Publicado originalmente no sÃtio do Sindicato Rural de Dourados
Naviraà deve receber os antropólogos na Fazenda Brilhante no domingo, conta o presidente do sindicato rural da cidade, Luiz Miguel Vieira. â??Os produtores estão muito assustados. Entramos com uma solicitação para que pudéssemos ser avisados dias antes de a área ser vistoriada, mas isso não aconteceuâ?, diz.
Heitor Carlos Fernandes, do Sindicato Rural de Juti, já identificou os reflexos das demarcações no humor dos investidores: â??Com a perda de investimentos, a arrecadação de impostos do municÃpio caiu cerca de 20%, e os preços das terras também caÃramâ?.
Juti não é a única. Na região cone-sul, as negociações de compra e venda de terras e os investimentos em produção agropecuária estão parados, garante o delegado de Ponta Porã do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de MS (CRECI-MS), Pedro de Souza Lima.
Segundo o diretor da Financial Imobiliária, Geraldo Paiva, de Campo Grande, o clima de insegurança dificulta a negociação. â??Os produtores têm medo de vender as terras e, se houver demarcação, serem processados por ter agido de má féâ?, conta Geraldo, que acredita em uma queda nos preços das terras na região em breve.
Itaporã, na região da Grande Dourados, foi atingida pela instabilidade. â??Tenho amigos que perderam o interesse em comprar terras na região de Itaporãâ?, lamenta o presidente do sindicato rural da cidade, Luciano AtaÃde.
Orientação aos produtores
â??Conscientizar o produtor rural de que este é o momento de unir forçasâ?, esse é o lema do Sindicato Rural de Bela Vista, segundo o presidente Afonso Pinheiro Filho. Para Afonso, â??o agronegócio não pode perder o embalo no momento em que está se recuperandoâ?. O presidente afirma que os produtores da cidade não estão contra os Ãndios. â??Só queremos que eles respeitem as nossas propriedadesâ?, diz Afonso.
Evitar conflitos é a principal orientação que os produtores de Juti ouvem no sindicato, afirma o presidente Heitor Carlos. Na sul-fronteira, Ponta Porã tenta acalmar os produtores, que temem invasões após o inÃcio dos estudos antropológicos. Duas propriedades já foram invadidas na região e aguardam a reintegração de posse. â??O processo de reintegração foi aberto, mas o Ministério Público Federal faz pressão para que o juiz responsável não devolva as terrasâ?, conta o presidente do sindicato rural do municÃpio, Ronei Fuchs.
Conscientização da sociedade
Três mil pessoas aderiram ao abaixo-assinado do Sindicato Rural de Fátima do Sul contra os estudos de demarcação. O presidente Celso Saltareli espera conseguir a aceitação de oito mil moradores, nas áreas rural e urbana.
Em Bela Vista, o sindicato distribui panfletos e utiliza o rádio e os jornais da cidade para expandir o debate. â??A sociedade de Bela Vista sentiu que as demarcações podem ter reflexo negativo na economia da cidade, graças ao nosso trabalho de conscientizaçãoâ?, diz Afonso Pinheiro.
â??O que nós precisamos é desvincular essa situação dos produtores rurais, porque isso atingirá toda a população de Amambai e não só os produtoresâ? afirma Christiano Bortolotto, presidente do Sindicato Rural de Amambai.
Presidentes dos sindicatos rurais do Estado confirmam o clima instável e a apreensão dos produtores de 26 das cidades do interior, depois que antropólogos iniciaram os estudos para demarcação de terras indÃgenas.
Em reunião promovida pela Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (FAMASUL), nesta sexta-feira (08), eles falaram sobre conscientização da sociedade a respeito dos impactos negativos das demarcações na economia local e como têm orientado os produtores.