Monthly Archive for janeiro, 2009

Pão e circo

Como solução aos problemas sociais que se avolumavam por causa do desemprego, causado parcialmente pela escravidão, o império romano desenvolveu a política do “Panis et Circensis” (Pão e Circo), que consistia em oferecer à plebe comida e divertimento.

Nesse contexto é que se desenvolviam as lutas dos gladiadores, para as quais foram erguidos estádios, entre eles, o Coliseu de Roma, que tinha capacidade para acomodar 50 mil pessoas e tinha 48 metros de altura. Um monumento que é considerado uma das maravilhas do mundo moderno.

O que isso tem a ver com economia? TUDO!!!

� a demonstração histórica de que nossos políticos pouco ou nada mudaram desde então e que o governador André poderia ser uma reencarnação de um imperador romano. Considerando que Vespasiano foi quem deu inicio à construção do Coliseu e que a história de MS conta, também, com um homônimo (Vespasiano Barbosa Martins), talvez ele pretenda demonstrar exatamente isso, honrando suas raízes e o comportamento ditatorial.

O presidente da FIEMS e do Comitê de Monitoramento da Crise, Sérgio Longen, tentou outra vez hoje (veja matéria) sensibilizar o governador para as questões relacionadas ao setor produtivo do estado, face à crise internacional.

O “imperador”, à moda Lula, concluiu que â??Da crise, 70% é lamúria. Só 30% é realâ?. Ele deveria dar conselhos à Obama, da mesma forma que Lula fez a Bush, porque o presidente dos EUA está claramente preocupado com o evidente agravamento da crise. Além disso, voltou a dizer que o governo já adotou todas as medidas possíveis para resolver o problema.

A estratégia de André é absurda e trará, inevitavelmente, o comprometimento da economia real. Nem ele, nem sua claque de apoio estão minimamente preocupados. Eles acreditam que possam manter ascendentes as receitas do estado para desempenhar o já conhecido papel de inaugurador de obras de fim de mandato, resolvendo com isso qualquer movimento de descontentamento em relação à saúde, segurança ou emprego.

Os gladiadores de Roma eram os camponeses que perderam seus postos de trabalho. A quem o governador pretende lançar à arena de luta? O Coliseu chama-se Copa do Mundo em Campo Grande.

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Copa em Campo Grande: Ã?pio do povo

Sinceramente eu não posso acreditar no que meus olhos veem:

- A saúde pública enfrentando o caos, inclusive suspendendo atendimentos como forma de pressionar a justiça (VEJA AQUI)

- O governador diz que a receita está despencando (será? eu duvido) (VEJA AQUI)

- O prefeito se antecipa à queda de arrecadação e aumenta a carga tributária (IPTU, Taxa do Poste etc) (veja um comentário de um leitor AQUI)

- O setor produtivo, através do Comitê de Monitoramento da Crise reivindica alguma flexibilização, o governador tripudia, mas fica tudo como se nada tivesse acontecido.

- Ninguém sabe qual o projeto para o desenvolvimento do Estado, embora o governo diga que tem um.

Nesse meio de caminho o governador lança sua campanha para reeleição, embora diga que não é campanha.

Mas o melhor de tudo: todos os políticos, entidades, instituições, grêmios recreativos, parquinhos de diversão e congêneres, botecos e padocas (acho que até os sócio-atletas do jockey club estão nessa), resolveram ingressar na super produtiva campanha para trazer a tal da Copa do Mundo para Campo Grande. 

Admito que não gosto de futebol mas, independente desse fato, é simplesmente absurdo pensar que o país mais rico do mundo está se descabelando para tentar encontrar uma forma de arrumar a economia e nós estamos muito preocupados com a cidade em que a copa vai se desenrolar.

Antes que alguém retruque, eu sei muito bem que viria muito dinheiro para a cidade caso isso aconteça – o que eu duvido solenemente e escrevo, embora não chegue a torcer contra – mas do jeito que as coisas estão, mesmo que tais recursos viessem para o estado, as melhorias vão se restringir aos negócios diretamente relacionados ao tal do esporte.

Se alguém morrer por falta de atendimento na Santa Casa enquanto o Prefeito, Governador e todos os demais políticos fazem campanha para a Copa em Campo Grande, debite-se ao Ministério Público, que resolveu calar-se.

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Santa Casa de Campo Grande – a verdade está lá…

Meu objetivo não é fazer política mas não posso deixar de evidenciar as incoerências flagrantes entre os discursos, ainda que inflamados e supostamente bem intencionados, e a realidade. Aliás, quando a realidade deixa de atender as necessidades, trata-se logo de criar uma “realidade fantástica”.

A saúde pública no Brasil é um direito do cidadão e um dever do Estado. No entanto, como é evidente, os hospitais públicos são insuficientes e, como forma de contornar essa ineficiência, os recursos públicos destinados à saúde são transferidos para entidades filantrópicas que administram os hospitais particulares.

Não é, evidentemente, o melhor dos mundos, mas costuma funcionar relativamente bem até que o tal poder público resolve que ele é menos incompetente do que a iniciativa privada.

Exemplos não faltam no Brasil mas vou me restringir ao caso Santa Casa de Campo Grande, o maior hospital da região centro oeste e que chegou a esse ponto sem a ingerência do poder público, mas que há 4 anos foi “expropriado” pela prefeitura, com o respaldo do Ministério Público, Justiça e governo do Estado.

4 anos é tempo mais que suficiente para apresentar resultados em qualquer lugar e a respeito de qualquer coisa, entretanto, com relação à Santa Casa, o tempo se move de forma diferente. Não sei se o prédio está numa dobra do tempo ou se, simplesmente, os interesses não são os do mundo real, mas o fato é que os mistérios rondam a instituição…

Algumas pérolas:

1. Governador admitiu em entrevista a jornal que participação do Governo do Estado na Santa Casa é figurativa.

1a. A Secretária de saúde disse que a Santa Casa melhorou muito depois que o maior hospital do Centro Oeste passou a ser administrado pelo poder público e diz que até agora estavam olhando a contabilidade (sim, 4 anos olhando a contabilidade. Eu sei que ela não é contadora, mas será que não dava pra chutar menos?).

 

2. O Ministério Público Estadual (MPE) apoia a dita “intervenção” porque tudo está melhor agora.

2a. A Santa Casa suspende cirurgias eletivas e até mesmo as consultas, sem informar nada a ninguém.

Eu não faço nenhuma questão de entender a lógica desse mundo paralelo da enganação mas faço, sim, questão de esclarecer que estou registrando tudo isso.

A quem o MPE pretende enganar ou dar guarida? Como vai exigir o atendimento da população a partir de agora se ele mesmo está dando suporte ao confisco de propriedade privada.

Por que razão o poder público, que diz que sabe administrar hospitais, não faz funcionar os que tem e constrói outros para atender a população?

Mistério…. Acredite, se quiser!

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A prova da ficção da Pauta Fiscal

Tive a curiosidade (e paciência) de encontrar as cotações de boi gordo e a Pauta Fiscal dos últimos dois meses de 2008 e de Janeiro corrente.

Sabe o que encontrei?  A prova mais cabal de que a tal da Pauta Fiscal não passa de um devaneio – ou pesadelo – sem qualquer base lógica.

Se a idéia da pauta é padronizar ou estabelecer um parâmetro de cobrança para o ICMS, seria de se supor que ela tivesse “alguma” relação com os preços de mercado, não é?

Veja este gráfico abaixo e diga se essa não é a prova absoluta do exercício imperialesco da chutometria explícita:

 

A linha verde é a evolução dos preços de mercado do boi gordo. A vermelha, os valores da pauta fiscal, que, supostamente deveria guardar relação com a primeira

A linha verde é a evolução dos preços de mercado do boi gordo. A vermelha, os valores da pauta fiscal, que, supostamente deveria guardar relação com a primeira

Clique no gráfico para ampliar e chorar de rir… de raiva. 

O que me intriga é que o governo do estado decida aumentar a tributação exatamente no momento em que todos os governos do mundo estão injetando recursos na economia.

� burrice ou má fé? Depois tem gente que me chama de irônico.

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Por falar em Pauta Fiscal

Eu falo com certa freqüência – evidentemente não sou ouvido – em um conceito absolutamente primário de economia chamado Curva de Laffer.

laffer1Arthur Betz Laffer é um conceituado economista norte-americano que, nos anos setenta, utilizou-se de um desenho em um guardanapo para ilustrar sua teoria sobre o efeito da carga tributária na receita do governo.

Em linhas gerais, o desenho demonstra que a receita pública será menor a partir de determinado nível de impostos, tendendo a zerar caso a taxação atinja 100%.

Isso porque os agentes econômicos â?? a sociedade, você, eu, nossos vizinhos, ou seja, quem produz â?? não nos sentimos dispostos a investir e a correr riscos se o retorno não for compensador â?? ou se for integralmente destinado a engordar os cofres públicos, sobre os quais não temos controle.

Para os incrédulos, um exemplo prático: a Islândia conseguiu demonstrar a aplicação da curva de Laffer através de um programa de redução de carga fiscal que caiu de 45% para 18% em 10 anos (de 1991 a 2001). Com isso, conseguiu triplicar a receita e manter um crescimento de 4% da economia.

Mais próximo, o estado de S. Paulo também se valeu desse efeito. Em 2004 o governo decidiu reduzir a alíquota sobre os combustíveis como forma de combater a sonegação. O ICMS caiu de 25% para 12%. A arrecadação subiu 7%!

Não seria o caso de demonstrar à SEFAZ que a pauta fiscal, como elaborada atualmente, além de ser uma obra de ficção, é extremamente prejudicial aos interesses do Estado, das empresas e da população que precisa de postos de emprego e desenvolvimento?

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Reflexos da falta de política de desenvolvimento

Há uma semana a SFA (Superintendência Federal de Agricultura) divulgou nota na qual informou que os abates de bovinos em Mato Grosso do Sul no ano de 2008 tiveram redução de 14% em relação a 2007, ou seja, uma redução nos abates de 493.034 mil animais (3.515.058 em 2007 contra 3.022.024 em 2008). Pior ainda se considerarmos que a redução em dezembro foi de 27,5% (de 307.773 para 222.939).

Na análise da Famasul (Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul), a queda seria decorrente do grande abate de matrizes dos últimos anos com a conseqüente redução do rebanho, que levou o estado do primeiro ao terceiro lugar (atrás de MT e GO) em poucos anos.

Evidentemente os reflexos do surto de aftosa ocorrido em 2006 podem, até certo ponto, explicar essa situação mas sou obrigado a discordar do simplismo da conclusão da Famasul.

Muita coisa poderia ser feita se houvesse coordenação dos esforços ou, em outros termos, faltou governança, entendida como a aderência dos agentes – públicos e privados – às políticas e códigos de conduta definidos pelo Estado.

A governança se expressa pela ação articulada visando atingir metas de eficiência econômica e alcance social e é exatamente neste aspecto que falhou o Estado ao simplesmente isentar-se de uma conduta coordenadora ou, para usar um jargão atual, próativa.

Se o Estado não define objetivos e metas, em torno de que pretende organizar os agentes econômicos? Qual foi a diretriz estabelecida?

O mais estranho é que agora, em função da queda de arrecadação gerada pela redução da atividade, o governo do estado decidiu – pasme – aumentar a Pauta Fiscal em 11%. Como resultado, evidentemente os produtores se ressentirão de uma redução na capacidade de investimento, resultando em mais redução de atividade.

Deve ser o melhor exemplo de tiro no próprio pé que alguém já viu… Bem, para ser justo, é mais ou menos a mesma idéia brilhante da prefeitura de Campo Grande ao lançar a taxa do poste.

� assim que pretendemos ingressar no seleto clube das nações desenvolvidas?

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Do blog do Noblat

Elas por elas
A imprensa não tem do que reclamar do fato do Lula não lê-la.

Não conheço nenhum jornalista que leia o que o Lula escreve.

São elas por elas.

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Economilk-shake: O agito na economia

Pois é, bem que eu apostava no agito, mas nem tanto!

Primeiro que o Banco Central informou ontem (21), que a saída de divisas do país em janeiro já atingiu US$ 2,1 bilhões. Só para se ter uma idéia da brincadeira, em 2008 a saída de divisas atingiu US$983 milhões.

Isso se dá muito mais pela necessidade de capitalização dos investidores externos do que propriamente em função de problemas internos, em todo o caso, o reflexo é basicamente o mesmo: escassez de divisa.

Como resultado, a taxa de câmbio acaba sendo pressionada para cima e podemos supor que a tendência vai se manter. Portanto, aviso aos navegantes (bem como a todos os viajantes): em suas férias de 2009, prefira o turismo nacional. � mais prático e não causa tanto susto no pagamento da fatura do cartão de crédito :-)

Devo dizer que me sinto até constrangido mas sou obrigado a elogiar o Ministro Mantega. Hoje  ele anunciou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terá mais R$ 100 bilhões para empréstimos ao setor produtivo. Mais importante ainda (parece que ele ouviu meus apelos hehe), os recursos estarão condicionados à geração de empregos. Finalmente!

Mas o que deixou todo mundo alvoroçado foi a queda na taxa de juros que o COPOM determinou. A SELIC caiu UM ponto percentual, passando a 12,75% (continua sendo a mais alta do mundo). Lamento informar, no entanto, que para a população em geral, isso não vai fazer a menor diferença, pelo menos imediatamente.

Isso não quer dizer que não seja interessante, principalmente porque a decisão do COPOM se deu com base no desempenho da economia e da inflação. A tendência de queda nos índices inflacionários foi fundamental para a redução da taxa.

O que vai acontecer agora? Bem, o que se supõe é que os bancos ofertem um pouco mais de dinheiro para as empresas, a custo mais baixo, e que estas tenham mais disposição para investir.

A partir daí, se houver um movimento favorável dos próprios bancos no sentido de aumentar o volume de crédito para os consumidores, o que certamente não ocorrerá em prazo inferior a 45-60 dias, é possível que as famílias passem, novamente, a ter acesso a financiamentos a custos um pouco mais baixos.

Veja que existem muitas condicionais na análise acima, portanto, se você me permite a sugestão, antes de decidir-se a gastar por conta, prefira um Economilk-Shake diet ou, como diz meu amigo Renato, “segura a onda”!

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Relógio anti-estresse

Estou tentando conseguir a representação local.
Tenho certeza que vai ser um ótimo negócio.
relogio_pulso_timeless

Publicado originalmente AQUI

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Pague à vista!

Quer uma dica infalível para fazer grandes negócios? Pague à vista.

Com a crise financeira internacional, renegociar dívidas ficou complicado e meu palpite é que a coisa vai piorar. A forma mais tranquila de ter desconto real é pagar à vista.

Eu sei que em janeiro a coisa está apertadíssima. Além disso, os descontos dos impostos (IPVA e IPTU) para pagamento em uma parcela só, são absolutamente irresistíveis.

Mas vá se programando. Procure seus credores e proponha o pagamento à vista da dívida. Peça desconto e ele provavelmente vai conceder porque é ele ao mesmo tempo se livra de um problema (a sua conta) e consegue uma solução (a conta dele).

Refinanciar ou parcelar a dívida nesta altura do campeonato, trará aumentos consideráveis nas taxas de juros e – pense bem – se não deu para pagar antes, como é que vai dar para pagar com taxas mais altas?

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