Tenho tido muito pouco tempo para dedicar-me a este espaço mas, confesso, também fico em dúvida sobre o que escrever porque os temas econômicos importantes em todas as áreas se sucedem com uma rapidez estonteante. A velocidade só não é maior do que as respostas dadas pelos governos – em todas as esferas – assumidas pela imprensa e, em conseqüência, pela sociedade.
Aproveitando o gancho de uma matéria nova do Financial Times que publica hoje “Poor transport infraestructure hampers Brazil’s booming farms”, algo como “A fraca infraestrutura de transportes do Brasil atrasa o rápido desenvolvimento da sua agricultura”.
Fico pensando como o governo e a imprensa farão uma vez mais para alterar, somente na tradução, o sentido da matéria.
Sim, é isso mesmo. E eu não estou simplesmente lançando algum tipo de dúvida sem fundamento. Minha questão é fundamentada nas leituras que foram feitas de uma outra matéria internacional, esta da revista “The Economist” da semana passada, que trazia como tÃtulo “Brazil takes off” (O Brasil decola).
Imediatamente inundaram os veÃculos de comunicação nacionais as notÃcias dando conta de que, “bem, finalmente o mundo se curva à s evidências e nosso paÃs está crescendo”.
Se você tiver paciência de ouvir uma entrevista com o correspondente da publicação, vai verificar que a idéia não é bem essa. Ele diz textualmente que se você olhar a economia brasileira a partir da perspectiva “de um helicóptero – existem muitos helicópteros no Brasil –  você vê que a economia vai muito bem. No entanto, se pousar e olhar a questão sob um ponto de vista mais microeconômico, vai perceber que existem muitos problemas crescentes e não resolvidos”.
Essa é só a introdução da matéria. A entrevista (em inglês) tem pouco mais de 15 minutos e é uma aula de economia. Relembra a trajetória das mudanças verificadas há 10 anos, destaca os incontestáveis avanços mas – sempre tem um mas – também mostra claramente os problemas sérios que temos a resolver.
Mas isso seria aceitável, afinal, nem todo mundo teve acesso a essa entrevista e nem todo mundo compreende o idioma inglês, entretanto, é completa, total e absolutamente impossÃvel que os nossos veÃculos de comunicação não tenham lido o subtÃtulo da reportagem de capa. Logo abaixo de “O Brasil decola”, está a frase esclarecedora “Now the risk for Latin Americaâ??s big success story is hubris” ou, em bom português, “Agora o risco para a maior história de sucesso da América Latina é a arrogância (ou o orgulho exagerado)”.
O trabalho da publicação foi primoroso e vale a pena ser lido, mas não é a ela que estou me prendendo. O problema sério foi ver a mÃdia nacional completamente embevecida pela propaganda oficial.
Ninguém precisa exaltar as nossas bondades. Isso a campanha oficial já faz. Vou, portanto, demonstrar alguns “pequenos desvios” sobre os quais pouca gente falou.
Não é só o subtÃtulo da matéria que já traz o tom da reportagem. Trechos são evidentemente uma mensagem clara ao nosso governante maior, inclusive ao mencioná-lo no último parágrafo dizendo que
“Lula tem razão em dizer que o Brasil merece respeito, tanto quanto ele merece respeito pela adulação de que é alvo. Mas ele tem sido também um presidente de sorte, colhendo as recompensas do aumento dos preços das commodities e operando a partir de uma sólida plataforma de crescimento construÃda por seu predecessor, Fernando Henrique Cardoso. Para manter o desempenho melhorado em um mundo passando por tempos mais difÃceis, o sucessor de Lula deverá encarar problemas que ele se sentiu em condições de ignorar. Portanto, a próxima eleição determinará a velocidade com que o Brasil avançará na era pós-Lula”.
Será que só eu li isso? Só eu consegui entender que a matéria é um reconhecimento à estrutura criada pelo governo FHC, que Lula teima em desprezar?
Como chama a atenção meu amigo PRG, “O que temos hoje: uma diplomacia bolivariana, a reboque dos Chavez, Evo e Zelayas da vida;  um plano de distribuição de renda baseado no bolsa-escola de Ruth Cardoso, porém sem fazer com os miseráveis cresçam como indivÃduos; uma condução da polÃtica interna ao melhor estilo Golbery. Confundiram esquerda com populismo, esse governo do PT em muito se parece com a ditadura que eu vivi (dentro de um quartel), por vezes me parece estar a ler declarações de Médici e Geisel. O paÃs está dando certo? Sim,  está ! Mas não se trata de um processo começado em 2002, começou antes, como dito no artigo.”
- PS: Para quem não sabe, “patacoada” significa 1. Bazófia, jactância. 2. Ostentação ridÃcula. 3. Pantomimice. 4. Endrómina.
- PPS: As letras P e T maiúsculas não foram erros de digitação.

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Sem essa de disputinha polÃtica, de verborragia tucana. FHC foi uma merda de governo. Dentre outras coisas, acabou com as estradas brasileiras. Acabou com minha alegria de viajar de carro. Não sou PT. Não tenho partido algum. Detesto partido, pois acredito, antes, no homem. E me irrito, quando percebo opiniões polÃticas, tendenciosas e pouco sérias. Acho o PSDB uma “mala sem alça”, um “não come e nem sai de cima”, um “não caga e nem sai da moita”. Um balaio de gatos. Não sei, até hoje, qual é a ideologia dos tucanos, se é que têm alguma ideologia, algum ideal. Achei o governo do FHC uma merda de governo. A única coisa realmente de relevo que fez foi acabar com a inflação. E mesmo assim a inflação foi dominada antes, no Governo Itamar. E lugar de opinião de milico é em mural da caserna (o que é proibido)!
Meu caro, eu não sou tucano e embora não concorde que o governo FHC tenha sido uma merda, tampouco o defendo. Mas não foi disso que tratei.
Precisamos desenvolver uma postura mais abrangente, menos dualista.
Quando faço uma crÃtica, faço uma crÃtica e fim. Não estou pretendendo justificar “o outro lado”, nem endemoniar o lado criticado.
Segundo meu ponto de vista aqui expresso, o PT é um produtor de PaTacoadas nacionalistas e ponto.
Diga que não e o por quê e talvez eu mude de opinião.