Monthly Archive for julho, 2009

Tentando transformar a internet em curral eleitoral

ou: de como Sarney tenta falsificar até o ciberespaço.

De certa forma devemos ficar satisfeitos: até o cramunhão Sarney percebeu que a internet e o usuário da rede são importantes, tanto que criou uma equipe de jornalistas para “lidar” com os comentários da “imprensa marronzista” e dos incontáveis blogs e tweets contra ele (AQUI você pode ler mais a respeito).

O problema é que em vez de entender como funciona e começar a se comportar de acordo com a vontade expressa pelo eleitor, o imbecil resolveu lutar contra a maré, contratando 15 jornalistas para postar comentários favoráveis.

Coincidentemente começaram a se multiplicar defesas em nome de Raimundo Nonato, Maria Mercedes e Cordeiro Vargas, alguns dos pseudônimos usados pela trupe.

Não critico os jornalistas, afinal, ganhar R$1.800 por mês para o trabalho, até que não é mal, principalmente para início de carreira. O que eu realmente não consigo admitir é que depois de tanto tempo na política essa múmia não tenha aprendido nada além de tentar se manter no poder a qualquer preço, mesmo que esse preço seja a fúria das massas.

Eu sei que ele conta com a curtíssima memória do brasileiro mas, convenhamos, seria mais fácil esquecer o episódio se ele fosse bem curtinho. O bigodão poderia, como sugeriu Eliane Catanhêde, simplesmente alegar a preocupação com o tratamento da esposa e cair fora.

Engraçado é ver a quantidade de criaturas asquerosas que o cercam, todas de impoluta imagem, defendendo suas qualidades. A mais impressionante de todas as manifestações foi, com certeza a de Wellington Salgado, senador de Minas Gerais, que declarou que Sarney havia enfrentado “a ditadura para fazer a abertura política”. Justo quem.

Sarney é – e sempre foi – um dos maiores adesistas que este país já teve. Render-lhe loas como “democrata”, só poderia resultar no que resultou: Wellington Salgado foi chamado de “Pequeno Senador” em uma manifestação na Rede Social Respeite.me , que, de brinde trazia a devida explicação do apelido: “Pequeno Senador porque quando não está mamando, está fazendo caca“.

Acreditar que um grupo de 15 pessoas pode, por mais dedicado que seja, vai conseguir encobrir os comentários desairosos que se multiplicam exponencialmente na internet é, para não acusar ninguém de burrice, desconhecer completamente a estrutura da rede.

Sarney e seus asseclas precisam entender de uma vez por todas que não podem transformar a internet em currais eleitorais. A rede não é o Maranhão, não é o Amapá. A internet não tem fronteiras e nem se curva às vontades desses idiotas mal intencionados travestidos de gente séria.

Duvidam? Nem a China consegue controlar a rede. Será que os energúmenos acham que somos tão fracos assim a ponto de deixá-los assumir as rédeas de nossas consciências? N�O!

Primeiro precisamos tirar esse cretino de lá. Depois passaremos a cobrar explicações e posicionamentos dos outros. Um dia estaremos fortes o suficiente para promover uma alteração realmente substancial, que nos coloque a todos como agentes da criação e desenvolvimento da democracia direta, onde a manifestação dispense o intermediário.

Estamos só no começo.

#FORASARNEY

Obs: Este blog é tão democrático que até manifestações em defesa desse excremento serão publicadas. Procurem, no entanto, usar outros pseudônimos. Fica muito chato usar sempre os mesmos.

(Ainda não classificado. Seja o primeiro a votar.)
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Os pássaros – Rubem Alves

MENINAS e meninos, a briga entre os bichos da floresta era sobre “dieta”: quem come o que, quem come quem…
Os vegetarianos formaram o Partido das Bananas. Os carnívoros pensaram em formar o Partido da Linguiça, mas logo, aconselhados pelo Camaleão, adotaram a tática da dissimulação e deram ao seu
partido o nome de Partido dos Abacaxis, que, graças à ingenuidade dos membros do Partido das Bananas, que acreditaram que, entre banana e abacaxi, não havia diferença, ganhou as eleições.
Empossado o Congresso, os representantes elegeram o seu presidente, a Hiena, sempre com um sorrisinho de Monalisa no focinho.
Na sua posse, ela fez um discurso sobre as excelências da dieta vegetariana. Citando o filósofo alemão Ludwig Feuerbach, que disse que somos o que comemos, ela declarou: “Vacas comem capim, portanto são capim. Macacos comem banana, portanto são bananas. Galinhas e patos comem milho, portanto são milho. Assim, onças que comem vacas estão, na verdade, comendo capim. Uma cobra que come um macaco está, na realidade, comendo bananas. Um gambá que come galinhas está, na realidade, comendo milho. São todos, portanto, vegetarianos. Assim sendo e em cumprimento às promessas que fizemos no período eleitoral, proclamo a lei de que todos os animais terão de ser vegetarianos. Viva a República Vegetariana!”.
O discurso da Hiena foi seguido por um festival gastronômico em que hienas, onças, lobos, cães vadios, cobras, gambás e gatos vegetarianamente churrasqueavam vacas, veados, macacos, galinhas e passarinhos. A lei é clara: todos os animais são vegetais transformados…
Aí os membros do Partido das Bananas perceberam que haviam caído numa armadilha. Leis são armadilhas. Uma vez feitas, não podem ser abolidas, a menos que sejam revogadas por aqueles que as fizeram. E, olhando para seus gordos representantes no Congresso, perceberam que nenhum deles estava disposto a trocar costeletas, lombos e linguiças por alface, couve e cenoura… Concluíram, então, que, com aquele Congresso de carnívoros, a reforma política jamais seria realizada.
Foi então que um leitão rechonchudo chamado Alfred Hitchcock pediu a palavra. O dito leitão ponderou: “Eu não posso enfrentar a onça. As galinhas não podem enfrentar os gambás. Os cordeiros não podem enfrentar os lobos! Mas os pássaros! Milhares de pássaros em seus voos rasantes e bicos pontudos! Que poderão fazer as onças, os gambás e os lobos contra o ataque de milhares de pássaros? Vamos chamar os pássaros! Eles são vegetarianos! São nossos aliados!”.
E assim aconteceu. Vieram então, em bandos que tapavam o sol, milhares de andorinhas, sabiás, pardais, tico-ticos, periquitos… Invadiram o edifício do Congresso. Foi um pandemônio. O espaço escureceu. O barulho dos pios e dos gritos dos pássaros era ensurdecedor. Milhares de bicos bicando sem parar em mergulhos certeiros.
Além disso, por onde iam, soltavam seus excrementos moles e fedidos que escorriam pelos sorrisos de Monalisa dos excelentíssimos. Os representantes gritavam histéricos: “Isso é conspiração dos meios de comunicação”. Os gambás, as onças, os lobos, os cães vadios e as hienas fugiram e nunca mais voltaram, com medo de que os pássaros lhes furassem os olhos…
Isso, meninos e meninas, tem o nome de revolução. Revolução é quando os eleitores resolvem, eles mesmos, demitir os seus representantes que os traíram e fazer, eles mesmos, as leis. Portanto vamos chamar os pássaros…
RUBEM_ALVES@UOL.COM.BR

image0066MENINAS e meninos, a briga entre os bichos da floresta era sobre “dieta”: quem come o que, quem come quem…

Os vegetarianos formaram o Partido das Bananas. Os carnívoros pensaram em formar o Partido da Linguiça, mas logo, aconselhados pelo Camaleão, adotaram a tática da dissimulação e deram ao seu partido o nome de Partido dos Abacaxis, que, graças à ingenuidade dos membros do Partido das Bananas, que acreditaram que, entre banana e abacaxi, não havia diferença, ganhou as eleições.

Empossado o Congresso, os representantes elegeram o seu presidente, a Hiena, sempre com um sorrisinho de Monalisa no focinho.

Na sua posse, ela fez um discurso sobre as excelências da dieta vegetariana. Citando o filósofo alemão Ludwig Feuerbach, que disse que somos o que comemos, ela declarou: “Vacas comem capim, portanto são capim. Macacos comem banana, portanto são bananas. Galinhas e patos comem milho, portanto são milho. Assim, onças que comem vacas estão, na verdade, comendo capim. Uma cobra que come um macaco está, na realidade, comendo bananas. Um gambá que come galinhas está, na realidade, comendo milho. São todos, portanto, vegetarianos. Assim sendo e em cumprimento às promessas que fizemos no período eleitoral, proclamo a lei de que todos os animais terão de ser vegetarianos. Viva a República Vegetariana!”.

O discurso da Hiena foi seguido por um festival gastronômico em que hienas, onças, lobos, cães vadios, cobras, gambás e gatos vegetarianamente churrasqueavam vacas, veados, macacos, galinhas e passarinhos. A lei é clara: todos os animais são vegetais transformados…

Aí os membros do Partido das Bananas perceberam que haviam caído numa armadilha. Leis são armadilhas. Uma vez feitas, não podem ser abolidas, a menos que sejam revogadas por aqueles que as fizeram. E, olhando para seus gordos representantes no Congresso, perceberam que nenhum deles estava disposto a trocar costeletas, lombos e linguiças por alface, couve e cenoura… Concluíram, então, que, com aquele Congresso de carnívoros, a reforma política jamais seria realizada.

Foi então que um leitão rechonchudo chamado Alfred Hitchcock pediu a palavra. O dito leitão ponderou: “Eu não posso enfrentar a onça. As galinhas não podem enfrentar os gambás. Os cordeiros não podem enfrentar os lobos! Mas os pássaros! Milhares de pássaros em seus voos rasantes e bicos pontudos! Que poderão fazer as onças, os gambás e os lobos contra o ataque de milhares de pássaros? Vamos chamar os pássaros! Eles são vegetarianos! São nossos aliados!”.

E assim aconteceu. Vieram então, em bandos que tapavam o sol, milhares de andorinhas, sabiás, pardais, tico-ticos, periquitos… Invadiram o edifício do Congresso. Foi um pandemônio. O espaço escureceu. O barulho dos pios e dos gritos dos pássaros era ensurdecedor. Milhares de bicos bicando sem parar em mergulhos certeiros.

Além disso, por onde iam, soltavam seus excrementos moles e fedidos que escorriam pelos sorrisos de Monalisa dos excelentíssimos. Os representantes gritavam histéricos: “Isso é conspiração dos meios de comunicação”. Os gambás, as onças, os lobos, os cães vadios e as hienas fugiram e nunca mais voltaram, com medo de que os pássaros lhes furassem os olhos…

Isso, meninos e meninas, tem o nome de revolução. Revolução é quando os eleitores resolvem, eles mesmos, demitir os seus representantes que os traíram e fazer, eles mesmos, as leis. Portanto vamos chamar os pássaros…

RUBEM_ALVES@UOL.COM.BR

#forasarney

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Uma pitada de bom humor

Um doce pra quem adivinhar em que nuvem foi moldado o presidente do Senado

#forasarney
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Além da crítica

Tenho participado de muita discussão filosófica a respeito do Consumidor 2.0, da Web 2.0, da Empresa 2.0, do Cidadão 2.0.

A nomenclatura 2.0, em síntese, foi adotada para estabelecer um rompimento com um padrão anterior, seja em que atividade for. O Consumidor 2.0, portanto, tem um comportamento fundamentalmente diferente do que estávamos acostumados a ver e exige que todo o entorno se adeque às suas novas necessidades, que por sinal são viabilizadas a partir de ferramentas como a Web 2.0 e produzidas/vendidas/comercializadas por Empresas 2.0.

Mas neste momento estou mais interessados na análise da formação do que estamos chamando de Cidadão 2.0 que, no fundo, é uma decorrência dos outros avanços.

Ouço críticas aos jovens que não se manifestam ou, que por outro lado, se manifestam superficialmente, sem considerar o conteúdo. Alguns reclamam do tempo que seus filhos passam em frente ao computador (no orkut, no msn, no twitter). Muitos reclamam do conteúdo extremamente perigoso da internet ou – ainda pior – da baixíssima qualidade do que está disponível na rede.

Só para ilustrar, lembro-me de uma ocasião em que minha mãe, preocupada com a necessidade de oferecer-nos material de pesquisa para a escola (pública) comprou uma enciclopédia. Era uma imitação barata da BARSA (que era uma versão mais simples e em português da mais famosa enciclopédia da época, a Britannica), chamada BADEN.

Os volumes eram de cor creme, com uma faixa vermelha com adornos dourados. Fora isso, era uma total, completa e absoluta merda, com erros crassos de português e até mesmo problemas de organização alfabética.

Na época a alternativa seria reclamar ao bispo. O resultado é que aquela porcaria ficou adornando a estante durante muito tempo. Hoje, alguém se atreva a esse tipo de coisa sabe que vai ter uma série de problemas, desde o PROCON e o ReclameAqui até a Justiça do Consumidor, que funciona melhor que qualquer outra.

O fato é que estamos vivendo um momento de transição – e não sabemos para onde. Provavelmente o que é mais angustiante: temos a consciência de que essa transição não vai terminar.

Acabou-se o tempo em que um produto estava terminado, um serviço estava pronto. Vivemos um momento “BETA CONSTANTE” (só para usar outra figura de linguagem da informática) em que a evolução ocorre a cada instante e a única certeza é a de que, em seguida, outra mudança vai ocorrer.

O engraçado é que nossos políticos e instituições continuam se esquecendo disso e insistem em um modelo absolutamente antiquado. Não estão preocupados com o cidadão, mas com o voto. Não estão preocupados com os resultados, mas com o poder.

Uma notícia a todos vocês, políticos velhos (não antigos) e ultrapassados: empresas quebram, serviços são descontinuados e vocês, meus caros, mais cedo ou mais tarde, vão perder seus mandatos para pessoas que estejam mais bem preparadas para falar com quem decide o voto.

Ouça o que um ícone da política 2.0 tem a dizer. Tente aprender alguma coisa:

PS: ele não tentou proteger os “cumpanhero” que foram pegos com a boca na botija.

#forasarney
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Atendendo a pedidos

Algumas pessoas têm reclamado do tom pesado que adotei neste espaço nos últimos dias.

� claro que tento justificar demonstrando a gravidade da situação e a perspectiva para os próximos meses, caso não façamos nada de concreto como, por exemplo, dar apoio ao Senador Cristovam Buarque que parece estar realmente disposto a pedir a cassação do Sarney.

Temos que enterrar esse assunto para podermos nos dedicar a outros, mais próximos porque, afinal, nossas cidades precisam de cuidados, a saúde pública está um desastre, as escolas cuspindo gente sem qualificação e a maioria das pessoas não sabe como se manifestar.

De toda forma, para tornar mais “leve” este espaço, resolvi publicar hoje um enorme sucesso de público e crítica, exatamente na semana do amigo.

Fiquem com: AMIGO

PS: só para não esquecer e nem ter dúvidas #forasarney. Respeite.me

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A grande revolução brasileira do bigode

A-Brazilian-moustache-pro-001
Eleitores irritados com os escândalos que cercam José Sarney, presidente do Senado brasileiro, estão se voltando para uma forma bizarra de protesto online – cultivando o bigode, sua marca registrada.

(Tradução livre do original – The great Brazilian moustache revolution – The Guardian – Tom Philips)

Eles já foram símbolos de poder e sofisticação. De Hulk Hogan a Adolf Hitler, de Albert Einstein a Edward Elgar, o bigode estava em todos os lugares. Mas hoje, com a queda da moda dos pelos faciais, o bigode está assumindo um novo papel na vida pública como um veículo para protestos.

Como prova disso, veja o que acontece no Brasil, onde os eleitores criaram a “greve de bigode” para registrar sua ira contra o mais novo escândalo político. A campanha conclama os brasileiros descontentes a deixar bigodes e postar suas fotografias em um blog (tiremobigode.blogspot.com).

Os bigodes são a referência a José Sarney, presidente do Senado do Brasil, que está atualmente sendo atormentado por alegações de nepotismo e apropriação ilegal de recursos públicos e é famoso pelo farto tufo de pelos que adorna seu lábio superior. Os manifestantes dizem que só vão voltar a se barbear novamente quando o senado depuser seu presidente.

“Ã? uma forma de movimentar as pessoas que pensam que a política é idiota e que normalmente não se envolve com ela”, diz Ricardo Silveira, 30, o diretor de arte residente em S.Paulo, que criou a campanha.

As regras estabelecem que os homens manifestantes devem deixar crescer seus bigodes genuínos enquanto mulheres e crianças podem usar falsos. Ontem pelo menos 100 pessoas se juntaram ao protesto, com os visitantes podendo votar no melhor bigode apresentado.

O uso do bigode como ferramenta de campanha está se espalhando pelo globo. Em Novembro passado, milhares de homens através do mundo cultivaram bigodes como parte de uma jornada para aumentar a consciência sobre o cânces de próstata. Em 2007, trabalhadores de uma microdestilaria na Georgia, um estado do sul dos EUA, também lançaram o “protesto do bigode” depois que o o governo demorou para dar-lhes uma licença da destilaria.

Mas a efetividade dos protestos de bigodes não é clara. Analistas dizem que Sarney, um poderoso suporte do governo de coalizão do Brasil, que foi presidente do país por cinco anos, provavelmente sobreviverá. A greve pode, ainda, atingir os próprios manifestantes. A namorada de Viton Araújo, outro organizador por trás do protesto, está aparentemente furiosa com o bigode de seu parceiro a ameaçou cortá-lo enquanto ele dorme. Silveira, entretanto, se tonou o alvo de piadistas próximos a seu escritório em São Paulo, que começaram a gritar “Ei, Borat!”

PS: #forasarney

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Sinto vergonha de mim – Cleide Canton

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia, pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade
a demasiada preocupação com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade” em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar
atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”,
voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!
De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto.

Cleide Canton

#forasarney
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Cala a boca, MPF! (Moleque Porcaria Fedido)

Foi ontem a cerimônia de posse do novo Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel. Lula estava lá e leu o discurso preparado, no qual rasgou elogios à instituição. Até que, como sempre, a Excelência resolveu que tinha que improvisar. Como sempre, deu M.

Provavelmente motivado pela angústia da pressão do dia em que seu apaniguado-mor, o cramunhão Sarney teve revelada mais uma falcatrua, São Lula admoestou os presentes (evidentemente direcionando as palavras ao novo ocupante do cargo máximo do Ministério Público Federal): ou os procuradores param com o mau hábito de acusar pessoas sem provas ou a instituição acabará sendo alvo de uma reação dos prejudicados.

Do alto de sua inesgotavel sapiência, Lula mandou o MPF  se calar (naquele momento a sigla mudou de significado e passou a ser o acrônimo de Moleque Porcaria Fedido) ou…

Não é um exemplo de respeito às instituições democráticas? Quase um mimo!

Quando meus pais terminavam uma frase com esse “ou…”, um frio me subia pela coluna e os cabelos ficavam hirtos de medo. Imagino que Roberto Gurgel, que nem na nova cadeira havia sentado, deva ter entendido a mensagem explícita.

Como nem tudo está perdido, o presidente boquirroto também disse ter â??a convicção de que o Ministério Público servirá ainda melhor à única autoridade a que deve responder â?? a sociedade brasileiraâ?.

Podia começar com uma denúncia formal contra o Presidente do Senado, José (Cramunhão) Sarney porque, afinal, eu acredito no discurso do novo PG, no qual afirmou que a luta contra a corrupção prosseguirá sem trégua.

Eu assim espero. O problema é que o comportamento ditatorial do presidente, que não tem o menor pudor em se imiscuir nas atribuições de outros poderes e órgãos instituídos constitucionalmente está passando simplesmente despercebido pela sociedade, sem qualquer reação.

Um dia o senado vira pizzaria, no dia seguinte o procurador-geral toma uma reprimenda como essa. O que virá em seguida? Vamos ficar esperando para ver? Onde estão as instituições deste país? Onde está o sangue de nossas veias?

Que saber de uma coisa? #FORASARNEY

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Em comemoração à demissão do namorado da Bia

Tá bom, gente, eu sei que é feio isso, mas não deu pra evitar. Precisei dar uma tripudiada.

O menino não tem culpa de gostar da neta do cramunhão…

Mas também, depois de ser demitido, é possível que ele repense essas ligações perigosas.

Enquanto isso, assista esta super-produção, totalmente brasileira…

Só pra não esquecer:

#forasarney

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� bom valorizar o que é bom

Esse episódio das gravações do Sarney tem um lado muito bom: tive certeza que não sou da mesma espécie que aquela corja. Nem eu nem a maioria dos brasileiros, que considera ignominiosa a atitude dos bandidos.

O problema é que acabamos esquecendo-nos de nossas raízes, de nossos princípios, do que temos de bom.

Chato pensar que meus filhos tiveram aulas de “country-music” e “street dance” na escola mas NUNCA aprenderam a cantar coisas como Aquarela do Brasil, que você pode ver aqui, numa execução primorosa de um coral esloveno (isso mesmo, da Eslováquia) chamado Perpetuum Jazzile, acompanhado por um grupo brasileiro que, “evidentemente”, grava nos Estados Unidos, chamado BR6. Nos EUA eles valorizam coisas boas. Nós importamos funk, que não tem nada a ver com nossa cultura.

Ah, sim, para não perder o costume:

#FORASARNEY
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