A frase foi atribuída a Charles de Gaulle, então presidente francês, que teria dito que “Le Brésil n’est pas un pays sérieux” o que em bom português indica o que já sabemos e que nos é constantemente lembrado “o Brasil não é um país sério”.
Os exemplos se multiplicam incontáveis. É uma verdadeira praga nacional que, apesar da internet, não conseguimos combater.
Aqui os fatos tem muito pouca ou nenhuma importância, sendo sempre mais importante a sua versão. Eu mesmo, recentemente fui “convidado” a explicar à justiça qual o sentido daquilo que havia escrito, simplesmente porque um procurador resolveu procurar (e achar, claro) algum tipo de manifestação de preconceito em um texto no qual eu, na verdade, criticava a postura do governador em relação a índios e sem-terra.
Mas foi só uma conversa amena, advogado, dinheiro, tempo mas tudo se resolveu…
O problema é maior quando a honra das pessoas é atingida diretamente, utilizando-se de subterfúgios jurídicos como forma de emprestar legalidade a atos com motivação político-ditatorial.
Estamos diante de uma situação complicadíssima em que o estado de direito se transforma em policialesco.
Refiro-me especificamente à operação Tellus deflagrada pela Polícia Federal em MS, em função de suposta fraude cometida por funcionários do INCRA, entre eles meu amigo Waldir Nascimento.
A investigação aparentemente chegou a indicar o “quantum debeatur” de R$62 milhões… coisa de Polícia Federal mesmo.
Só alguns probleminhas poderiam trazer dúvidas, não fosse a disposição pelos holofotes, entre eles, o fato de que a atual administração combateu as fraudes cometidas anteriormente, reduziu em mais de 30% o custo do metro quadrado construído nos assentamentos, regularizou vários, retomou lotes que haviam sido comercializados ilegalmente e que esse valor nunca chegou a ser aplicado pelo órgão, o que o transforma em uma impossibilidade matemática.
A qualquer perito – e eu sou um – isso soaria como um alarme, mas não aos diligentes policiais federais que pediram e conseguiram a determinação da prisão de 20 pessoas, entre elas, a do superintendente do órgão em MS, Waldir Nascimento (Veja aqui sua declaração à imprensa).
Ao juiz, no entanto, coube a cereja do bolo. O meretíssimo resolveu que “… não há uma prova fulcral, até nesse momento, que aponte Waldir como co-autor”, mas, em seguida, declara solenemente e em maiúsculas “DEFIRO A PRISÃO TEMPORÁRIA”. É algo definitivamente incoerente e seria cômico, não fosse trágico.
Onde, afinal, está o nexo entre esse juiz e o outro, que numa flagrante afronta à liberdade expressão, amordaçou o Jornal O Estado de São Paulo, que não pode há mais de um ano, publicar nada relativo ao clã Sarney e suas estrepolias.
Por experiência própria, sei que aqui é muito árido o caminho de quem decide não se alinhar com os mecanismos de auto-manutenção das estruturas de corrupção. O que os vetustos senhores beneficiários não esperam é que, em algum momento, a sociedade passe a reconhecê-los como os grandes responsáveis pelo câncer da miséria e da falta de educação de nosso povo.
Nesse momento, tudo mudará, mas enquanto isso, continuamos não sendo um país sério.

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Esta imagem é a reprodução da obra de Joseph Wright, de 1771, que retrata um alquimista em seu laboratório lúgubre, buscando produzir a pedra filosofal (Lapis Philosophorum).
