Monthly Archive for dezembro, 2009

[Economia de Convergência] O custo de ser a mulher de César

Publicado originalmente em minha coluna no BRPress

Pompéia era mulher de César e foi responsável pela organização dos ritos da Bona Dea (“Boa Deusa”) em Dezembro, exclusivos às mulheres e considerados sagrados. Mas durante as celebrações, ”Públio Clódio Pulquer” conseguiu entrar na casa disfarçado de mulher.

Em resposta a este sacrilégio, do qual não foi provavelmente culpada, Pompéia recebeu uma ordem de divórcio. César admitiu publicamente que não a considerava responsável, mas justificou a sua acção com a célebre máxima: “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

Você deve ter ouvido algo a respeito da COP15, a cúpula que discutiu medidas para tentar conter o aquecimento da terra em função das emissões de gases-estufa.

Além do encontro dos líderes mundiais e de uma participação bastante ativa até mesmo do presidente Lula, o evento contou com inúmeras manifestações paralelas, todas chamando a atenção para a necessidade de fazer algo mais concreto para evitar uma catástrofe.

Dentre os eventos, um chamou a atenção: o Troféu “Sereia Zangada”. O “prêmio” é concedido pela ONG Amigos da Terra Internacional e tem como símbolo uma sereia que está aborrecida pela poluição dos mares.

O engraçado é que o troféu foi concedido a uma das empresas que mais investe na imagem da consciência ecológica, a Monsanto. Isso tudo em função dos alimentos geneticamente modificados que passou a desenvolver e que são o centro de uma campanha em todo mundo.

A justificativa para condenar a empresa é o fato de que a soja modificada estaria promovendo o desmatamento.

Por outro lado, a empresa declara que “se orgulha de fazer parte da ‘nova Revolução Verde’, ao apostar na biotecnologia e desenvolver tecnologias que contribuem para aumentar a produção de alimentos, ao mesmo tempo em que reduzem o uso de agroquímicos, água e combustíveis e a emissão”.

Nesta altura do campeonato, pouco importa quem está com a razão, quem diz a verdade ou quem falta com ela. O estrago na imagem já está feito.

Eu não defendo ou critico a empresa, simplesmente constato que, independente dos esforços, dos investimentos em mídia e publicidade buscando criar uma aura de defensora do meio ambiente, é preocupante que tanta gente tenha a percepção exatamente oposta.

O tema “meio ambiente” estará cada vez mais presente em nossas vidas. Nada vai escapar e as empresas serão obrigadas a se comportar de forma absolutamente inequívoca em relação ao assunto.

As questões relacionadas a atendimento do consumidor não serão esquecidas de forma alguma. São consideradas ultrapassadas pelo mercado desenvolvido. Hoje o consumidor parte do pressuposto de que tem que ser bem atendido, no prazo acertado e nas condições determinadas. Além disso, ele quer comprar de um fornecedor que se importe com a natureza e com as pessoas que produzem.

Claro que ainda temos um longo caminho a percorrer e que a invasão de produtos chineses de preço baixíssimo e nenhuma preocupação com os aspectos sócio-ambientais ainda está causando muitas perdas na indústria do restante do mundo, mas essa tendência não é sustentável.

O mais interessante é que não adianta nada “parecer” consciente. O mercado é extremamente sensível, as informações divulgadas instantaneamente por todo o globo. Como esconder algo ou tentar restringir a divulgação? Impossível.

No Brasil ainda temos um longo caminho a percorrer nesse aspecto, não só em termos de consciência empresarial, mas também, do consumidor.

Sei que esta é uma época estranha para falar nisso porque, afinal, Natal é o momento do consumo exagerado, sem sentido. É o porre anual do consumismo tresloucado, justificado pela confraternização familiar e abençoado pela religião. Mas desconsiderando tudo isso, até quando o consumidor poderá transferir ao fornecedor toda a responsabilidade pela consciência ecológica e social?

Se às empresas é exigido que se comportem e demonstrem ser realmente preocupadas com as questões de interesse comum, até quando os consumidores poderão eximir-se de arcar com sua parcela de responsabilidade para tratar desses assuntos?

Num mundo em que nada (fora o Bin Laden) consegue se manter oculto por muito tempo, em breve nós, consumidores, precisaremos encarar o fato de que se existem empresas desonestas é porque nós as alimentamos, porque aceitamos tranquilamente o fato de que elas promovem a desigualdade ao manterem preços excessivamente baixos, aniquilando a concorrência e pagando mal seus funcionários.

As empresas precisam, sim, investir e acreditar na necessidade de serem mais conscientes de seu papel na sociedade e na construção de uma humanidade melhor e mais harmônica. E o consumidor?

Esse é o custo de ser e parecer um Cidadão 2.0!

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Cartão de Natal do EcoEco (bom, é do Estadão, mas tudo bem)

Continuando na difícil missão de usar o Natal para algo produtivo e não alienante…

Tá bom, vai: Feliz Natal! No ano que vem, prometa a si mesmo que não vai fazer aquilo que o presidente diz que é onde o povo está.

(Ainda não classificado. Seja o primeiro a votar.)
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Contagem regressiva…

Meu amigo Piaia enviou-me este lindo cartão. Resolvi compartilhar com você – com a autorização dele, é claro.

Não é lindo o espírito do Natal?

Feliz Natal

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De saco cheio de HO HO HO: pense um pouco

Vamos admitir, apesar do presidente dizer que quer tirar o povo da merda, a maior delas – as sacanagens com o dinheiro público – foi ainda mais frequente em 2009… “Nunca antes na história deste país…”

Apesar disso, com as ruas cheias de Papais Noeis, a maioria dos quais absolutamente ridículos, ninguém está nem aí para o cheiro que paira nas entranhas do poder. Estamos em tempo de congraçamento, como se todo mundo soubesse o que é isso.

Vamos deixar claro que este não é um espaço para quem não pensa, portanto, não espere ler aqui uma reflexão convencional do tipo “retrospectiva 2009″ ou uma versão do “jingle bells”. Para isso você tem trilhões de alternativas e eu não pretendo encher ainda mais o saco de quem detesta isso tudo como eu.

Mas se você, ao contrário, está interessado em aproveitar esse tempo para pensar um pouco, assista o video abaixo (legendado).

Ele faz parte de um projeto musical chamado “The Symphony of Science“, de John Boswell. A idéia é divulgar conhecimento científico e filosofia de uma forma musical.

O vídeo que selecionei é “We Are All Connected” (nós estamos todos conectados) e foi criado a partir de trechos do programa Cosmos, de Carl Sagan, da série “The History Channel’s Universe”, de entrevistas gravadas em 1983 com Richard Feynman, do sermão cósmico de Neil de Grasse Tyson e da série Bill Nye’s Eyes, com a adição de imagens de vários outros programas científicos (The Elegant Universe (NOVA), o Universo de Stephen Hawking, Cosmos etc.).

Assista e pense a respeito. Não é religião… ou será que é? Afinal, quem inventou que uma coisa é separada da outra?

A Sinfonia da Ciência

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Um abraço de Lula – Washington Post

O texto a seguir é a tradução livre do Editorial do Washington Post de 27 de Novembro. E como se sabe, o WP não é exatamente um jornaleco. Recebi o artigo do meu colaborador de sempre, Aldayr Heberle.

Não é de hoje que eu bato nessa relação espúria do Lula com o ditador sopa-de-letrinha do Irã, mas é duro ter que concordar com tudo, principalmente com a constatação da ignorância do chefe supremo.

Um abraço de Lula
Porque o presidente do Brasil ofereceu um tapete vermelho a Mahmoud Ahmadinejad

Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

POR MUITOS anos a política dos Estados Unidos na América Latin teve como objetivo forjar uma parceria com o Brasil. Como na administração de Bush antes dele, a administração de Obama vê o maior país da América Latina como uma superpotência emergente cujo dinamismo econômico e democracia relativamente estável o transformam em um aliado natural. Mas o potencial do Brasil foi frequentemente superestimado no passado; um velho ditado diz que ele será sempre o país do futuro. E esta semana o seu popular mas errático presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, está fazendo o melhor para provar que esse cinismo está correto.

Na segunda-feira o Sr. Lula literalmente deu um abraço de urso no presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que dessa forma registrou o maior avanço em seu esforço para impulsionar suas posições domésticas e internacionais instáveis. Encabeçando um regime extremista que é rejeitado pela maioria dos iranianos – e que acaba de rejeitar a assinar um compromisso a respeito de seu programa nuclear ilegal – o presidente iraniano foi ao exterior em busca de amigos. Ele encontrou poucos: Gâmbia e Senegal na África; e Hugo Chávez da Venezuela, juntamente com dois de seus satélites, Bolívia e Nicarágua.

A viagem pelo mundo do Sr. Ahmadinejad teria sido patética e servido para reforçar o isolamento crescente de sua camarilha de linha dura, não fossem as calorosas boas vindas do Sr. Lula. Quando até mesmo a Rússia está discutindo publicamente novas sanções contra Tehran, o governo brasileiro assinou 13 acordos de cooperação com o regime, possibilitando ao Sr. Ahmadinejad prever que o comércio bilateral cresceria 15 vezes.

O Sr. Lula não teve nada a dizer acerca da eliminação sangrenta do movimento de reforma pró-democrático do Irã ou sobre a negação do holocausto pelo Sr. Ahmadinejad e o direito de existir de Israel. Em vez disso ele declarou que o Irã tem direito ao seu programa nuclear. Em contrapartida o Sr. Ahmadinejad endossou o pleito do Brasil por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O Sr. Lula demonstrou por que o ocidente seria sábio em manter essa cadeira na espera. Seus defensores dizem que ele convidou o presidente iraniano porque aspira obter a paz no Oriente Médio. Se isso é verdade o presidente brasileiro meramente demonstrou sua ignorância da região. A Guarda Revolucionária, facção que o Sr. Ahmadinejad representa, é a força mais implacável na oposição às conversações Árabe-Israelenses; é por isso que retornou o terrorismo do Hamas e Hezbollah. O abraço do Sr. Lula ao Sr. Ahmadinejad não mudará seu fanatismo, mas o fará mais forte. Ele também vai garantir que qualquer tentativa do Brasil em intervir no Oriente Médio será dispensada por Israel e pelos principais governos Árabes.

O Brasil pode ainda se tornar uma potência regional; as políticas internas mais sensíveis do Sr. Lula o fizeram mais forte. Mas para adquirir influência global o Brasil tem que reformar seu anacronismo terceiro-mundista que demonstra sua política internacional. Ao abraçar párias como o Sr. Ahmadinejad ou tentando se posicionar entre o ocidente democrático e os estados párias do mundo, o Brasil somente vai garantir que continuará a ser o país do futuro.

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Finalmente! Não senti vergonha do meu presidente

Incrível! A mesma pessoa que, no Maranhão, queria tirar o “povo da merda”, conseguiu em Copenhagen se manifestar de forma clara, dura e propositiva.

O discurso de Lula ao criticar a posição dos países desenvolvidos foi perfeito, fora os problemas já tradicionais de concordância e pronúncia, claro.

A posição defendida foi a única realmente possível para nosso país, que detém o maior patrimônio natural do planeta. Estabelecer metas objetivas, investir, mesmo que com sacrifício, assumir responsabilidades com o bem comum.

O brilhantismo esteve na linha lógica e simples do discurso. O investimento a ser feito não é uma esmola, é o pagamento pelo que já tomamos de nossa Terra.

� natural que aqueles que tiraram mais, paguem mais e não é porque pagam mais, que têm direito de se meter na vida dos mais pobres. Não estamos com isso dizendo que não temos responsabilidade ou que nos eximimos do pagamento.

Mas o maior compromisso é o do desenvolvimento mais equilibrado para todas as pessoas, não importando em que país ou continente vivam.

Senti-me muito bem representado em Copenhagen. E olha que era o Lula falando… ou não?

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Ano novo, novas atividades

Tenho a satisfação de comunicar que agora também sou colunista da BrPress (@BRPress), com quem já venho colaborando eventualmente há algum tempo.

A BR Press Empresa Jornalística Ltda. desenvolveu um conceito inovador em termos de agência de notícias. Foi criada em 1997, com objetivo de atender à demanda específica de criação, produção e distribuição de conteúdo informativo para o mercado editorial e de comunicação, da mídia impressa à internet. Hoje, comemora 10 anos de jornalismo independente e inovador, tornando-se uma referência.

A BR Press é pioneira no Brasil como fornecedora de serviços noticiosos especialmente para a internet, onde protagoniza uma revolução na forma de produzir e distribuir informação, unindo os princípios clássicos do jornalismo com a agilidade e a criatividade exigidas pela era digital.

Ou seja: além de licenciar pacotes noticiosos e reportagens especiais variadas (textos, fotos e vídeos), a BR Press também pode ser pautada para produção de reportagens e coberturas jornalísticas avulsas, pacotes noticiosos específicos ou qualquer tipo de conteúdo jornalístico customizado, de acordo com a necessidade, preferência e estratégia de cada veículo e/ou cliente.

Minha coluna, cujo título é “Cidadão 2.0″ é voltada para os assuntos relacionados a essa revolução nas relações entre os agentes econômicos ou políticos e o cidadão. Os textos naquele site são publicados às quintas-feiras.

O novo site, totalmente reformulado, está em versão beta, com acesso livre. Aproveite para olhar e incluir nos seus favoritos.

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[Economia de Convergência]: “Fracasso é um evento, não uma pessoa”

(Publicado originalmente no BRPress)

O título deste texto é uma citação de Zig Zaglar, um conferencista e consultor de empresas americano, mas lembrei-me dele enquanto conversava com um cliente durante esta semana.

Era o proprietário de uma empresa que se dizia incapaz de reverter as reclamações de seus clientes porque eles haviam ficado muito irritados e que, depois disso, não se dispunham a mudar de opinião.

Não adiantou argumentar que não é bem assim, que os volumes de reclamações estavam acima da concorrência, que os problemas estão centralizados em somente dois pontos, que devem ser objeto de análise e que, o mais importante, ao se manifestar o cliente abre a enorme possibilidade de estabelecer um diálogo, coisa que nunca aconteceu até então.

Nada disso serviu de argumento de compreensão porque o problema precisava ser â??personificadoâ? e tratado como uma agressão, também pessoal, aos proprietários da empresa. Na ocorrência de uma agressão pessoal, muitas vezes ocorre também o revide, a revanche, o â??olho por olhoâ? (â??e se não tirar isso da internet, vou meter um processo…â?).

Fiquei longamente pensando no episódio, principalmente porque o cliente em questão havia viajado mais de mil quilômetros para conversar a respeito do problema e inacreditavelmente, estava mais interessado em defender seu ponto de vista do que ler o que demonstravam os relatórios.

Os â??culpadosâ? estavam lá (os clientes chatos e a tal dessa internet, que coloca todo mundo no mesmo balaio), rindo-se do pobre ser indefeso e agredido (a empresa é claro).

Esses sintomas não são nem um pouco raros. Muitas empresas sofrem desse mesmo mal em maior ou menor escala porque não se deram conta ainda de que â??Objeções são expressões de interesseâ? (também do Zig Ziglar).

Reclamações são a expressão da insatisfação, é claro, mas também demonstram que existe um relação entre as partes, existe interesse, caso contrário, haveria simplesmente a indiferença. A crítica é uma oportunidade de crescimento, de melhora.

Ao contrário do que esse diretor que conversava comigo supõe, os clientes estão sim, dispostos a mudar de opinião em relação a um serviço prestado, desde que os problemas sejam reparados.

Trabalhei durante bastante tempo com técnicas japonesas de produção e ficava impressionado quando uma linha de produção era paralisada para análise de um problema de qualidade. Ainda mais impressionante era participar do júbilo, com aplausos e tudo, quando aquele problema era resolvido.

Segundo essa filosofia de trabalho, um problema que tenha sido discutido com tanta atenção não se repetirá, então aquele era um momento de extrema alegria para toda a equipe.

A diferença fundamental que vejo entre as já antigas técnicas japonesas de produção (Kan Ban, Just in Time etc.) e a pressão pela qual estão passando as empresas neste momento em que suas deficiências são expostas à execração pública, é exatamente o fato de que as menos adaptadas estão muito mais procurando culpados do que tentando resolver o problema.

No final das contas, as empresas deveriam ficar agradecidas a cada reclamação recebida porque ela encerra uma enorme oportunidade de fazer novos negócios, de estreitar laços com o cliente, de melhorar processos.

Isso se dá em qualquer área. Vamos dar um passeio ao futuro para analisar, por exemplo, as escolas.

Comece imaginando-se hoje sentado numa carteira, com 15 anos, escutando uma professora ranzinza de óculos na ponta do nariz e que não faz a menor idéia do que seja essa coisa de twitter e que acha o maior desrespeito o aluno ter um celular ligado durante sua “aula magistral”. Ora, ninguém suporta isso mais, nem o mais “cdf ’s dos puxa-sacos”.

Agora dê asas à imaginação: em 10 anos, existirão carteiras escolares? Você acha que alguém vai levar â??tarefa para casaâ?? Aliás, algum aluno vai realmente ter obrigação de sair de casa para estudar? E a grade de ensino, será que vai ser igual para todos ou será desenvolvida de acordo com as aptidões de cada um?

Sinceramente em não consigo imaginar que meus netos sequer pensem em ler um livro impresso em papel, até porque provavelmente não existirão (será que vai ter cheiro de livro digital?).

Ora, se isso tudo vai mudar, será que a escola vai continuar existindo como a conhecemos?

Então estamos de acordo que os negócios vão mudar e que a única forma de não sermos atropelados pela mudança, é estar em contato direto com o cliente, caso contrário, o fracasso será o único resultado possível dessa falta de interesse.

Como diz meu amigo Renato, â??Meu, se ligaâ?!

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O presidente papel-higiênico

Eu mereço!

A saída, meus caros, é Cumbica!

PS: Note a incrível interpretação em Libras (o cidadão do quadradinho… ele chega a sentir o cheiro)

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Censurados, castrados, calados – 2

Hoje é um dia triste. A pseudo-justiça brasileira decidiu outra vez que o filho do Sarney é mais importante que os outros 193 milhões brasileiros, inclusive você, leitor. Dessa vez foi o STF – Supremo Tribunal Federal, a nossa “Suprema Corte”, que manteve a censura ao jornal “O Estado de S.Paulo”, que hoje completou 132 dias sem poder publicar nada a respeito de sua santidade o filho do Sarney.

Parabéns, Fernandinho. Você acaba de conseguir mais tempo para suas maracutaias, para seus telefonemas amorosos com sua filhinha e seu papai prestimoso. (Bênção, papai… Deus te abençoe, minha filha…. Bênção, pai… Deus te abençoe, filho)… Coisa linda é ver uma família assim, unida na fé, não é mesmo?

Parabéns também ao STF, que conseguiu enlamear ainda mais a imagem deste país mas, principalmente, da justiça sempre imprevisível que aqui se faz. Um tiro no próprio pé.
Votaram pela continuidade da censura os ministros Cezar Peluso, Eros Graus, José Antônio Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Ricardo Lewandowski.

Gilmar Mendes, aquele dos capangas de MT, disse que a honra e a intimidade, citados por pelo juiz do DF, Dácio Vieira, aquele amigo da família Sarney, para impor a censura ao jornal, têm de ser preservadas.

O brilhante presidente do STF disse ainda que “Se é inviolável a honra e a intimidade, é preciso que isso tenha alguma consequência. Esses valores são invioláveis. E o que é inviolável não é para ser violado“.

Chega! Fique com uma ilustração do dia:

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