compras drásticamente, como segue:
Itália: menos 22%
China: menos 24%
Hong Kong: menos 31%
USA: menos 38%
México: menos 30%
Paises Baixos: menos 26%
Nota:  os dados acima são da revista COUROBUSINESS.
Nosso PaÃs é um dos mais importantes produtores de couros bovinos. Mas está completamente ausente do mercado de peles exóticas.  Tanto no mercado interno como no externo.  Produzimos milhões de peles de peixes que não são aproveitadas, além de couros de jacarés, avestruzes e outras.
Nesse setor o paÃs mais importante é o México.  Criou a melhor tecnologia de curtimento, acabamento e transformação das peles exóticas em sapatos, bolsas, cintos, casacos, vestidos, tapetes, etc.Anualmente, realiza na cidade de Leon, estado de Guanajuato, uma grande feira, a nÃvel mundial, promovida pela ANPIC – ASOCIACION NACIONAL DE PRODUCTORES Y INDUSTRIALES DE CUEROS.
Recomendo a todos os interessados a visitarem essa feita pois lá expõem fabricantes de máquinas e equipamentos, compradores e vendedores de matérias primas e produtos acabados.
Nosso querido Brasil não foi tão severamente atingido como outros paÃses, os chamados “desenvolvidos”.  Nosso governo tem tomado algumas medidas práticas, como redução de impostos para uma série de produtos, estimulado a construção civil, e muitos outros.
Falta o PAC deslanchar.  E a implantação de um plano de austeridade, redução de despesas supérfluas e acabar com corrupção e a impunidade, legal ou não, que, infelizmente impera em todos os quadrantes de nosso Brasil e
serve de mau exemplo para a juventude e para os cidadãos brasileiros de maneira geral.
Campo Grande, 21 de abril de 2009.
ALDAYR HEBERLE

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