Monthly Archive for abril, 2009

Futuros Imaginários

O Livro do Dr. Richard Barbrook – Futuros Imaginários, publicado no Brasil pela Editora Peirópolis (abril de 2009) está disponível para download sem qualquer custo futuros_imaginarios.

O autor é conferencista da Universidade de Westminster e lança seu último trabalho literário no Brasil.

Futuros Imaginários demonstra como a política influenciou a forma pela qual a Internet é controlada atualmente e faz um chamado a todos que estão ciberconectados a usar a rede para apropriarem-se de políticas revolucionárias e criar um futuro mais positivo.

O Dr. Richard Barbrook participou de recente Seminário no Rio de Janeiro sobre Informação, Poder e Política: Novas Mediações Tecnológicas e Institucionais na CPRM – Urca, onde falou sobre o campo de forças informacional e as novas relações de poder: atores,espaços e governança.

O Seminário foi organizado pelo Ibict no Rio, Fiocruz e UFRJ. O livro disponível e livre de qualquer custo na Internet, no endereço acima, tem 440 páginas está em PDF e tem o sumário abaixo:

O FUTURO É O QUE SEMPRE FOI 31

O SÉCULO ESTADUNIDENSE 43

A COMPUTAÇÃO DA GUERRA FRIA 65

A MÁQUINA HUMANA 79

SUPREMACIA CIBERNÉTICA 91

A ALDEIA GLOBAL 107

A ESQUERDA DA GUERRA FRIA 121

OS POUCOS ESCOLHIDOS 135

TRABALHADORES LIVRES NA SOCIEDADE AFLUENTE 157

OS PROFETAS DO PÓS-INDUSTRIALISMO 193

A ESTRADA ESTADUNIDENSE PARA A ALDEIA GLOBAL 227

O LÍDER DO MUNDO LIVRE 255

O GRANDE JOGO 271

A INVASÃO ESTADUNIDENSE NO VIETNÃ 299

AQUELES QUE ESQUECEM O FUTURO ESTÃO CONDENADOS A REPETI-LO 339

TRADUÇÃO EM IMAGENS 391

PS: Acabo de atualizar o link para download porque o original parece ter sido desativado.

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Crise Internacional – uma resenha acadêmica

Recebi este texto do acadêmico Cauê Torigoe Kalmus. Como alguns dos leitores são também acadêmicos e buscam fontes de pesquisa, resolvi reproduzir o trabalho.

Origens da crise

A crise financeira enfrentada hoje teve inicio nos EUA, quando milhares de americanos tomaram empréstimos em bancos, visando a compra da casa própria, ou hipotecar as que já possuiam.

Com a alta procura, em 2006 o preço dos imóveis atingiu níveis históricos, aumentando também a taxa de juros no país, que atingiram o maior nível desde 2005. Devido a essa alta nos juros, o mercado imobiliário deixou de ser atrativo, e os preços dos imóveis começaram a cair.

Com os preços dos imóveis em baixa, novas hipotecas alcançaram preços menores e empresas de concessão de crédito começam a sofrer com a inadimplência.

No início de 2007 a crise chegou à bolsa de valores. Com as prestações dos imóveis pressionando o orçamento, os americanos têm menos dinheiro disponível para o consumo, causando uma desaceleração na economia. Junto com a desaceleração da economia americana, o resto do mundo também desacelera.

Efeitos no 1º mundo

A economia americana encontra-se em recessão desde dezembro de 2007. Em mais de um ano de crise, a economia americana recebeu um pacote de US$ 700 bilhões no ano passado e a atual administração, do presidente Barack Obama, já conseguiu aprovação dos deputados em Washington para mais um, de US$ 819 bilhões para estimular a economia e ajudar instituições à beira da falência.

Mesmo assim seis grandes empresas de crédito faliram e quase 900 instituições financeiras de pequeno e médio porte ficaram comprometidas.

Por causa da maior dificuldade de obter financiamento, a venda de carros também sofreu uma grande redução, o que obrigou as montadoras a pedir ajuda ao governo. Com a redução nas vendas, houve uma redução na produção, o que causou demissões em vários setores, não apenas no automobilístico.

O impacto da crise internacional na Europa foi ainda maior do que nos Estados Unidos. Enquanto a queda global do PIB no último trimestre de 2008 foi de 1,5%, a Alemanha, â??locomotivaâ? da UE, apresentou uma queda de 2,1%. A produção industrial de dezembro 2008 foi 11,5% inferior à do mesmo mês em 2007. Em janeiro, as vendas de veículos caíram 27%.

O sistema financeiro europeu passa pelas mesmas dificuldades que o norte-americano e as medidas adotadas também tem se mostrado simples paliativos.

Foi assim com as sucessivas baixas das taxas de juros, com as injeções de recursos feitas pelo Banco Central Europeu (BCE) e com as intervenções dos governos. Mas o crédito não flui e os bancos continuam vendo seu valor de mercado evaporar.

A previsão oficial da UE para 2009 é de uma queda média de 1,8% do PIB, mas o estudo prevê que na Irlanda e nos países a diminuição seria de 5%. Na Grã-Bretanha, de 2,8%.

O desemprego oficial da UE aumentou em 1,6 milhão. Em 2008, chegou a 18 milhões de pessoas, 7% da população ativa. A previsão oficial para 2009 é de 3,5 milhões.

A confiança econômica na zona do euro atingiu novo recorde de baixa em março, assim como as expectativas de inflação dos consumidores e dos empresários, segundo pesquisa da Comissão Européia divulgada em 30/03.

Efeitos nos países emergentes

O Brasil demorou a ser atingido pela crise. Os bancos brasileiros não possuíam papéis ligados às hipotecas de alto risco que originaram o problema. Mas vários setores sofreram pela contração do crédito, e depois, pela redução nas exportações e demanda interna.

O resultado foi o aumento na taxa de desemprego e a expectativa de desaceleração no crescimento econômico do país, embora espere-se que fique melhor do que o da maioria dos países desenvolvidos e emergentes.

As quebras e os problemas enfrentados por bancos americanos e europeus até então considerados importantes e sólidos geraram o que se chama de “crise de confiança”.

Num mundo de incertezas, o dinheiro pára de circular – quem possui recursos sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa não encontra quem forneça. Isso fez cair e encarecer o crédito disponível e numa economia globalizada, a falta de dinheiro em outro continente afeta empresas no mundo todo.

No Brasil, a dificuldade de obter dinheiro foi o principal efeito da crise. Grandes empresas que dependiam de financiamento externo passam a encontrar menos linhas de créditos disponíveis. Por consequência, com a dificuldade em captar no exterior, ficam comprometidos projetos de construção dessas empresas, que por sua vez gerariam empregos e renda ao país.

Outra consequência da crise é haver redução no consumo das famílias e do investimento das empresas, dois dos principais pilares de expansão da economia nos últimos anos. Eles cresceram justamente pela farta oferta de crédito. Com menos dinheiro, gasta-se menos, produz-se menos e o crescimento é menor.

Também são afetadas as exportações do país, que devem cair porque os países compradores estão se desaquecendo e possuem menos dinheiro para comprar.

O próximo passo dos problemas causados pela crise no Brasil é o desemprego. A combinação das reduções do consumo interno, do crédito, das exportações e dos investimentos causa uma diminuição da demanda das empresas, que se vêem obrigadas a rever seus quadros de funcionários. Os setores que mais sofrem com a queda da demanda, tanto no Brasil como no resto do mundo, são o automotivo, o imobiliário e o de bens de capital (ligado aos investimentos).

Isso ocorre porque vendem produtos que dependem diretamente de financiamento, que está escasso. O reflexo da crise se espelhará no desempenho do PIB brasileiro. Para 2009, as previsões dos analistas de mercado é de crescimento de 1,8% – abaixo dos 3,2% esperados pelo próprio BC e dos 4% esperados pelo governo federal.

Outro reflexo visível da crise no mundo, e que teve especial repercussão no Brasil, foi a forte queda nos mercados acionários. Trata-se de um ciclo sem fim: com medo da crise financeira aumentar, os investidores tiram o dinheiro das Bolsas, consideradas investimentos de risco. Então, faltam recursos para as empresas investirem e a crise aumenta, o que faz os investidores tirarem mais dinheiro.

A China, outro importante emergente, adotou medidas para facilitar o crédito, reativar a construção imobiliária e favorecer as exportações. Também anunciou um plano de medidas fiscais e investimentos de 586 bilhões de dólares até 2010. O crescimento econômico da China caiu a 9% no terceiro trimestre, o ritmo mais lento em cinco anos. Além disso, a produção industrial cresceu 8,2% em outubro, em comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto a alta em setembro foi de 11,4%. O superávit comercial da China caiu 43,5% em fevereiro no confronto com um ano antes, para US$ 4,84 bilhões.

As exportações recuaram 25,7% no segundo mês de 2009 ante mesmo período do exercício passado, ficando em US$ 64,9 bilhões, e as importações tiveram queda de 24,1%, para US$ 60,1 bilhões. O governo chinês anunciou o aumento das taxas de devolução fiscal às exportações em setores-chave da economia, com o objetivo de apoiar as vendas da China ao exterior. As vendas ao exterior foram a locomotiva do crescimento econômico chinês nos últimos anos, que ultrapassou os dois dígitos.

No entanto, a recessão global atingiu especialmente a indústria exportadora chinesa, o que deixou mais de 20 milhões de operários imigrantes chineses sem trabalho no último ano.

Para enfrentar a crise, o Governo anunciou um plano de choque com um investimento de 4 trilhões de iuanes (US$ 585 bilhões), voltado a infraestruturas e desenvolvimento social.

Conclusões

Crises são comuns e esperadas no capitalismo. O aspecto realmente impressionante nesta crise, além da sua extensão, é o fato de que os países perceberam rapidamente a necessidade de uma atuação em conjunto para que seus efeitos não perdurassem mais do que o suportável, a fim de evitar que sucumbisse toda a estrutura do sistema.

Os bancos centrais atuaram de forma harmônica, reduzindo taxas de juros e garantindo um mínimo de liquidez aos bancos privados.

Mas o problema definitivamente não está resolvido. A estrutura do sistema deverá sofrer definitivas alterações, levando-o a considerar outras questões como o valor efetivo da produção (em contraposição aos rendimentos financeiros), a necessidade de integrar economias consideradas marginais até o início da crise, enfim, a mudança de diversos paradigmas que estavam até então cristalizados nas economias do â??velho continenteâ?.

Um exemplo do quanto isso é verdadeiro pode ser constatado na visita do primeiro ministro britânico ao Brasil. Gordon Brown defendeu abertamente a integração do Brasil às decisões mundiais, até agora tomadas pelo chamado G8.

Essa não é uma concessão. Pelo contrário, é a constatação de que as populações dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), representarão em breve algumas das maiores economias do mundo.

Entre os quatro, parece haver vantagens em termos de mercado interno para a China e Índia, enquanto o Brasil apresenta os melhores fundamentos econômicos mas, tanto quanto a Rússia, é um exportador de commodities, portanto, sofre os problemas relativos à definição de preços.

A Europa, neste particular, parece em situação muito pouco cômoda porque seu mercado interno é significativamente menor que o americano e está perdendo posições inclusive para países do BRIC (a China já ultrapassou a Alemanha).

O capitalismo parece estar convergindo para um sistema mais embasado na produção â?? seja de bens tangíveis ou de conhecimento â?? e menos na especulação financeira, o que fará com que velhas economias se reinventem.

Ã?s novas cabe o papel de se estruturarem para fazer frente aos novos desafios globais.

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Meu novo ídolo: Luiz Carlos Prates

Não conheço o jornalista mas só o fato de ter falado assim, com todas as letras tudo o que eu gostaria de ter dito e ainda por cima numa emissora da Globo,  já me transforma em seu fã.

Obrigado à imprensa por ter pressionado os congressistas a acabar com essa safadeza.

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Crise Mundial – Aldayr Heberle

Recebi o texto diretamente do autor e resolvi publicá-lo aqui em função da sua qualidade, como forma de dividi-lo com você.

Boa Leitura

A Crise Mundial

Durante as décadas de 70 e 80 aprendi muito e fiz a minha formação de “trader” no mercado mundial de “commodities” com o inesquecível Peter Marcy, meu parceiro novaiorquino.  Passávamos sempre alguns meses do
ano juntos e viajávamos visitando clientes no  Brasil, Argentina e Paraguai.  Nos Estados Unidos e na Europa. Ele era didático e  também uma enciclopédia em conhecimentos gerais.  Foi oficial do exército americano durante a segunda guerra mundial e após seu término ficou mais alguns anos na Alemanha, onde aprendeu a falar alemão fluentemente, e prestou serviços a várias entidades civis nesse  País, destroçado pela guerra.

Era um noctívago incorrigivel.  Creio que não existe trader da velha guarda, deste mundo,  que não o tenha conhecido e aprendido com suas lições em qualquer setor do agribusiness.

Faço questão de registrar algumas considerações feitas por ele.

Enquanto passeávamos  pelas práias de Copacaban e Ipanema, olhava para os morros e as favelas e dizia:  o que vai acontecer no dia em que os favelados descerem dos morros e invadirem os belos prédios, shoppings, hotéis, bares e restaurantes da orla?

Em 1973, em pleno “milagre econômico” do Delfim, cismava:  quanto tempo mais vai durar este milagre?  E o que virá depois?

As multidões de gente pobre quando começam e melhorar de vida, ou seja, a ganhar mais, a primeira coisa que fazem é comer melhor.  Comer carne, ao menos uma, duas, três vezes por semana, finalmente todos os dias.

Depois, melhoram a aparência, comprando roupas e sapatos mais chiques.  A seguir compram casa e a mobiliam.  Finalmente, comprar um carro.  O primeiro é usado, depois, vão trocando até comprar um zero.  Viajam, pelo seu país e pelo exterior, compram casa na práia, e melhoram a educação dos filhos. Frequentam teatros e cinemas.

Quando a situação inverte, como está acontecendo atualmente  em todo o mundo, não compram carro novo. Nos EUA as vendas de automóveis novos cairam 37% de março de 2008 para março de 2009, ou seja, 1.36 milhões
para 857.735 unidades, levando gigantes como a GM à falência.

As ações de nosso conhecido CitiGroup despencaram de Us$55,00 para 0,90 por ação, de setembro de 2008 para março de 2009.  Outros bancos centenários faliram em todo o mundo e outros foram salvos pelos governos.

Milhões de pessoas que se acostumaram a comer carne vermelha, inclusive a nossa, passaram a consumir carne suína e de aves, as mais baratas que existem.  Daí, em grande parte, a quebra de nossos frigoríficos, porque seus compradores concelaram contratos em vigor e não fizeram novas encomendas.

Da mesma  forma não compraram sapatos novos de couros, mandaram consertar os que estavam usando ou compram os fabricados com materiais sintéticos, muito mais baratos.  As estatísticas o comprovam, vejamos:

Em 2008 o Brasil exportou 24.765.056 couros por Us$1.854.923.863, ao preço médio de Us$74,90. A previsão para 2009 é: 18.780.000 couros por  Us$1.010.700,000, ao preço médio de Us$53,82.

Comparando os  anos de 2007 para 2008 nossos principais importadores  reduziram suas compras drásticamente, como segue:

Itália: menos 22%
China: menos 24%
Hong Kong: menos 31%
USA: menos 38%
México: menos 30%
Paises Baixos: menos 26%

Nota:  os dados acima são da revista COUROBUSINESS.

Nosso País é um dos mais importantes produtores de couros bovinos. Mas está completamente ausente do mercado de peles exóticas.  Tanto no mercado interno como no externo.  Produzimos milhões de peles de peixes que não são aproveitadas, além de couros de jacarés, avestruzes e outras.

Nesse setor o país mais importante é o México.  Criou a melhor tecnologia de curtimento, acabamento e transformação das peles exóticas em sapatos, bolsas, cintos, casacos, vestidos, tapetes, etc.Anualmente, realiza na cidade de Leon, estado de Guanajuato, uma grande feira, a nível mundial, promovida pela ANPIC – ASOCIACION NACIONAL DE PRODUCTORES Y INDUSTRIALES DE CUEROS.

Recomendo a todos os interessados a visitarem essa feita pois lá expõem fabricantes de máquinas e equipamentos, compradores e vendedores de matérias primas e produtos acabados.

Nosso querido Brasil não foi tão severamente atingido como outros países, os chamados “desenvolvidos”.  Nosso governo tem tomado algumas medidas práticas, como redução de impostos para uma série de produtos, estimulado a construção civil, e muitos outros.

Falta o PAC deslanchar.  E a implantação de um plano de austeridade, redução de despesas supérfluas e acabar com corrupção e a impunidade, legal ou não, que, infelizmente impera em todos os quadrantes de nosso Brasil e
serve de mau exemplo para a juventude e para os cidadãos brasileiros de maneira geral.

Campo Grande, 21 de abril de 2009.

ALDAYR HEBERLE

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Deu no Cláudio Humberto

Índios têm â??milíciaâ? no Amazonas

A “moda” das favelas e regiões carentes do Rio de Janeiro pegou em Tabatinga, no Amazonas: índios tikunas criaram milícias, com regras próprias para policiar, julgar e punir no lugar do poder público e da Justiça, que finge não ver a violência se aproximando dos padrões das grandes cidades, com crescente consumo de álcool e drogas na tribo e a ocorrência cada vez maior de suicídios.

PS: Cadê o Márcio Meira e a sua FUNAI?

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Passagens, Mamatas, Arranjos, Jeitinhos e Falcatruas

O roteiro você já conhece e o slogan, divulgado originalmente pelo Gerrrrson, também.

Ã? só encontrar alguém que, como ele, “querrrr levarrrr vantagem em tudo, cerrrrrto?” (se não entendeu a piada porque não é do seu tempo, assista o vídeo ao final deste texto).

� assim que tudo começa no Brasil do jeitinho, que aliás, não é o meu Brasil.

No meu Brasil, quando alguém quer ou precisa viajar, paga a passagem. Quando é a trabalho, a empresa paga a passagem do funcionário. Se ele quer levar alguém da família ou amigo ou namorada, amante, vizinho, parteira ou cabelereiro, adivinhe só, pode levar, desde que pague as despesas do seu próprio bolso.

Aliás, com despesas, eu não quero dizer só a passagem. Inclua-se nisso a hospedagem, alimentação e os “mimos”.

Tocou-me profundamente a expressão de descontentamento de um dos safados detentores de mandato que insurgiu-se contra a decisão da presidência da Câmara dos Deputados. Ele disse que era absurda a decisão e que os deputados, defensores que são da união familiar, não poderiam concordar em exercer o mandato sem poder compartilhar o tempo com as famílias.

Só de sacanagem, fui pesquisar e cheguei a números impressionantes:

1. Cada um dos 81 Senadores nos custa a bagatela de R$35 milhões/ano

2. Cada um dos 513 Deputados Federais não sai por menos de R$6 milhões/ano

3. Segundo a Transparência Internacional, em relação ao Salário Mínimo vigente, esse custo é OITO VEZES MAIOR do que na Grã-Bretanha (e olha que o salário mínimo lá é bem maior que o nosso)

4. O custo desses nossos representantes é – em termos reais – quatro vezes superior aos seus similares europeus (desculpem aqueles que me servem de comparação).

Vamos combinar que, afinal, não lhes pagamos nenhum salariozinho de m. e que o senhor deputado bem que poderia lembrar que tem – ou teve -  uma santa mãezinha e, em sua homenagem, entender que ele tem condições de pagar as passagens, a roupa que veste, a comidinha que come todo dia, o lazer (tanto o lícito quanto o escuso). Mas também, se não quiser, é simples: RENUNCIE EM FAVOR DA SUA FAMÍLIA (e da minha, seu salafrário).

Declaro desde já meu voto para as próximas eleições: Indicarei nas urnas o nome do primeiro candidato que se comprometer com documento público, a combater a corrupção dentro do poder tenha ela o nome que tiver.

Estou deixando aqui publicado para que os candidatos possam me procurar e cobrar meu compromisso, que vale para a campanha também.

Para ajudar, comprometo-me, também a ler e divulgar os veículos de comunicação que se empenhem em denunciar esse país da corrupção e que eu quero ver enterrado porque, definitivamente, esse não é o meu país.

Ouça AQUI a entrevista com Cláudio Abramo, da Transparência Internacional

Assista o vídeo do filósofo Gerrrrrson

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Instituições em frangalhos â?? Coluna Carlos Brickmann

Coluna de domingo, 26 de abril

Levar a namorada para o Nordeste, mandar a sogra para os Estados Unidos, dar passagens para a família, os amigos, os companheiros, tudo por conta do Tesouro; pagar a empregada doméstica com dinheiro público. Tudo isso é pouca coisa. O grave, mesmo, é que o Congresso brasileiro parece totalmente desligado da opinião pública: no momento em que se pede uma ação drástica de moralização e contenção de despesas, há uma forte tendência parlamentar para o deixa estar para ver como é que fica. E surge um movimento para aumentar em aproximadamente 50% os salários de Suas Excelências. Não é que tenham perdido a vergonha (isso provavelmente aconteceu há muito tempo): o que perderam é o senso de medida, o que perderam é a noção das coisas. Diziam os gregos que, quando os deuses querem destruir um homem, primeiro o enlouquecem. Pois o Congresso, pedindo ainda mais dinheiro, parece hoje uma casa de doidos.

Democracia não existe sem Congresso. Mas os congressistas precisam se dar ao respeito. O senador Cristovam Buarque, do PDT de Brasília, num momento de rara infelicidade, sugeriu um plebiscito para saber se o eleitor quer ter Congresso. Ã? provável que, neste momento, não queira. Ã? provável que, se alguém quiser fechar o Congresso, tenha maciço apoio da opinião pública â?? que estará errada, mas que talvez não veja motivos para pensar diferente.

A propósito: o título desta nota é o mesmo de um famoso editorial de O Estado de S.Paulo. Foi publicado em 13 de dezembro de 1968.

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Deu no Cláudio Humberto

23/04/2009 | 00:00

Ignorância

Olha o tipo de gente que faz a política indigenista caótica do governo: em entrevista à Globonews, o presidente da Funai, Márcio Meira, comparou o marechal Cândido Rondon ao general americano George Custer, conhecido matador de índios. Tido como despreparado, mais parece um ignorante.

Meu comentário: Foi o CH que falou… hehe

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Viagens Internacionais: Do descobrimento aos dias atuais

O barulho de ontem na Câmara dos Deputados por causa da “regulamentação” da emissão de passagens internacionais lembrou-me uma das efemérides esquecidas por nosso povo: 22 de Abril, o descobrimento do Brasil.

Eu não sou historiador, portanto, o que mais diretamente me interessa é demonstrar que a corrupção guarda raízes históricas que remontam ao descobrimento.

Em sua “Carta do Achamento” a “el Rey”, Pero Vaz de Caminha, nosso primeiríssimo repórter, confirma essa tese. Um trecho muito interessante diz o seguinte:

E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe. Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo. E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro – o que d’Ela receberei em muita mercê.

(Pero Vaz de Caminha, 1500).

Em outras palavras, dizia o escrivão: – Uma vez que sou tão fiel, será que não daria para “quebrar o meu galho” e mandar meu genro para trabalhar comigo. Serei eternamente grato.

Com esta prova de nepotismo em 1500, não há como falarmos em uma situação nova nos dias atuais em relação à improbidade.

Alguns dirão que o nepotismo não é ato de improbidade, assim como a emissão de passagens para familiares, amigos e apaniguados de Deputados e Senadores, por não ser ilegal entretanto meu objetivo não é a análise legal do tema, até porque, eu também não sou advogado (thank God!).

Se não era ilegal a emissão das passagens de Vossas Excelências, tampouco era moral, tanto é que tudo ficava “por debaixo dos panos”.

Só temos a agradecer à imprensa que, nos seus poucos momentos de lucidez, é capaz de mudar a história e nos fazer avançar enquanto nação.

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Libertas Quæ Sera Tamen

Adaptação do texto “Abaixo a Derrama” – publicado originalmente na Folha do Povo de MS em 10/05/2004

Republicado em homenagem a um de nossos poucos mártires de verdade e ao sofrido povo brasileiro que perdeu a capacidade de reação aos abusos desses que se auto-intitulam nossos representantes.

Era Uma Vez…

Naqueles tempos o Brasil ainda era colônia de Portugal. As Minas Geraes produziam a todo vapor e a Metrópole inventava novas formas para engordar as finanças do Reino.

O Rei então, instituiu o “quinto”, que não era o dos infernos mas chegava perto, já que em outros termos, quem produzia o ouro pagava 20% aos lusos (para quem não tem muita habilidade com matemática, um quinto é igual a um dividido por cinco, que é igual a 0,2, que é a representação decimal de 20%).

Ia tudo mais ou menos bem até que a produção começou a cair. Algum dos leitores tem alguma idéia do que fez o esperto Reizinho? Criou um novo imposto! Agora, no lugar do quinto, a cidade de Vila Rica, hoje Ouro Preto, devia enviar à coroa portuguesa 100 arrobas de ouro por ano (que atualmente seria chamado de “flat-fee“.

Já naquela época havia sido inventado o jeitinho brasileiro e nossos mineradores ignoraram solenemente a determinação. Por uns tempos a coisa funcionou até que a coroa portuguesa resolveu dar um basta e vir cobrar os impostos atrasados: era a derrama!

Só a cidade de Vila Rica deveria pagar 596 arrobas de ouro!

A coisa ficou tão feia que um grupo insurgiu-se e resolveu que era muito mais negócio ser livre. Influenciados pela pressão nos próprios bolsos e por idéias iluministas (defendiam que o homem não havia sido feito para obedecer cegamente as determinações, mas para pensar e criar), idealizaram até uma bandeira para o movimento, que acabou resultando na morte de Tiradentes e de uma série de outros chamados inconfidentes.

Mas sabe o que aconteceu? O imposto não foi pago!

Portanto, El Rei de Portugal quase perde a colônia quando a tributação ultrapassou os 20% e nós estamos felizes porque aparentemente, graças à crise internacional, a carga tributária de nosso país não vai ultrapassar os 38% este ano. Brasileiro é tão bonzinho!

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