Publicado originalmente em BRPress
Ser economista não é exatamente a profissão mais atraente da humanidade. Desde seus primórdios aqueles que se dedicam a esse estudo convivem com uma imagem bastante impopular. A própria disciplina foi apelidada pouco depois de seu nascimento como â??Ciência Lúgubreâ?, tudo porque trata de algo que integra nosso dia a dia de forma absoluta.
O problema é que o fato de atribuir valor, cria a necessidade de que pensemos a respeito. Romanticamente gostarÃamos que tudo fosse de graça e abundante, mas como isso não existe, os economistas passam a ser os chatos de plantão.
Outra premissa falsa é a que coloca os economistas como algozes dos menos favorecidos e defensores dos poderosos. Nada mais falso!
A economista de maior destaque na atualidade, Elinor Ostrom, ganhadora do prêmio Nobel de Economia, foi agraciada com esse prêmio exatamente por seu trabalho para definição do valor do â??bem comumâ?.
Embora pareça um tema meio aborrecido, o que Ostrom estuda é uma forma de valorar e administrar coisas que pertencem a uma coletividade. Praças, praias, rios e matas, por exemplo, são temas desse estudo.
A cientista considera essencial que a comunidade diretamente vinculada a esses patrimônios coletivos, seja sua gestora, numa inversão da responsabilidade à  qual nos acostumamos. Essa comunidade usufrui dos bônus e ônus de sua gestão, podendo â?? e devendo â?? interagir com outras comunidades afins, para obter melhores resultados.
Principalmente no Brasil, estamos muito acostumados a reclamar dos polÃticos e das empresas, mas nos esquecemos que é o nosso voto e nosso dinheiro que o elege os primeiros e gera lucro à s companhias.
O que me entusiasma nessa linha de pesquisa é o potencial que começa a ganhar a partir das possibilidades de acesso oferecidas pela internet.
Um estudo da Nielsen publicado esta semana constata que há 11 milhões de brasileiros acessando Internet em seus celulares. São pessoas que podem e devem participar ativamente da gestão do bem comum, organizando-se, errando, acertando mas, sempre, sendo responsável pelos resultados.
A sociedade estruturada dessa forma descentralizada continuaria apresentando a necessidade do poder constituÃdo, claro, mas não seria uma simples espectadora. Pelo contrário, participaria ativamente das decisões tomadas e cobraria os resultados.
Várias experiências têm sido conduzidas no mundo utilizando as ferramentas de comunicação da internet para reunir pessoas em torno de um mesmo objetivo, desde um site de apoio às mães em seu relacionamento com filhos, até um time de futebol inglês, no qual todos os sócios participam das contratações e escalações dos jogadores.
Extrapolando essas possibilidades, imagino qual será a primeira empresa de telefonia no Brasil a oferecer aos seus clientes a possibilidade de que interfiram em seus planos de ampliação, em sua prestação de serviço.
Para isso, o cliente deverá compreender que tarifa que está pagando é justa e que ele não faz um favor à  empresa por ser seu cliente, uma vez que está recebendo a prestação do serviço que lhe é essencial. A empresa, por sua vez, deverá ser clara o suficiente para que seus valores sejam reconhecidos por seus clientes e que estes sintam-se parte integrante de seus resultados, compreendendo que seu negócio é satisfazer a necessidade dos seus clientes.
A metáfora do time de futebol me parece muito esclarecedora. Afinal, o que leva milhares de torcedores a um estádio? Todos estão ali com o objetivo de dar apoio, de demonstrar sua predileção por um grupo, mesmo não tendo qualquer remuneração para isso, pelo contrário.
Faz parte desse movimento de conscientização o desenvolvimento de valores. Ã? preciso compreender que somos partes de uma mesma realidade e que, portanto, não é possÃvel que uma parte seja exageradamente beneficiada em detrimento de outra.
Desses valores fazem parte questões que somente agora passam a integrar as visões das empresas como meio ambiente e responsabilidade social.
Mais do que simples argumentos de marketing, esses aspectos serão essenciais para destacar empresas e comunidades no mundo das comunicações.
Estamos vivendo uma profunda alteração dos nossos paradigmas. Que bom!

(+1 `classificação, 1 votos)

