Monthly Archive for novembro, 2009

Pesquisador: REDD

Se você estiver planejando fazer pesquisa em REDD (Reduce Emissions for Deforestation and Degradation), talvez se interesse por esta oportunidade.

Um candidato brasileiro está sendo procurado para este projeto comparativo internacional sobre REDD, com estudos de caso em projetos no Brasil.

Para maiores informações, veja o arquivo REDD Researchers_161109

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2010 vem antes de 2012

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[Economia de Convergência]: Os cães ladram… e a caravana passa

� muito interessante perceber como ninguém pede permissão para derrubar aqueles padrões aos quais estávamos acostumados. Mais ainda quando notamos quantas vezes não nos damos conta dessas pequenas revoluções.

Há cerca de dois anos eu prestava consultoria para um laboratório de análises quando identifiquei uma oportunidade de contratar um software que disponibilizaria pela remotamente os resultados para os médicos e pacientes.

A diretora, após 15 segundos de profunda análise, achou que não valia a pena adotar o software porque os pacientes teriam  receio de que suas informações fossem disponibilizadas na internet. Adivinhe o que aconteceu com os concorrentes? Esse movimento ocorre em qualquer atividade, no mundo â??realâ? ou no â??virtualâ?.

Nas últimas semanas tenho trabalhado com afinco em uma análise do desempenho das principais lojas virtuais no Brasil, o que me coloca em uma posição interessante para avaliar o que anda acontecendo nesse mercado.

De forma geral as informações publicadas são originadas na coleta dos dados das empresas, o que, se não determina os resultados, pelo menos já traz um viés, porque afinal os valores que essas empresas apresentam estão impregnados na forma como esses dados são gerados e transmitidos.

Eu fugi dos dados â??oficiaisâ?. Meu estudo baseou-se em dados de acompanhamento das consultas na internet e de reclamações registradas, divididas em diversos temas.

O resultado foi bastante esclarecedor. Empresas que no mundo físico estão acostumadas a ditar regras, não estão nada bem quando o tema é o comércio virtual. Empresas grandes, supostamente melhor estruturadas, nem sempre têm seu poderio refletido nos índices de desempenho junto ao consumidor e algumas tidas como pequenas, na verdade fazem um grande trabalho de atenção ao cliente.

Também interessante é perceber que poucas são as companhias que se dispõem a olhar com seriedade para suas deficiências e a corrigi-las. São os mesmos senhores vetustos, os mesmos olhares compenetrados tentando decifrar o enigma que a esfinge da comunicação via internet propõe.

Entretanto aquelas empresas que, independente do segmento, perceberam que atender as necessidades do consumidor é verdadeiramente o seu negócio, estão despontando, consolidando sua imagem.

Chega a ser engraçado ouvir e ler alguns comentários de organizações que se baseiam em antigos padrões como se eles valessem alguma coisa neste novo mundo de relacionamento social sem fronteiras.

Uma observação a todos esses Homo-dinossauricos: Vocês estão com os dias contados! Quer apostar? Então vamos a alguns exemplos de paradigmas que estão sendo quebrados sem que percebamos:

  • Durante o apagão o que funcionava era o Twitter. Através dele eu consegui determinar que a área atingida era muito maior do que eu imaginava. Isso tudo porque meu celular, mesmo sem conseguir ligar para outras operadoras, navegava pela internet sem problemas (ufa, que alívio). Penso que o rádio deveria estar funcionando, sim, mas quem é que ainda tem rádio a pilha em casa? O engraçado era ver as pessoas na rua usando o celular como lanterna e para navegar na internet. Dentro de casa, só a luz bruxuleante das velas…
  • Semana passada a cantora Shakira decidiu lançar sua última música e respectivo vídeo, Give It Up To Me, no Facebook, com transmissão pelo serviço Ustream. Resultado da brincadeira: 95 mil visitantes únicos durante a primeira exibição e mais de meio milhão de exibições nas 24 horas seguintes. O evento só perdeu para o funeral de Michael Jackson (4,6 milhões) e para a posse de Obama (3,8 milhões) â?? tudo pela internet.
  • O serviço de armazenagem e exibição de vídeos YouTube, do Google, anunciou ontem que  está disponível para utilização (gratuita) uma ferramenta que gera automaticamente legendas (vídeo abaixo). Para explicar melhor, o sistema â??entendeâ? o que está sendo falado e transcreve automaticamente. Um detalhe interessante: se você quiser, ele traduz o que está sendo dito.

No primeiro exemplo, o telefone, que antigamente servia para falar, acabou sendo uma ferramenta essencial, sim, mas para escrever, ler e até iluminar. Foi o meio de comunicação mais utilizado pela população que não sabia o que estava acontecendo.

No segundo, um lançamento que há alguns meses seria feito na MTV, acabou indo parar na rede social, exatamente porque a cantora está mais interessada em reforçar esses vínculos com seus admiradores.

No terceiro, um serviço gratuito tem o potencial de virtualmente acabar com a função dos intérpretes, afinal, se um software faz a tradução simultânea de um vídeo, por que razão não pode fazer também de uma conversa ao vivo?

Isso tudo para mencionar só alguns exemplos das últimas semanas. Algumas lojas acreditam que podem transpor para a internet seus modelos ultrapassados e imaginam que o consumidor vai aceitar tudo passivo.

São executivos que acham que internet, mídia social, monitoramento de marca, twitter, rede etc., são coisas que fazem os funcionários perderem seu precioso tempo.

Meu recado não pode ser mais simples do que o deste conhecido provérbio oriental: â??os cães ladram, a caravana passaâ?.

Está nas suas mãos decidir se você vai querer ficar à margem latindo, ou se vai embarcar na caravana.

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Pensando bem…

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Sem comentários.

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PaTacoadas nacionalistas

Tenho tido muito pouco tempo para dedicar-me a este espaço mas, confesso, também fico em dúvida sobre o que escrever porque os temas econômicos importantes em todas as áreas se sucedem com uma rapidez estonteante. A velocidade só não é maior do que as respostas dadas pelos governos – em todas as esferas – assumidas pela imprensa e, em conseqüência, pela sociedade.

Aproveitando o gancho de uma matéria nova do Financial Times que publica hoje “Poor transport infraestructure hampers Brazil’s booming farms”, algo como “A fraca infraestrutura de transportes do Brasil atrasa o rápido desenvolvimento da sua agricultura”.

4609LD1Fico pensando como o governo e a imprensa farão uma vez mais para alterar, somente na tradução, o sentido da matéria.

Sim, é isso mesmo. E eu não estou simplesmente lançando algum tipo de dúvida sem fundamento. Minha questão é fundamentada nas leituras que foram feitas de uma outra matéria internacional, esta da revista “The Economist” da semana passada, que trazia como título “Brazil takes off” (O Brasil decola).

Imediatamente inundaram os veículos de comunicação nacionais as notícias dando conta de que, “bem, finalmente o mundo se curva às evidências e nosso país está crescendo”.

Se você tiver paciência de ouvir uma entrevista com o correspondente da publicação, vai verificar que a idéia não é bem essa. Ele diz textualmente que se você olhar a economia brasileira a partir da perspectiva “de um helicóptero – existem muitos helicópteros no Brasil –  você vê que a economia vai muito bem. No entanto, se pousar e olhar a questão sob um ponto de vista mais microeconômico, vai perceber que existem muitos problemas crescentes e não resolvidos”.

Essa é só a introdução da matéria. A entrevista (em inglês) tem pouco mais de 15 minutos e é uma aula de economia. Relembra a trajetória das mudanças verificadas há 10 anos, destaca os incontestáveis avanços mas – sempre tem um mas – também mostra claramente os problemas sérios que temos a resolver.

Mas isso seria aceitável, afinal, nem todo mundo teve acesso a essa entrevista e nem todo mundo compreende o idioma inglês, entretanto, é completa, total e absolutamente impossível que os nossos veículos de comunicação não tenham lido o subtítulo da reportagem de capa. Logo abaixo de “O Brasil decola”, está a frase esclarecedora “Now the risk for Latin Americaâ??s big success story is hubris” ou, em bom português, “Agora o risco para a maior história de sucesso da América Latina é a arrogância (ou o orgulho exagerado)”.

O trabalho da publicação foi primoroso e vale a pena ser lido, mas não é a ela que estou me prendendo. O problema sério foi ver a mídia nacional completamente embevecida pela propaganda oficial.

Ninguém precisa exaltar as nossas bondades. Isso a campanha oficial já faz. Vou, portanto, demonstrar alguns “pequenos desvios” sobre os quais pouca gente falou.

Não é só o subtítulo da matéria que já traz o tom da reportagem. Trechos são evidentemente uma mensagem clara ao nosso governante maior, inclusive ao mencioná-lo no último parágrafo dizendo que

“Lula tem razão em dizer que o Brasil merece respeito, tanto quanto ele merece respeito pela adulação de que é alvo. Mas ele tem sido também um presidente de sorte, colhendo as recompensas do aumento dos preços das commodities e operando a partir de uma sólida plataforma de crescimento construída por seu predecessor, Fernando Henrique Cardoso. Para manter o desempenho melhorado em um mundo passando por tempos mais difíceis, o sucessor de Lula deverá encarar problemas que ele se sentiu em condições de ignorar. Portanto, a próxima eleição determinará a velocidade com que o Brasil avançará na era pós-Lula”.

Será que só eu li isso? Só eu consegui entender que a matéria é um reconhecimento à estrutura criada pelo governo FHC, que Lula teima em desprezar?

Como chama a atenção meu amigo PRG, “O que temos hoje: uma diplomacia bolivariana, a reboque dos Chavez, Evo e Zelayas da vida;  um plano de distribuição de renda baseado no bolsa-escola de Ruth Cardoso, porém sem fazer com os miseráveis cresçam como indivíduos; uma condução da política interna ao melhor estilo Golbery. Confundiram esquerda com populismo, esse governo do PT em muito se parece com a ditadura que eu vivi (dentro de um quartel), por vezes me parece estar a ler declarações de Médici e Geisel. O país está dando certo? Sim,  está ! Mas não se trata de um processo começado em 2002, começou antes, como dito no artigo.”

  • PS: Para quem não sabe, “patacoada” significa 1. Bazófia, jactância. 2. Ostentação ridícula. 3. Pantomimice. 4. Endrómina.
  • PPS: As letras P e T maiúsculas não foram erros de digitação.

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A vida em constante evolução

A única coisa que me alenta é a consciência de que ninguém, nem mesmo Lula, pode evitar a evolução.

Uma amiga enviou-me esta semana uma galeria de fotos assustadoras com supostos marginais no RJ com armas pesadíssimas, entre as fotos a de um menino com não mais de 3 anos, nu, empunhando uma metralhadora.

Apesar de todas as evidências em contrário, essencialmente eu acredito que as pessoas estejam caminhando para uma vida mais equilibrada, mais humana.

Até tia Dilma resolveu dar uma de boazinha e propor a redução de 40% nas emissões de carbono, 20% só com a redução das queimadas na amazônia.

Não é que eu seja otimista a ponto de acreditar que Dilma deixou de lado os pendores guerrilheiros. Experimente alguém discordar dela para ver (Caetano Veloso que o diga), mas minha convicção se prende à constatação de que nada permanece inalterado e que o caminho será desenvolvido por todos, tendo como base o conhecimento ou, mais especificamente, a possibilidade de disseminar o conhecimento através da internet.

Silvio Meira (ou @srlm) é dessas raras cabeças pensantes que consegue se comunicar com clareza, mesmo quando fala a não iniciados. A palestra que incluo a seguir é exemplo claro disso. Apesar de falar de internet e das perspectivas de coisas como redes sociais e outros temas bastante técnicos, consegue traduzir tudo com linguagem clara e dar o seu recado, que por sinal tem a ver com o texto de ontem: – Atenção senhores de terno cinza, gravata preta e camisa branca porque “quem não se comunica, se trumbica”.

A palestra de 20 minutos está dividida em dois vídeos. Vale cada segundo.

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[Economia de Convergência] â??Quem não se comunica, se trumbicaâ?

A frase não é minha, mas de José Abelardo Barbosa de Medeiros, mais conhecido como Chacrinha, um pernambucano nascido em 1917 na cidade de Surubim, da qual provavelmente você nunca ouviu falar.

� muito possível também que você nunca tenha assistido a um programa de Chacrinha na televisão, o que indica que é pequena a probabilidade de você já sofrer com as dores de coluna que me tiraram do ar durante alguns dias, mas isso não invalida a comparação com a importância de internet na atualidade.

Em uma época absolutamente circunspecta, de apresentadores trajados de terno cinza, gravata preta e camisa branca, Chacrinha se apresentava com roupas absolutamente extravagantes, cartolas e acessórios non-sense como discos de telefone (isso mesmo, telefone tinha disco, não teclado) e buzinas penduradas no pescoço. A irreverência era tamanha que causava a ira de muita gente (meu pai no meio), mas conseguiu agradar multidões, criando bordões como o que dá título a este texto.

Como economista-ecologista, tenho dado especial atenção ao comportamento das empresas em relação à comunicação e à construção de seus valores.

Veja que primoroso exemplo de missão institucional que copiei na internet, por indicação do amigo Paulo Granja:

â??Promover a formação integral do indivíduo, por meio da capacitação profissional, da produção e aplicação do conhecimento, da promoção da cultura, do respeito aos valores éticos-morais, através de um processo educativo contínuo de qualidade, voltado para o desenvolvimento da sociedadeâ?.

Não é bonito? E seu eu disser que essa é a missão da UNIBAN, universidade de onde uma aluna foi expulsa sob xingamentos, por estar trajando um vestido curto? (se não acredita, por favor, visite o endereço http://www.uniban.br/institucional/missao.asp).

Mas, afinal, o que tem a ver Chacrinha com Uniban e o cidadão 2.0? Tudo!

Só vou usar a universidade como exemplo. Aliás, um ótimo exemplo para demonstrar o que nunca deve ser feito.

Em linhas gerais, tirando os matizes e cores excessivas, uma aluna da universidade foi à aula com um vestido que algumas alunas julgaram inadequado por ser muito curto. Estas se manifestaram de forma agressiva, conseguindo pelo â??efeito manadaâ?, que outros alunos engrossassem as fileiras dos perseguidores. Animados pela adesão, aos impropérios sucederam demonstrações crescentes de total falta de civilidade.

Até aqui, falamos de um grupo de alunos. No entanto, a desastrada intervenção da direção da escola foi muito mais esclarecedora deste maravilhoso case do tipo â??o que não fazerâ?.

A â??manifestaçãoâ? dos alunos não só não foi debelada a tempo como a aluna acabou saindo da escola sob proteção policial e coberta com um jaleco. Não satisfeito com a falta de atitude, o diretor resolveu expulsar a aluna atacada (mas ela não era a vítima?).

Eu não estava lá, não sei se o vestido era curto, transparente, adequado ou não, mas não me interessa. Também não vou considerar que provavelmente alguma novela apresenta imagens muito mais â??picantesâ? e que qualquer biquíni é menor do que um suposto micro-vestido.

Interessa é que um episódio ocorrido dentro dos muros de uma faculdade acabou assumindo proporções internacionais. O caso foi mencionado em diversos jornais do mundo e até na BBC e em jornais da China. Assim é a sociedade 2.0.

O estrago já está feito. Os alunos que não tiveram absolutamente nada a ver com o caso se ressentem das críticas e piadinhas de todos os que não são alunos da instituição. Como negócio, evidentemente é péssimo para os resultados e, embora o episódio venha a ser esquecido no futuro, com toda certeza a imagem será negativamente afetada.

Que bom que sempre conseguimos tirar lições e avanços dos erros. A expulsão da vítima foi revogada, a aluna já recebeu convites de outras escolas interessadas em capitalizar o episódio. Se ela der sorte, pode acabar nas páginas de alguma revista masculina, mas dificilmente a Uniban conseguirá sair ilesa, sem cicatrizes profundas.

Faltou visão aos responsáveis que perderam a ótima oportunidade de se comunicar claramente com o público e demonstrar o equilíbrio e fidelidade à missão institucional de promover â??do respeito aos valores éticos-moraisâ?.

A universidade acreditou que poderia â??controlar o episódioâ? expulsando a garota. São senhores de terno cinza, gravata preta e camisa branca, num mundo absolutamente tomado por Chacrinhas-Blogueiros-Orkuteiros-Twiteiros comunicadores.

Para quem, como eu, lembra do Chacrinha na TV e, portanto, está mais sujeito a dores de coluna, alguns dados importantes: Segundo uma pesquisa da Vox Populi, â??sites de notícias e blogs jornalísticos já são a segunda principal fonte de informações, citados como primeira opção por 20,4% dos entrevistados e ficando atrás apenas da TV, com seus 55,9%. Jornais impressos contam com 10,5% e rádio com 7,8%.

Aos senhores circunspectos por trás das mesas de empresas, um recado: â??Quem não se comunica, se trumbicaâ?.

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