Archive for the 'cana de açúcar' Category

Cana de Açúcar 3.0 – do Etanol à bioeletricidade e hidrocarbonetos

Inovação Tecnológica

Do açúcar ao etanol, e daí para a eletricidade, para os plásticos e, finalmente, até os hidrocarbonetos. Para Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), essa é a rota de utilização da cana a ser seguida pelas atividades de pesquisa científica e tecnológica nos próximos anos.

“Ã? muito provável que, daqui a dez anos, o Brasil esteja investindo em estudos e na produção de hidrocarbonetos a partir de açúcares convencionais, quando a cana poderá dar origem a um combustível de terceira geração, principalmente se o preço do petróleo voltar a patamares elevados”, disse.

Novas rotas de utilização da cana

“Essas novas rotas de utilização da cana são uma possibilidade extremamente concreta e bem próxima da realidade. Pelo menos uma dezena de empresas americanas está investindo pesadamente nessa área, seja por vias biológicas ou não biológicas. Essa nova fronteira acontecerá tão mais rápido quanto maiores forem a escassez do petróleo e os problemas do clima”, afirmou.

Segundo Jank, atualmente as pesquisas e suas aplicações estão entrando na era da eletricidade gerada a partir da cana-de-açúcar e também é muito provável que, em poucos anos, a maior parte do bagaço e da palha da cana seja usada para a geração de energia elétrica, “que hoje é o mercado demandante, uma vez que já existe um excedente de etanol no mercado devido à expansão da indústria nacional nos últimos anos”.

Energia contida na biomassa

Dois terços da energia da cana-de-açúcar, seja para a produção de biocombustíveis ou eletricidade, têm origem na biomassa da gramínea, explicou o presidente da Unica, entidade que reúne 127 empresas industriais associadas.

Segundo ele, a energia contida nas plantações de cana do país apresenta potencial estimado da ordem de 14 mil megawatts, o que representaria “duas usinas de Itaipu adormecidas nos canaviais brasileiros”.

Bioeletricidade

“O potencial de crescimento da eletricidade de cana, a chamada bioeletricidade, é surpreendente, devendo passar dos atuais 3% da matriz energética nacional para cerca de 15% em 2020, isso considerando apenas a utilização do bagaço e da palha da cana que está plantada atualmente no Brasil”, apontou o também professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

A biomassa da cana é considerada ainda, de acordo com Jank, uma matéria-prima cada vez mais importante para a indústria da alcoolquímica, com destaque para os plásticos verdes e uma série de outros produtos que podem ser feitos além do etanol.

“Estamos diante de um emaranhado de possibilidades e as experiências brasileiras ainda estão à frente do ponto de vista global, mas essa dianteira ainda não está garantida e dependerá de muito investimento em pesquisa e desenvolvimento na área, além da definição de uma nova agenda de pesquisa para a cana no mundo da energia”, destacou.

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“Sem Terra” não pode ser “Sem Lei”

O Supremo Tribunal Federal considera crime desde 2002!

“O emprego da força e a invasão de prédios públicos ou imóveis rurais com o objetivo de constranger o governo a expropriar terras para reforma agrária é crime. A ação não deve e não pode ser financiada com dinheiro público”.

O entendimento é do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, exposto em 2002, quando o Plenário da corte julgou constitucional a Medida Provisória 2.183/01.  A regra proíbe o repasse de recursos públicos a entidades, organizações, pessoas jurídicas ou movimentos sociais que participem ou colaborem com invasão de imóveis rurais ou de bens públicos.

Mas se o Ministro Celso de Mello se manifestou foi em resposta a uma ação. A ação em questão é uma Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada pelo PT contra a MP editada do governo Fernando Henrique.

Crime? E daí?

Em 21 de fevereiro, grupos de sem terra ligados a José Rainha Júnior, ex-presidiário e líder dissidente do MST, invadiram 20 fazendas no Pontal do Paranapanema (SP) e mataram quatro seguranças em São Joaquim do Monte (PE). Foi o chamado Carnaval Vermelho, uma ação coordenada de cerca de 2 mil militantes dessa organização “semi-terrorista”, que não respeita decisões legítimas ou mesmo a constituição federal.

No último dia 25 de fevereiro o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo, criticou as invasões ocorridas e cobrou atuação do MP para verificar a legalidade dos financiamentos públicos ao movimento, lembrando que o repasse de dinheiro público a quem comete crimes é ilegal.  Mendes ainda acrescentou que â??O termômetro jurídico sinaliza que há excessos e é preciso realmente repudiá-losâ?, afirmou.

Até mesmo o TCU se manifestou

O presidente do Tribunal de Contas da União, Ubiratan Diniz de Aguiar, determinou no dia 26 de fevereiro que a assessoria técnica do tribunal faça um levantamento dos processos que tratam do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.

No Ministério Público Federal de São Paulo e Pernambuco, procuradores já investigam irregularidades nos repasses de dinheiro do governo federal ao movimento.

Só para ajudar a compreensão, sabe-se que os recursos transferidos ao MST somente, aproximam-se de R$50 milhões. Nada mal para uma organização que não tem personalidade jurídica, que tem como ícone um ex-presidiário e que consegue simplesmente ignorar a lei em todas as suas ações.

E em Mato Grosso do Sul?

O que está acontecendo realmente não se sabe, mas as movimentações são consistentes e indicam um agravamento das tensões no campo. Talvez seja só coincidência o fato de que as eleições se aproximam e que as peças do tabuleiro estejam sendo posicionadas.

Não bastassem os problemas externos, os produtores rurais, responsáveis pelo desempenho das exportações e, em consequência, de grande parte da economia nacional, voltam a conviver com o oportunismo de lideranças políticas que pretendem gerar o caos no setor que é está entre os de maior eficiência no mundo todo.

Os acampamentos da região do Correntes, em Dois Irmãos do Buriti, são bons exemplos. Quem pensou que o assentamento das famílias do antigo acampamento à beira da BR acabaria com a tensão, enganou-se. Não só o acampamento retornou, ainda maior, como se multiplicou em direção à sede do município.

As ações são evidentemente organizadas. Instalações perigosas surgem em locais perigosos, sem o menor respeito a qualquer legislação. Repentinamente os ocupantes se mudam para outro acampamento, evidentemente a partir de uma orientação “superior”, possivelmente atendendo a interesses “superiores” .

O desrespeito ao meio ambiente é flagrante e seria objeto de ação imediata do MP caso fosse cometido por proprietários rurais. A ameaça constante de invasões leva a uma tensão crescente, num país onde supostamente existe um Estado Democrático de Direito, onde a propriedade privada é reconhecida pela Lei Maior.

O que fazer?

Exigir o cumprimento da lei é a única forma de enfrentar o problema. � preciso que as discussões político-ideológicas sejam postas de lado em favor da estabilidade da democracia.

Uma lição básica de Maquiavel é aquela que estabelece que “não há vazio de poder”. A ausência do Estado propicia uma infinidade de desvios que podem ser – e normalmente o são – aproveitados de forma pouco ética. Exemplo disso são as “escolas itinerantes” que, embora travestidas dos mais altos objetivos, são (ou eram) utilizadas como forma de garantir a disseminação ideológica entre as crianças dos acampamentos. 

O Estado brasileiro é caro, ineficiente e ineficaz. Cabe a nós, cidadãos, exigir-lhe que cumpra seu papel. 

A sociedade brasileira produtiva e cumpridora das leis está cada vez mais acuada. Não bastassem os problemas inerentes às suas atividades, sente a pressão da crescente carga tributária, da violência na cidade e no campo, dos problemas internacionais, dos conflitos de interesses e da franca, aberta e absolutamente indiscutível  afronta ao princípio da igualdade estabelecido na Constituição Federal.

Cumpra-se a Lei. Nada mais!

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Cana-de-açúcar made in Brazil 2

� assombroso o que pode o ser humano quando os esforços são orientados.

O mundo tem acompanhado – e muitas vezes se manifestados contrariamente – o desenvolvimento da tecnologia de produção do etanol. Neste espaço eu tenho dedicado com alguma freqüência menções ao tema e, em especial, às vantagens do ciclo de produção do etanol como substituto dos combustíveis derivados do petróleo.

Já comentei em outros textos o desenvolvimento do que se convencionou chamar de etanol de segunda geração, obtido a partir da celulose presente no bagaço e na palha da cana-de-açúcar. A aplicação dessa tecnologia trará um aumento de 30% na produção do combustível na mesma área cultivada, reduzindo substancialmente o impacto ambiental já altamente favorável quando comparado a petróleo-derivados.

Agora a mais interessante novidade nessa área vem da área de pesquisa em transgênicos. Cientistas brasileiros associados a suecos, estão estudando o processo de fotossíntese da planta para promover o aumento da produtividade a partir da manipulação genética. Leia AQUI a matéria completa publicada pela FAPESP.

Isso é conhecimento aplicado. � disso que precisamos. Mais pesquisa, mais conhecimento.

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A conexão Lula & Obama

Assinados por Lula e Bush em março de 2007, os acordos de fornecimento de agrocombustíveis brasileiros, principalmente etanol, ao mercado dos EUA vão se tornando questões de Estados mais depressa do que registra a nossa imprensa, eternamente preocupada com os Sarneys da vida.

Aqui e acolá, os nomes escolhidos para ocuparem cargos-chave, nos governos e entre as empresas do setor, mostram que está em curso uma aliança estratégica entre os dois países no campo do etanol de segunda geração, que utiliza organismos geneticamente modificados para fazer combustível a partir de qualquer tipo de material orgânico. Os termos dos acordos, aliás, nunca foram tornados públicos pelo Itamaraty.

Leia o artigo completo AQUI

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Biocombustíveis segundo a Economia Ecológica

Um estudo feito nos Estados Unidos chegou à conclusão que substituir a gasolina ou o etanol de milho por etanol celulósico pode ser ainda melhor do que se imaginava para a saúde e o meio ambiente.

Segundo a pesquisa, o etanol celulósico tem menos efeitos negativos sobre a saúde humana por emitir menores quantidades de matéria fina particulada â?? um componente especialmente danoso da poluição atmosférica.

Já havia sido demonstrado que o etanol celulósico e outros biocombustíveis de última geração emitem também níveis mais baixos de gases de efeito estufa, mas o novo estudo amplia a discussão dos impactos econômico-ecológicos.

Ele valora o impacto econômico de três combustíveis (etanol celulósico, etanol de milho e gasolina) para o meio ambiente e a saúde humana. Dependendo dos materiais e tecnologias utilizados na produção, os custos do etanol celulósico para o meio ambiente e a saúde não chegam à metade dos custos da gasolina.

No entanto, os custos do uso do etanol de milho são no mínimo iguais aos da gasolina, podendo chegar até o dobro.

O estudo apresenta os seguintes custos por galão, para a saúde e o meio ambiente:

  • Gasolina: US$ 0,71
  • Etanol de milho: entre US$ 0,72 e US$ 1,45 (dependendo da tecnologia usada na produção)
  • Etanol celulósico: de US$ 0,19 a US$ 0,32 (dependendo da tecnologia e do tipo da matéria prima).

Seria extremamente importante aproveitar a linha de pesquisa e avaliar, sob os mesmos critérios, o etanol de cana-de-açúcar.

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Cana de açúcar Made in Brazil (forever)

A crise internacional está gerando um rearranjo importante em todos os setores da economia e não seria diferente no agronegócio.

Ontem fui entrevistado pelo portal “Canal da Cana” a respeito dos possíveis reflexos da internacionalização dos investimentos na produção de etanol no Brasil.

� importante que tenhamos clara a noção de que dinheiro não tem pátria. Investidor é um tipo muito arisco e que costuma correr para onde vê melhores oportunidades e, sem sombra de dúvida, o Brasil é uma oportunidade ímpar de investimento.

Especialmente quando falamos de cana-de-açúcar e de etanol, somos o que há de melhor (em termos técnicos, benchmarks) no mundo, o que tem sido utilizado em muitos discursos políticos ufanistas. Até aí, está tudo  certo!

Mas eu tenho uma preocupação: a construção do Conhecimento e a geração de Inovação são processos ininterruptos e infindáveis.

No Brasil não costumamos dar muito pouca importância à pesquisa e gostamos muito de exaltar sempre as nossas mesmas “bondades” (somos hospitaleiros, somos alegres, somos criativos, somos bons de bola, de samba, bonitos por natureza, nossas mulheres, nossas praias, nossas matas… blá blá blá). 

Sim, é verdade que somos muito bons na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar e que controlamos a melhor tecnologia. Mas também é verdade que o mundo não está parado olhando nosso retumbante sucesso.

Empresas de tecnologia do vale do silício estão trabalhando com subsídios do governo americano para desenvolver combustíveis e fontes de energia renováveis, empresas européias são cada vez mais eficientes na conversão de energia eólica, a Austrália tem enormes bancos de celulas fotovoltaicas no deserto.

Não podemos ficar “deitados em berço esplêndido”. Que sigam as pesquisas porque atrás vem gente.

Veja a reportagem completa de Anderson Viegas AQUI

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Acrílico de açúcar… Mais uma aplicação para a cana

A biotecnologia está transformando açúcar em acrílico. O Dr. Thore Rohwerder, da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha,  e sua equipe, descobriram uma enzima que pode ser utilizada como um precursor biotecnológico – uma matéria-prima intermediária de origem biológica – para a fabricação do polimetil metacrilato, mais conhecido como acrílico.

Em comparação com os processos atuais adotados pela indústria química, a nova rota biotecnológica é muito mais ambientalmente benigna.

Para nós, brasileiros, além do aspecto ecológico,  já que o cultivo é ambientalmente sustentável, temos a comemorar o fato de sermos os maiores produtores de cana-de-açúcar.

Vamos acompanhar!

Leia mais AQUI

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Etanol de segunda geração é essencial à sustentabilidade dos biocombustíveis

Thiago Romero - 26/12/2008 – Inovação Tecnológica

Etanol de segunda geração

O etanol de segunda geração, produzido a partir da celulose, presente nos resíduos da cana-de-açúcar e em outras matérias-primas vegetais, é uma alternativa fundamental aos cerca de cem países capazes de produzir o combustível renovável e que desejam fazê-lo sem prejudicar a produção de alimentos.

O cenário foi destacado por Christoph Berg, diretor geral da F.O. Licht, consultoria alemã do mercado de commodities durante a sessão plenária que abordou o tema da segurança energética na Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, que reuniu delegações de 92 países em São Paulo para a discussão dos desafios e oportunidades dos biocombustíveis.

“Do ponto de vista da oferta, as tecnologias de primeira geração deverão garantir um crescimento relativamente constante no mercado do etanol até 2018. A partir daí, os produtores mundiais precisarão de tecnologias da geração seguinte. Caso contrário, teremos o limite da oferta em relação à competição entre o uso da terra para a geração de energia e a produção de alimentos”, alertou.

Participação do etanol no mercado de combustíveis

Berg, que é membro do Grupo Consultivo sobre Biocombustíveis da Comissão Européia, apontou que o etanol, nesse período de tempo, tem capacidade de atingir uma participação no mercado global de combustíveis de até 10%, considerando a estrutura tecnológica atual.

“Uma participação de mercado maior do que essa só seria alcançada com o domínio das tecnologias do etanol de segunda geração, que poderão prover os necessários metros cúbicos extras do biocombustível por hectare”, afirmou.

Etanol da biomassa

O etanol de segunda geração, uma alternativa para o uso energético da biomassa, pode ser obtido a partir da tecnologia de lignocelulose, que utiliza o bagaço e a palha da cana com vantagens ambientais e econômicas.

Calcula-se que esses compostos orgânicos, hoje praticamente sem valor comercial, correspondem a cerca de 50% da biomassa terrestre. A produção de etanol da lignocelulose extraída desses materiais é feita com tecnologias ainda em fase de aperfeiçoamento. A transformação pode ser feita com uso de ácidos (hidrólise ácida) ou de enzimas (hidrólise enzimática).

Insustentabilidade dos combustíveis fósseis

O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Richard Jones, divulgou dados do relatório anual da entidade sobre o estado atual da economia de energia mundial e as possibilidades para o futuro. Segundo ele, a tendência atual de uso dos combustíveis fósseis é “insustentável” tanto do ponto de vista ambiental como do econômico e social.

“A má notícia do relatório é que a utilização mundial de gás, carvão e petróleo continuará aumentando, assim como as emissões de gases de efeito estufa provenientes desses combustíveis. O resultado poderá levar a um aumento na temperatura global de cerca de 6ºC nas próximas décadas”, disse o diplomata norte-americano, que foi embaixador dos Estados Unidos em Israel, Kuait, Cazaquistão e Líbano.

Corte nas emissões

Esse crescimento do uso e das emissões pode ser evitado, na opinião de Jones, por meio de um esforço conjunto mundial que busque uma economia baseada na diversificação das fontes de energia, melhorando não apenas a eficiência das já existentes como também criando tecnologias novas, especialmente no setor dos biocombustíveis, devido à sua representatividade crescente nos transportes.

“Estima-se que a utilização dos biocombustíveis no setor de transportes crescerá dos atuais 1,5% para cerca de 8% em 2030. A previsão para 2050 é de 26% de participação. Sabemos que o potencial de crescimento dos biocombustíveis é ainda maior e as pesquisas brasileiras com o etanol de cana-de-açúcar têm mostrado isso”, destacou.

O petróleo responde por cerca de 99% do consumo de energia pransporte rodoviário no mundo e, segundo projeções da Agência Internacional de Energia, a demanda energética nesse setor poderá crescer até 38% nos próximos 20 anos.

Alternativas energéticas

O especialista em bioenergia do Imperial College London, Richard Murphy, falou sobre um importante caminho a ser trilhado se o destino final é ter um futuro seguro do ponto de vista energético em nível global. “Primeiro, os países precisam ter certeza de que os biocombustíveis produzidos irão de fato mitigar as emissões dos gases de efeito estufa, de modo a estancar as alterações climáticas”, alertou.

“Há várias formas corretas de garantir isso, como o investimento em pesquisa e desenvolvimento e a criação de políticas públicas que permitam a drástica diminuição de gases estufa em comparação aos combustíveis fósseis”, disse.

Murphy ressalta que o Reino Unido não tem capacidade instalada para cultivar toda a biomassa necessária para garantir o desenvolvimento limpo da frota de veículos do país.

“Vamos depender muito do restante do mundo para a compra de biocombustíveis. Gostaríamos de ser parceiros de outros países no desenvolvimento de alternativas energéticas”, disse o também membro do grupo de trabalho do Plano de Pesquisa sobre Bioenergia do Reino Unido.

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A crise, reflexos distorcidos e soluções óbvias

  • Pelo menos 6% dos canaviais ou 29,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar deixaram de ser colhidas no Centro-Sul do País, a principal região produtora. A sobra de 330 mil hectares de cana em pé é explicada como sendo um dos efeitos da desaceleração dos investimentos no setor provocada pela crise internacional.
  • No interior de São Paulo, pelo menos 10 usinas que deveriam entrar em operação este ano não ficaram prontas.
  • Em Mato Grosso do Sul, dos 43 projetos com operação prevista até 2018, cerca de 20 já sofreram corte de recursos.

Será que realmente podemos explicar esses fatos a partir da crise financeira? Não estaríamos vivendo um momento de reordenamento do setor? Ou estão faltando ações para demonstrar ainda mais claramente as vantagens do etanol sobre o petróleo?

O problema é que estes são investimentos que devem ser mantidos sob pena de perdermos o “bonde da história”. O Brasil detém as melhores condições edafoclimáticas (de solo e clima) e tecnologia para a produção de etanol a partir da cana de açúcar, neste momento, o mais viável substituto renovável e sustentável ao combustível fóssil.

Ainda que os preços do barril de petróleo tenham despencados momentaneamente dos US$147 em Julho para US$37 em Dezembro, é óbvio que esses preços não se manterão e, ainda que isso fosse possível, os reflexos da utilização do petróleo para o aquecimento global já são suficientemente conhecidos, o que o torna absolutamente insustentável.

O desenvolvimento do mercado de etanol é uma questão estratégica, não só para o Brasil, mas para o mundo, que precisa ter alternativas viáveis ao uso do óleo.

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Brasil produzirá diesel a partir da cana-de-açúcar

O mesmo caldo de cana que serve como matéria-prima para a produção de açúcar e álcool servirá em breve, também, para a produção de diesel. A nova tecnologia, desenvolvida pela empresa Amyris, da Califórnia, vai ser colocada em prática no interior paulista em 2010, em sociedade com a Votorantim Novos Negócios e a Usina Santa Elisa, de Sertãozinho. A meta é produzir 400 milhões de litros no primeiro ano e 1 bilhão de litros, em 2012.

O processo é muito parecido com o da produção de álcool combustível, que utiliza leveduras – um tipo de fungo microscópico – para fermentar os açúcares presentes na cana e secretar etanol. A diferença crucial – que foi a grande inovação produzida pela Amyris – está no DNA da levedura, que foi geneticamente modificada para secretar diesel no lugar de álcool.

“Não é biodiesel. Ã? diesel mesmoâ?, diz o biólogo Fernando Reinach, diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios (VNN), fundo de investimento de risco do Grupo Votorantim, que financiou parte da pesquisa. O resultado da fermentação é uma molécula chamada farneceno, com 12 átomos de carbono, que tem todas as propriedades essenciais do diesel de petróleo, mas nenhuma da indesejadas, como a mistura de enxofre – um poluente altamente prejudicial à saúde. Enquanto o diesel de petróleo – e mesmo o biodiesel de óleos vegetais – contém uma mistura de várias moléculas combustíveis, o diesel de cana tem apenas o farneceno, que pode ser usado diretamente no motor. “Ã? um combustível super puroâ?, disse o diretor-executivo da Amyris, o português John Melo, que esteve em São Paulo ontem para anunciar o projeto.

O diesel de cana-de-açúcar – além de ser livre de enxofre, o que reduz o impacto sobre a poluição urbana – é renovável em relação ao carbono que emite para a atmosfera, o que reduz o impacto sobre o aquecimento global. A exemplo do que já ocorre com o etanol, o gás carbônico que sai do escapamento é reabsorvido, via fotossíntese, pela nova cana que está brotando no campo. Quando a cana é colhida, o carbono é convertido novamente em combustível, reemitido, reabsorvido e assim por diante.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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