Archive for the 'Agronegócio' Category

[Entre Haspas] A Igreja Católica, o PT, o MST e os Direitos Humanos

Como comentário ao artigo postado ontem ( Para onde estamos indo? ), recebi um texto interessante de autoria de João Bosco Leal, que reproduzo a seguir.

Você pode lê-lo também  no site onde foi publicado originalmente: João Bosco Leal – MNP

A Igreja Católica, o PT, o MST e os Direitos Humanos

Em outubro do ano passado, todo brasileiro pôde assistir, pelas emissoras de televisão, as imagens criminosas do MST derrubando 12.000 pés de laranja produzindo, na fazenda do grupo Cutrale, líder mundial na produção de suco de laranja e um dos maiores exportadores do país.

Na semana passada, a Justiça emitiu vinte ordens de prisão contra os líderes do grupo. Após cumprir parte da ordem, a polícia mostrou um vídeo, apreendido na casa do chefe local do MST, Miguel Serpa, onde o mesmo aparece, momentos antes da invasão, incitando seus comparsas: “Viemos aqui para, no mínimo, dar prejuízo”.

Como presidente da Cocafi, uma cooperativa de prestação de serviços aos assentados da região de Iaras, município onde se localiza a fazenda invadida, Serpa assinou junto ao INCRA, no ano de 2007, um convênio no valor de R$ 13,4 milhões, mostrado esta semana pelo Jornal Nacional.

O compromisso era explorar a madeira e, com o dinheiro arrecadado, realizar melhorias no assentamento, sendo que, de acordo com os assentados, nada foi feito. Agora, Serpa responde na Justiça por desvios de recursos obtidos com a venda de madeira do INCRA, numa operação cujo prejuízo aos cofres públicos foi calculado em R$ 4 milhões.

Em outro vídeo, o ex-prefeito de Iaras, Edson Xavier, do PT, e a esposa de Serpa, vereadora também do PT, chamada Rose MST, aparecem dizendo aos invasores o que eles deveriam fazer para destruir as lavouras e os equipamentos.

A polícia também encontrou, em um assentamento do MST próximo, toneladas de adubo, defensivos agrícolas, máquinas, motores, ferramentas, combustíveis, mudas de laranja e até computadores pessoais dos funcionários, tudo roubado da fazenda invadida, identificado através de números de série e pelos funcionários da propriedade. Também foi encontrada, no mesmo assentamento, uma arma Winchester calibre 44, de uso exclusivo das forças armadas.

Após toda essa bandidagem, leio agora um manifesto da Comissão Pastoral da Terra, CPT, órgão da Igreja Católica que patrocina invasões de terra, criticando a “espetacularizção” das prisões desses bandidos.

O texto diz: “A imagem de Miguel Serpa [líder do MST] algemado foi estampada nos jornais e veiculada nos noticiários dos canais de televisão brasileiros. Onde estão o presidente do STF, Gilmar Mendes, e os demais ministros do Supremo e os políticos tão ciosos da preservação da dignidade humana? Por acaso se ouviu da parte deles a condenação do abuso da ação policial na prisão dos trabalhadores?”, questiona a CPT.

“O que é mais grave, a destruição de alguns pés de laranja ou o assalto aos cofres públicos? Na interpretação das mais altas autoridades do Judiciário, quem desvia recursos públicos, quem se locupleta com os bens da nação, merece um tratamento cuidadoso, pois sua dignidade não pode ser arranhada”.

Nos últimos anos, a Igreja Católica vem se envolvendo cada vez mais em assuntos distintos daqueles para o qual foi criada, a evangelização, tornando-se uma das maiores, ou a maior incentivadora das invasões de terras, tanto por sem-terras através da CPT, como por índios através do CIMI.

Agora, pelo manifesto, briga para que bandidos presos não possam usar algemas, pois não é “digno”, como também o fizeram lideranças do PT e do MST realizando diversas manifestações contrárias às prisões, inclusive no Fórum Mundial Social que ocorria durante a semana. Para a sociedade brasileira, ficam cada vez mais claros os elos que envolvem a Igreja, o MST e o PT.

Parece que “digno”, para a Igreja, a CPT, o CIMI, o PT e o MST, é destruir, roubar, matar e poder continuar aplicando golpes contra o estado de direito, a democracia e a convivência em sociedade, sem ser molestado, sem que ocorra nenhum tipo de consequência, pois o governo é do PT.

A Igreja comparou, no manifesto, a gravidade dos que destroem “alguns” pés de laranja com a dos que assaltam os cofres públicos, para se referir ao tratamento utilizado pela polícia. Não é necessário haver comparação, pois, assim como os assaltantes do patrimônio público, os invasores, destruidores e ladrões de propriedades rurais, de casas, de veículos, ou os traficantes dos morros cariocas, são TODOS BANDIDOS, TANTO QUANTO OS PADRES PEDÓFILOS.

A CPT, o CIMI, o MST e o PT ainda não promoverem nenhuma manifestação em favor dos que já foram roubados, humilhados ou morreram nessas invasões. Também nunca se pronunciaram em apoio aos familiares dos soldados mortos em combates com traficantes ou das crianças molestadas sexualmente.

Se estas entidades querem falar sobre Direitos Humanos, vamos falar sobre o direito de todos, e não só sobre o dos “companheiros” envolvidos na luta pela mudança do regime político no país, agora através da tomada generalizada do Poder Constituído, já que muitos deles tentaram, em outra ocasião, através dos diversos assaltos e crimes cometidos na guerrilha armada, e não conseguiram.

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Além de soja, exportamos cérebros

Por André Faust – Exame/negócios

O agrônomo paulista Cláudio de Oliveira era coordenador de desenvolvimento de produtos na subsidiária brasileira da Basf no ano 2000 quando se deparou com uma situação digna de fábula infantil. Meses após o lançamento de um fungicida (produto usado no combate a fungos), Oliveira começou a receber relatos de agricultores de todo o país. Eles diziam que, além do controle de parasitas, o produto estaria gerando vegetais mais verdes, maiores e mais produtivos. O fenômeno deixou os pesquisadores eufóricos. Sob coordenação de Oliveira, a Basf brasileira iniciou uma investigação dos supostos efeitos extraordinários do fungicida, envolvendo pesquisadores de uma dezena de universidades. Seis anos após os primeiros relatos, os produtos do selo AgCelence — criado com o resultado das pesquisas lideradas por Oliveira — tinham potencial de venda avaliado em 500 milhões de euros anuais. Dos Estados Unidos à Itália, o conceito passou a ser adotado em filiais da Basf pelo mundo. No final de 2007, o sucesso da descoberta levou à transferência de Oliveira para a matriz da multinacional, na Alemanha. Num laboratório situado em Limburgerhof, ao sul de Frankfurt, ele hoje coordena a equipe global de desenvolvimento de fungicidas. “Fui chamado para reproduzir aqui a experiência que desenvolvemos no Brasil”, diz.

Casos como o dele mostram que o agronegócio brasileiro não se limita a exportar commodities como soja e açúcar. Os cérebros também conquistam espaço lá fora. “Nossas competências estão avançando muito em termos globais”, afirma Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas de São Paulo. Um bom indicador é o número de brasileiros que trabalham em multinacionais do setor espalhados pelo mundo. Na Basf, há 29 expatriados do Brasil. Nas unidades da americana Monsanto, há 16. No grupo suíço Syngenta, são 14. Na também americana John Deere, 12. A ideia de que estadas no exterior são apenas etapas de qualificação na carreira ficou para trás. “Hoje, os brasileiros são transferidos não apenas para aprender, mas especialmente para ensinar”, afirma Ricardo Miranda, diretor da Monsanto do Brasil.

Do campo aos laboratórios, a demanda por conhecimentos e práticas aprimoradas por brasileiros é diversificada. Em março, o engenheiro de produção Rodrigo Abud, de 30 anos, deixou o posto que ocupava na Syngenta em São Paulo para assumir na Suíça o desenvolvimento, em dez países do Leste Europeu, de uma solução de negócio em que ele já acumulava cinco anos de experiência e bons resultados no Brasil. Pelo modelo, o produtor tem a opção de pagar parte da compra de sementes e defensivos com sacas de produto ao final da colheita. Por trás da aparente simplicidade do modelo, há uma operação financeira que envolve cálculos e projeções dos preços no mercado futuro e a logística de entrega da produção. A complexidade é maior quando se considera que isso é feito ao mesmo tempo com milhares de agricultores. A solução contorna a crônica escassez de crédito no campo — problema comum a economias em desenvolvimento. “O cenário no Leste Europeu hoje é muito semelhante ao que encontrávamos no Brasil há alguns anos”, diz Abud.

O caso mais evidente da difusão de tecnologias e de competências brasileiras no agronegócio é o processo de internacionalização da Embrapa. A primeira incursão da Embrapa no exterior data de 1998, com a instalação de um laboratório de cooperação científica em Maryland, nos Estados Unidos. Hoje, a estatal mantém outros três laboratórios em países da Europa e na Coreia. Na África, em novembro de 2006, foi inaugurado em Acra, capital de Gana, o primeiro escritório de transferência de tecnologia da Embrapa no exterior. Em menos de três anos, o escritório foi procurado por 35 países. “Atendemos demandas de países que conhecem o sucesso do Brasil na área agrícola e querem reproduzir nossos conhecimentos”, afirma o agrônomo Paulo Galerani, funcionário da Embrapa em Gana. Agora, a empresa estuda a criação de uma unidade em Moçambique. Para Chade, Mali, Burkina Faso e Benim foi criado o programa Cotton 4, que transfere tecnologia de produção de algodão. A presença da Embrapa na África também tem servido para a ligação de empresas brasileiras do agronegócio com governos e grupos privados africanos interessados em obter tecnologia. “Recebemos pelo menos uma demanda por semana”, diz Galerani. As intermediações já deram origem a vendas de sementes, máquinas e fábricas completas. “O potencial do mercado africano para as empresas brasileiras é enorme”, afirma Mark Lundell, especialista em agricultura do Banco Mundial. “A Embrapa está se transformando numa abridora de portas para elas.”

Em alguns casos, a exportação de conhecimento se dá em níveis mais básicos. Há dois anos, o agrônomo goiano Rodrigo Camargo foi contratado pela agropecuária Muguidjana, empresa controlada pelo grupo português Thanda Vantu, para a execução de um projeto de pecuária no norte de Angola. Assolado por uma guerra civil que durou três décadas, o país havia perdido a pouca tradição que tinha no trato com o gado. “Tive de ensinar como tocar uma fazenda praticamente do zero”, diz ele. Os ensinamentos hoje ficam a cargo de 20 técnicos brasileiros que foram enviados ao país para treinar 70 angolanos que moram na propriedade. A rotina passa por aulas de montaria a cavalo, manejo de tratores e instalação de cercas. “Agora os angolanos já fazem sozinhos boa parte do trabalho”, diz Camargo. Sim, mas com jeito brasileiro.

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II Festival de Tecnologias Sociais e Economia Solidária

Nos dias 01 e 02 de outubro o SOLTEC – Núcleo de Solidariedade Técnica da UFRJ e o Fórum Estadual de Economia Solidária realizam o II Festival de Tecnologias Sociais e Economia Solidária, cujo tema desse ano será Territórios em Rede.

O Festival está organizado em três partes: Troca de Saberes, Trocas Culturais e a Feira de Produtos e Serviços e acontecerá no Campus do Fundão (Cidade Universitária) , no Centro de Tecnologia.

Nas Trocas de Saberes na manhã do primeiro dia teremos uma mesa será sobre tecnologias sociais, economia solidária nos territórios e no segundo o debate é sobre as experiências das fabricas recuperadas pelos trabalhadores. � tarde, com uma programação simultânea, o público terá de escolher entre os eixos temáticos: culturas tradicionais e etnodesenvolvimento, agroecologia e agricultura familiar, rede de gestores e políticas públicas, tecnologia da informação e comunicação, cadeias e rede solidária de resíduos e estratégias de formação em economia solidária.

Na Feira o visitante terá oportunidade de conhecer e comprar os produtos e serviços oferecidos pelos empreendimentos de Economia Solidária, que incluem artesanato, alimentação natural, roupas customizadas e objetos de decoração. Os interessados poderão se inscrever nas Oficinas de reciclagem de papel, fotografia e de aquecedores soar. Uma novidade deste ano será a Feira de Trocas, onde não é permito o uso de dinheiro. Quem tiver alguma coisa que não precise, pode levar e negociar por outra que tenha interesse.

Nos dois dias a programação dura o dia inteiro e terá no intervalo do almoço um gostoso e variado cardápio oferecido pelas Trocas Culturais.

A programação reúne produções da universidade e da cultura popular e inclui exposições, dança, performance e poesia. Após os debates, no final da tarde, o programa reserva momentos de descontração com espetáculos de jongo e samba de roda.

Os trabalhadores/as da economia solidária poderão participar de um curso de formação, que será concluído durante o Festival. As inscrições para esse curso serão feitas através dos Fóruns Locais de Economia Solidária.

Toda a programação é gratuita, mas como diversas atividades têm número de vagas limitadas a preferência de participação será de quem se inscrever primeiro. Portanto não perca tempo. As inscrições podem ser feitas diretamente pelo site do Festival.

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Cartilha dos produtos orgânicos

Este tema é daqueles divulgados na Internet e dos quais não se consegue verificar a veracidade, em todo caso, reza a “lenda” que a Monsanto obteve liminar contra a distribuição de uma cartilha editada pelo Ministério da Agricultura a respeito dos produtos orgânicos.

A Monsanto nega, mas o trabalho não consta do sítio do Ministério da Agricultura até este momento.

Se for verdadeira a hipótese, coisa da qual eu duvido, fica registrada minha indignação e repúdio, além da disponibilização do arquivo.

Se não for, ótimo! Estarei colaborando com o Ministério da Agricultura para a divulgação do trabalho, ricamente ilustrado por Ziraldo. � só fazer o download para seu computador no link a seguir:

cartilha_ziraldo.

PS: eu não sou, em princípio, contrário aos transgênicos, mas absolutamente contra a CENSURA.

#forasarney #foracensura

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Impactos econômicos de políticas sustentáveis

O Wal-Mart acaba de anunciar nos EUA que vai criar um “selo verde” para os produtos que comercialize.

O selo a ser criado mencionará o impacto ambiental desses produtos, razão pela qual envolverá toda a cadeia produtiva e de distribuição.

Se por um lado não tem nada de novidade, até porque outros países – como o Japão, por exemplo, já a adotaram – a proposta tem a característica de haver se antecipado à legislação e demonstra com clareza que o mercado está se mobilizando em favor da sustentabilidade.

Ontem publiquei aqui um texto a respeito do impacto das fontes renováveis de energia na geração de emprego e essa iniciativa do Wal-Mart só reforça essa tendência que, a despeito das críticas, parece ser muito mais do que estratégia de marketing.

Aliás, não importa. O importante é que ao utilizar o argumento, ainda que tenha interesse comercial, a empresa está provocando um aprofundamento da discussão.

Não podemos mais continuar a restringir nossas análises ao preço que pagamos por este ou aquele produto. � necessário que pensemos nos valores agregados ao que se compra.

Em diversas cidades brasileiras, por exemplo, inexiste o cultivo de hortaliças em função da concorrência com grandes centros distribuidores, mesmo que distantes.

Manaus, por exemplo, se abastece de hortifrutis que viajam de avião de S.Paulo. Da mesma forma Campo Grande recebe diariamente dezenas de carretas originárias do CEASA, também daquela capital.

A proposta do Wal-Mart, se efetivada também aqui, poderá mudar substancialmente para melhor as condições de concorrência dos pequenos – e próximos – produtores locais, ampliando o mercado para a agricultura familiar e orgânica.

Da mesma forma começaremos a ver estampados os custos ambientais de uma mercadoria que, embora atravesse oceanos e cruze o território nacional, é vendida nas prateleiras por alguns centavos e ostente a inscrição “Made in China”.

Vale a pena acompanhar.

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As loucuras de um mundo globalizado

Este vídeo foi enviado por Rodrigo Lupatini (@lupatini).

� uma produção canadense e ilustra os problemas gerados pela frenética importação de alimentos, o êxodo das famílias, os problemas de poluição dela advindos.

Evidentemente não tenho nada contra a globalização mas é importante chamar a atenção para questões relativas ao movimento de redução da produção local de alimentos.

O fenômeno não se dá só no Canadá, nem só no mundo desenvolvido. Mesmo aqui no Brasil percebemos a concentração da produção de alimentos em determinados centros, enquanto em várias cidades os itens mais básicos são “importados”, gerando toda uma cadeia de problemas.

Que tal descentralizar a produção desses itens? Que tal promover a agricultura familiar de forma efetiva? Que tal deixar o discurso e realmente levar a assentamentos ou pequenos produtores as vantagens que precisam para viabilizar o cultivo de alimentos mais saudáveis, menos ambientalmente impactantes, mais sustentáveis.

Assista o vídeo. Desculpe por estar em inglês, mas acredito que seja possível compreendê-lo mesmo para quem não conheça o idioma.
A campanha é pelo consumo de produtos canadenses, mas a idéia é o consumo do produto local.
Por que não traze-la para nossa realidade?

Hellmannâ??s – Itâ??s Time for Real from CRUSH on Vimeo.

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Ela deveria ter estudado mais… e ele?

Não consigo deixar de pensar que ele é o NOSSO presidente, independente do fato de ter ou não votado nele.

Num dos curtos períodos em que esteve no Brasil, Lula foi entrevistado pelo jornal Zero Hora, de Porto Alegre, publicado no dia 26 de Junho. Eis a pergunta do jornal e a incrível resposta:

ZH â?? A sua política externa continua criticada internamente. Atribuíram ao senhor a derrota da ministra Ellen Gracie na Organização Mundial do Comércio?

Lula â?? Ninguém atribuiu a mim a derrota de Ellen. Ela reconheceu, com muita gentileza, que deveria ter estudado mais. Não tenho dúvida de que ela era, do ponto de vista jurídico, a pessoa mais competente para assumir a vaga. Mas há outros critérios em que ela não foi bem. Mas ela é muito nova e não faltará oportunidade de estudar outras coisas. Nós temos um pensamento pequeno, que fica sempre achando: â??Ah, não conseguiu indicar tal pessoa para tal lugar, perdeu, é derrotaâ?. Você precisa ver que tem 300 pessoas querendo o mesmo cargo e que todo mundo pede para todo mundo. Nós agora fomos atrás da Olimpíada do Rio como jamais um presidente foi. Estou conversando com todos os presidentes. Você perde uma, você elege outra, você empata outra.

Eu não tenho condições de avaliar se Ellen Gracie era ou não a melhor opção para o cargo mas, convenhamos, transferir a responsabilidade do fracasso – ou da falta de interesse – para a Ministra, além de ser de uma falta de elegância absoluta, demonstra uma completa falta de bom senso.

Ter uma representação consistente na OMC é absolutamente estratégico para uma economia que está tentando abandonar sua insignificância histórica e postular uma posição mais digna diante das demais nações.

� nesse foro que são discutidas as questões de ordem comercial internacional. Questões que, de técnica, têm pouco. Será que Lula sabe disso? Será que ele estudou a matéria como deveria? ou será que estava mais interessado nos gandulas do jogo interminável que usa em suas metáforas idiotas?

Onde estiveram nossas instituições que não se pronunciaram a respeito?

Em 2008 as exportações brasileiras de aves para a União Européia  atingiram 526 mil toneladas, gerando uma receita de 1.4 bilhão de dólares americanos.

No  primeiro semestre de 2009, de acordo com dados divulgados pela SECEX/MDIC, as exportações brasileiras de carnes tiveram o seguinte desempenho em relação ao mesmo período de 2008:
CARNE DE FRANGO:  18.7% menos de receita e 1.3%  menos em volume
CARNE BOVINA:     25.7% menos de receita e 15.6%  menos em volume
CARNE SUINA:        16.8% menos em receita e  7.2% A MAIS em volume
CARNE DE PERU:    21.9% menos em receita e 4.8% menos  em volume.
Talvez Lula devesse estudar esses números também.

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Cana de Açúcar 3.0 – do Etanol à bioeletricidade e hidrocarbonetos

Inovação Tecnológica

Do açúcar ao etanol, e daí para a eletricidade, para os plásticos e, finalmente, até os hidrocarbonetos. Para Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), essa é a rota de utilização da cana a ser seguida pelas atividades de pesquisa científica e tecnológica nos próximos anos.

“Ã? muito provável que, daqui a dez anos, o Brasil esteja investindo em estudos e na produção de hidrocarbonetos a partir de açúcares convencionais, quando a cana poderá dar origem a um combustível de terceira geração, principalmente se o preço do petróleo voltar a patamares elevados”, disse.

Novas rotas de utilização da cana

“Essas novas rotas de utilização da cana são uma possibilidade extremamente concreta e bem próxima da realidade. Pelo menos uma dezena de empresas americanas está investindo pesadamente nessa área, seja por vias biológicas ou não biológicas. Essa nova fronteira acontecerá tão mais rápido quanto maiores forem a escassez do petróleo e os problemas do clima”, afirmou.

Segundo Jank, atualmente as pesquisas e suas aplicações estão entrando na era da eletricidade gerada a partir da cana-de-açúcar e também é muito provável que, em poucos anos, a maior parte do bagaço e da palha da cana seja usada para a geração de energia elétrica, “que hoje é o mercado demandante, uma vez que já existe um excedente de etanol no mercado devido à expansão da indústria nacional nos últimos anos”.

Energia contida na biomassa

Dois terços da energia da cana-de-açúcar, seja para a produção de biocombustíveis ou eletricidade, têm origem na biomassa da gramínea, explicou o presidente da Unica, entidade que reúne 127 empresas industriais associadas.

Segundo ele, a energia contida nas plantações de cana do país apresenta potencial estimado da ordem de 14 mil megawatts, o que representaria “duas usinas de Itaipu adormecidas nos canaviais brasileiros”.

Bioeletricidade

“O potencial de crescimento da eletricidade de cana, a chamada bioeletricidade, é surpreendente, devendo passar dos atuais 3% da matriz energética nacional para cerca de 15% em 2020, isso considerando apenas a utilização do bagaço e da palha da cana que está plantada atualmente no Brasil”, apontou o também professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

A biomassa da cana é considerada ainda, de acordo com Jank, uma matéria-prima cada vez mais importante para a indústria da alcoolquímica, com destaque para os plásticos verdes e uma série de outros produtos que podem ser feitos além do etanol.

“Estamos diante de um emaranhado de possibilidades e as experiências brasileiras ainda estão à frente do ponto de vista global, mas essa dianteira ainda não está garantida e dependerá de muito investimento em pesquisa e desenvolvimento na área, além da definição de uma nova agenda de pesquisa para a cana no mundo da energia”, destacou.

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Azar de uns, sorte de outros

por Aldayr Heberle

Após o tumultuado ano de 2008, em que as commodities atingiram níveis inimagináveis, ultrapassando os de 1973, este ano apresenta-se novamente excepcional aos produtores brasileiros e americanos. Mas quem mais sofre são os argentinos, pois, estima-se que a colheita de soja atinja apenas 32.2 milhões de toneladas, com uma quebra de 30%; a de milho 12,7, quebra de 58%; a de girassol 3.043, quebra de 34% e a de trigo 16.3, quebra de 53%.

O rebanho bovino também foi dramaticamente reduzido pelo abate de matrizes, motivado pela estiagem
e pelo governo da “amada” Cristina Kirchner e seu primeiro “damo” Nestor Kirchner, que proibiram a exportação de carne bovina e tabelaram os preços no mercado interno.

Só faltou “laçarem boi no pasto” como fez aqui o governo Sarney. E para completar a desgraça o governo quer confiscar cerca de 35% do valor FOB nas exportações de soja.

Essa quebra nas safras Argentinas foram o motivo do salto nas cotações dessas commodities em todo o mundo. A crise fez com que os povos comessem menos carnes vermelhas. Todavia, ninguem deixou de comer.

Carnes de aves e de suínos, as mais baratas que existem, tiveram um aumento consideravel.

A viagem do Presidente Lula à China ajudou a abreviar a decisão dos chineses em liberar a importação de carne de aves do Brasil e o primeiro negócio já foi feito pela gaúcha DOUX/FRANGOSUL, para embarque imediato.

� um mercado imenso, que se abre para o Brasil. E aves e suínos são alimentados por ração produzida com milho e soja. 

Tenho a mais absoluta convicção que nesta área está o grande futuro do agribusiness brasileiro. Integra os produtores, especialmente os pequenos, aos complexos industriais, que geram milhares de empregos nas cidades. Com crise ou sem crise o povo não deixa de comer.

Outras áreas podem ser atingidas, o que é reportado pela mídia todos os dias.

O setor coureiro é um exemplo dos reflexos da crise. Em 2007 o Brasil exportou 2,2 bilhões de dolares de couros; Em 2008, 1,98. A projeção para 2009 é de 900 milhões, no máximo.

A maior redução foi em automóveis de luxo e de móveis.

Comenta-se na Argentina que o país talvez tenha que importar trigo e carne para consumo interno. E em vez dos famosos e inigualáveis “bifes de chorizo” os argentinos agora estão comendo hamburgers.

Em quase cada quadra de Buenos Aires há um Mac Donalds ou um Burger King. E tangos só se pode apreciar em quatro casas de shows, frequentadas em sua grande maioria por estrangeiros. As grandes orquestras típicas de antigamente não mais existem e as radios tocam músicas caribenhas e rock.

Harrod’s, a mais famosa loja de Buenos Aires está fechada. Mas as lojas e galerias continuam oferecendo belos e elegantes produtos de lãs e de couros.

Estive em Montevideu, que progrediu bastante nos últimos anos, e em Punta del Este, o mais famoso balneário do Sul. Apesar de ser inverno, Punta conta com inúmeros residentes permanentes, hotéis, cassinos, artesanato, uma atividade trepidante, especialmente nos fins de semana. Mas seus bairros na periferia lembram as favelas, a sujeira, a pobreza, que cercam nossas cidades do nordeste. Imagens que o turista não vê, pois as terras são planas, longe das praias.

Campo Grande, 03 de junho de 2009.

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O problema é grande? Mude o nome!

Pois é isso mesmo que a OMS resolveu fazer em relação à ex-gripe suína. � impressionante como as coisa acontecem e a gente nem se dá conta.

O tal vírus é tão bravo que o governo israelense, onde a maioria judia não come carne de porco, tentou mudar o nome para “Gripe Mexicana”. Deram com os burros nágua (tomara que não fiquem gripados… tsc tsc) porque o México sentiu-se ofendido. Bom, vamos lá, com toda razão.

Em 1918 o vírus da Gripe Espanhola (que não se manifestou inicialmente na Espanha, mas nos EUA) matou 50 milhões de pessoas em todo o mundo e – pasme – também tinha o porco como principal hospedeiro. Claro que isso só foi descoberto depois.

Naquele momento, as condições de higiene não eram assim as melhores e a ciência evidentemente estava muito menos avançada mas o fato é que a comparação é inevitável.

Mas estou muito mais interessado nas questões econômicas do evento.

1. A concentração (de porcos e de humanos, evidentemente) é o maior vetor de contágio. Criações de animais para abate são cada vez mais concentradas em pequenos espaços. Aliás, os próprios seres humanos tendem a se amontoar em espaços cada vez menores porque ainda não conseguiram perceber que a população da terra não pode continuar crescendo;

2. O México, epicentro da distribuição do vírus, é o único latinoamericano na lista dos 10 mais importantes destinos turísticos do mundo. E existiria forma mais rápida de transmitir o vírus do que de avião? Evidentemente não vai ser fácil se recuperar a imagem no exterior e ter a doença batizada de gripe de “mexicana” é algo que as autoridades daquele país precisam tanto quanto de um buraco na cabeça.

3. Mas o fato é que a gripe realmente tem os porcos como hospedeiros mais usuais – daí, aliás, a sua intensidade porque não temos defesas para esse vírus. A suinocultura é uma atividade econômica importante (não só no México, aliás). Daí a Organização Mundial da Saúde decidiu abandonar o nome que já se havia estabelecido (Gripe Suína). Parece que aqui resolveram adotar “Nova Gripe” como apelido para evitar ainda maiores prejuízos aos suinocultores que estão vendo as vendas simplesmente despencarem, embora o vírus não possa ser transmitido através do consumo da carne cozida.

Em 1918 a gripe era Espanhola, matou aos milhões e não houve menção aos porcos ou portos, através dos quais o vírus se disseminou pelo mundo.

Não bastasse a crise econômica, com resultados parecidos com a outra, de 1929, a gripe demonstra que também não tem fronteiras geográficas ou históricas. Será que estamos aprendendo? Estamos percebendo que somos muito frágeis, independente de quanto dinheiro tenhamos em reservas (pessoais ou internacionais)?

Particularmente penso que sim. Este é só mais um problema que nos leva a abandonar o individualismo e pensar no bem estar generalizado, sem fronteiras… Imagine there’s no countries…

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